**Lead**
A Câmara dos Deputados deve aprovar nesta quarta-feira, em primeiro turno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que põe fim à escala de trabalho 6×1 — seis dias consecutivos de trabalho seguidos de um dia de descanso. A votação, considerada a mais relevante da pauta trabalhista do ano, conta com empenho direto do Palácio do Planalto e encontra uma oposição desarticulada, que não conseguiu reunir os votos necessários para obstruir a tramitação. A expectativa é de que a PEC obtenha os 308 votos mínimos exigidos para aprovação em primeiro turno, com folga.
**Contexto**
A escala 6×1 é uma das mais comuns no mercado de trabalho brasileiro, especialmente nos setores de comércio, serviços e indústria. A PEC em discussão propõe a substituição por uma jornada máxima de cinco dias de trabalho por dois de descanso, sem redução da carga horária semanal de 44 horas, mas com reorganização dos dias trabalhados. A proposta foi apresentada por deputados da base governista e ganhou força após o governo Lula definir a pauta como prioritária para a agenda de direitos trabalhistas.
Nos últimos meses, o governo mobilizou líderes partidários, ministros e o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva para garantir o apoio de partidos do centrão e de legendas de esquerda. A articulação incluiu reuniões com centrais sindicais e associações patronais, que, embora resistentes, não conseguiram formar um bloco coeso de oposição. A oposição, liderada por partidos de direita como o PL e o PP, tentou adiar a votação por meio de requerimentos e manobras regimentais, mas esbarrou na falta de quórum qualificado para sustar a tramitação.
A votação em primeiro turno exige maioria qualificada de três quintos dos deputados (308 votos). O governo afirma ter o apoio de ao menos 340 parlamentares, número que, se confirmado, garantiria a aprovação com folga. A oposição, por sua vez, admite que não dispõe de força para barrar a proposta nesta etapa, mas promete intensificar a resistência no segundo turno e no Senado.
**Análise**
A aprovação da PEC em primeiro turno representa uma vitória política significativa para o governo Lula, que busca consolidar uma agenda de avanços sociais antes das eleições de 2026. O fim da escala 6×1 é uma bandeira histórica dos movimentos sindicais e da esquerda, e sua tramitação bem-sucedida reforça a narrativa de um governo comprometido com a melhoria das condições de trabalho. Para a oposição, o revés expõe a fragilidade de sua estratégia de confronto direto, especialmente após a perda de espaço no Congresso com a recomposição das comissões e a aproximação do governo com partidos do centrão.
Do ponto de vista econômico, a mudança na escala de trabalho pode ter impactos variados. Setores como comércio varejista e serviços, que dependem de escalas flexíveis, já sinalizam preocupação com possíveis aumentos de custos operacionais. No entanto, estudos de institutos de pesquisa indicam que a reorganização da jornada pode aumentar a produtividade e reduzir o absenteísmo, compensando eventuais ajustes. O governo aposta que a medida, aliada a outras políticas de valorização do salário mínimo e formalização do emprego, contribuirá para a redução da informalidade e para a melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores.
O cenário político para o segundo turno na Câmara e para a votação no Senado ainda é incerto. A oposição deve tentar modificar o texto por meio de emendas, especialmente no que diz respeito a exceções para setores específicos, como saúde e segurança. O governo, por sua vez, já sinalizou que está disposto a negociar ajustes pontuais, desde que o núcleo da proposta — a eliminação da escala 6×1 — seja mantido. A tramitação no Senado, onde a base governista é mais estreita, exigirá nova rodada de articulação, mas a aprovação em primeiro turno na Câmara dá ao governo um importante impulso político.
**Fontes**
As informações deste artigo foram obtidas a partir de fontes oficiais e públicas: discursos e notas oficiais de líderes partidários na Câmara dos Deputados, comunicados da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, reportagens de veículos como Agência Câmara, Agência Senado, e análises de institutos de pesquisa como o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos). Dados sobre a tramitação legislativa foram consultados no sistema de acompanhamento de proposições da Câmara dos Deputados. Nenhuma informação foi obtida por meio de fontes anônimas ou não verificáveis.
Por Renan Filho · 2026-10-14