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Opiniao

Fifa de Infantino distribui bilhões às vésperas de eleição no Brasil e acende alerta sobre influência política

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-15

A entidade máxima do futebol mundial libera montantes recordes para federações nacionais em ano eleitoral no Brasil, gerando debate sobre transparência e possíveis interferências no esporte e na política.

**Lead**

A Federação Internacional de Futebol (Fifa), sob a presidência de Gianni Infantino, anunciou a liberação de bilhões de dólares em recursos para federações nacionais, incluindo a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), em um momento que coincide com o período eleitoral no Brasil. A medida, embora prevista em programas de desenvolvimento como o FIFA Forward, levanta questionamentos sobre a oportunidade política e a transparência na destinação dos valores, especialmente em um país onde o futebol e a política sempre caminharam lado a lado.

**Contexto**

Desde que assumiu a presidência da Fifa em 2016, Gianni Infantino expandiu significativamente o programa FIFA Forward, que redistribui parte das receitas da entidade para as 211 federações filiadas. O objetivo declarado é financiar projetos de infraestrutura, desenvolvimento de base e competições locais. No ciclo 2023-2026, a Fifa destinou montantes recordes, com cada federação podendo receber até US$ 8 milhões por ciclo, além de verbas extras para projetos específicos. O Brasil, como uma das maiores potências do futebol mundial, historicamente recebe valores expressivos, especialmente para a modernização de estádios e centros de treinamento.

No entanto, a liberação desses recursos ocorre em um contexto político delicado. O Brasil se aproxima de eleições presidenciais e, paralelamente, a CBF vive um processo eleitoral interno para a escolha de seu novo presidente, após anos de intervenções judiciais e denúncias de corrupção. A coincidência temporal entre os repasses da Fifa e esses pleitos acendeu o alerta de especialistas em governança esportiva e de parlamentares que acompanham o tema.

**Análise**

A distribuição de bilhões de dólares por parte da Fifa em ano eleitoral no Brasil não é, por si só, ilegal ou irregular. O programa FIFA Forward foi criado justamente para apoiar o desenvolvimento do futebol em todos os continentes, e o Brasil, com sua enorme base de jogadores e torcedores, é um dos principais beneficiários. No entanto, a falta de transparência sobre os critérios de alocação e a ausência de mecanismos robustos de auditoria independente tornam o processo vulnerável a interpretações políticas.

Historicamente, a Fifa já foi alvo de escândalos de corrupção que envolveram dirigentes e governos, especialmente durante os processos de escolha de sedes de Copas do Mundo. A atual gestão de Infantino prometeu reformas, mas críticos apontam que a concentração de poder na presidência e a falta de controle externo ainda são problemas. No Brasil, a relação entre o futebol e o poder público sempre foi complexa: estádios construídos com dinheiro público, dirigentes que transitam entre o esporte e a política, e a utilização de eventos esportivos como vitrine eleitoral são práticas conhecidas.

A liberação de recursos da Fifa neste momento pode ser vista como um fator de estabilidade para a CBF, que enfrenta dificuldades financeiras e administrativas. Por outro lado, também pode ser interpretada como uma tentativa de influenciar o resultado das eleições internas da confederação, já que os recursos podem ser usados para alavancar candidaturas ou para manter o apoio de federações estaduais. A opinião pública e os órgãos de controle devem estar atentos para garantir que o dinheiro do futebol não seja desviado para fins políticos.

**Fontes**

As informações sobre os repasses da Fifa foram obtidas a partir de comunicados oficiais da entidade, disponíveis em seu site institucional, e de reportagens de veículos como Reuters, Associated Press e agências de notícias especializadas em esporte. Dados sobre o programa FIFA Forward constam em relatórios financeiros auditados da Fifa, publicados anualmente. A situação eleitoral no Brasil foi contextualizada com base em informações da Justiça Eleitoral e de coberturas jornalísticas de veículos como Folha de S.Paulo e O Globo.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.