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Economia

Fiesp critica manutenção da Selic em 13,75% e cobra redução para impulsionar economia brasileira

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-11-05

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) manifestou forte insatisfação com a decisão do Copom de manter a taxa básica de juros em 13,75% ao ano, classificando o patamar como 'inaceitável' e pedindo uma redução para destravar investimentos no país.

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A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou duramente nesta quarta-feira a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa Selic em 13,75% ao ano. Em nota oficial, a entidade classificou o patamar como 'inaceitável' e cobrou uma redução imediata dos juros para estimular a atividade produtiva e gerar empregos no Brasil. A decisão do Copom, anunciada na noite de ontem, mantém o país com uma das maiores taxas reais de juros do mundo, o que, segundo a Fiesp, sufoca a indústria e eleva o custo do crédito.

**Contexto**

A Selic em 13,75% vigora desde agosto de 2023, quando o Copom interrompeu o ciclo de cortes após pressões inflacionárias globais e dúvidas sobre o arcabouço fiscal brasileiro. Desde então, o Banco Central, sob o comando de Roberto Campos Neto, sinalizou repetidamente que manteria os juros elevados até que a inflação convergisse para a meta de 3,25%. Na última reunião, a decisão foi unânime entre os membros do Copom, que apontaram riscos inflacionários advindos de incertezas fiscais e da desancoragem das expectativas de mercado.

A Fiesp, liderada pelo presidente Josué Gomes da Silva, argumenta que o quadro macroeconômico mudou: a inflação ao consumidor (IPCA) recuou de picos de dois dígitos para algo em torno de 4% ao ano, e a economia apresenta sinais de desaceleração — o PIB do segundo trimestre de 2026, por exemplo, registrou crescimento modesto, bem abaixo do potencial. Para a entidade, manter juros tão altos nesse cenário representa um erro de política econômica, que penaliza especialmente o setor industrial.

'Não há justificativa técnica para manter a Selic no patamar atual. O Brasil precisa urgentemente de juros mais baixos para que as empresas possam investir, contratar e competir', afirmou a Fiesp em comunicado, ecoando críticas também feitas por centrais sindicais e associações comerciais. A entidade lembrou que o custo de capital no Brasil é um dos maiores do planeta, o que inviabiliza projetos de longo prazo e encarece insumos básicos.

**Análise**

A pressão da Fiesp ocorre em um momento de crescente tensão entre o governo federal e o Banco Central. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ministros da Fazenda defendem abertamente a redução dos juros para estimular a atividade, Campos Neto e a diretoria do BC mantêm o discurso de que a política monetária precisa ser contracionista para conter a inflação. A continuidade dos juros elevados, porém, gera um efeito colateral direto: ela aumenta o serviço da dívida pública e reduz o espaço fiscal do governo para investir em infraestrutura, saúde e educação.

Para analistas de mercado, a manutenção da Selic em 13,75% reflete a percepção de que o risco fiscal do Brasil ainda é elevado. Embora o arcabouço fiscal tenha sido aprovado no Congresso em 2023, a dificuldade do governo em cumprir a meta de déficit zero e os ruídos em torno da reforma tributária alimentam a desconfiança dos investidores. Nesse contexto, o BC prefere pecar pelo excesso de cautela, mesmo que isso desagrade a indústria.

O impacto sobre o setor produtivo, no entanto, é concreto. Dados de associações sindicais indicam que a taxa de juros atual está comprimindo as margens de lucro das empresas, reduzindo a intenção de investimento e elevando a inadimplência. O crédito bancário para pessoa jurídica tornou-se proibitivo em muitas linhas, especialmente para pequenas e médias empresas. A Fiesp projeta que, se a Selic permanecer nesse patamar por mais alguns meses, o número de falências no setor industrial paulista poderá crescer nos próximos trimestres.

A entidade, no entanto, reconhece que uma redução dos juros não depende exclusivamente do Banco Central, mas também de um compromisso firme do governo com a disciplina fiscal. Em reuniões recentes com o ministro Fernando Haddad, representantes da Fiesp cobraram um ajuste mais ambicioso nas contas públicas como forma de abrir espaço para a política monetária. 'O governo precisa mandar um sinal claro de que vai gastar menos e melhor. Só assim o BC terá conforto para cortar os juros sem gerar pânico nos mercados', afirmou o presidente da Fiesp em entrevista anterior.

**Fontes**

- Nota oficial divulgada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em 5 de novembro de 2026. - Ata da 276ª reunião do Copom, publicada pelo Banco Central do Brasil. - Dados do IPCA divulgados pelo IBGE e discursos públicos do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.