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A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou duramente a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) de manter a taxa básica de juros, a Selic, em 13,75% ao ano. Em nota oficial divulgada nesta quarta-feira, a entidade cobrou uma redução imediata do índice, argumentando que o atual patamar compromete a segurança econômica do país, inibe investimentos produtivos e ameaça a geração de empregos. A manifestação ocorre em meio a um cenário de inflação sob controle e atividade econômica estagnada, o que, segundo a Fiesp, torna a manutenção da Selic injustificável e prejudicial à retomada do crescimento.
**Contexto**
A Selic é o principal instrumento do Banco Central para controlar a inflação. Ao ser mantida em 13,75%, a taxa permanece no maior nível desde 2016, em termos nominais, e uma das mais altas do mundo em termos reais — descontada a inflação projetada. A decisão do Copom, anunciada na última reunião do colegiado, surpreendeu parte do mercado financeiro e gerou reações negativas de setores produtivos. A Fiesp, que representa mais de 130 mil indústrias paulistas, há meses vinha pressionando por um afrouxamento monetário, alegando que o aperto excessivo sufoca a atividade industrial e eleva o custo do crédito para empresas e consumidores.
A entidade lembra que a inflação ao consumidor, medida pelo IPCA, tem apresentado trajetória de desaceleração nos últimos meses, aproximando-se do centro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional. Para a Fiesp, esse cenário já oferece espaço para o início de um ciclo de cortes na Selic, sem risco de descontrole inflacionário. A manutenção da taxa em 13,75%, por outro lado, é vista como um obstáculo à recuperação da economia brasileira, que ainda não retomou o ritmo de crescimento pré-pandemia e enfrenta desafios estruturais como baixa produtividade e elevado desemprego.
A crítica da Fiesp também se dirige ao comunicado do Copom, que sinalizou cautela e condicionou futuras reduções à evolução do cenário fiscal e das expectativas de inflação. A entidade considera que o Banco Central está sendo excessivamente conservador e ignorando sinais de arrefecimento dos preços, além de desconsiderar o impacto negativo dos juros altos sobre a segurança dos investimentos de longo prazo. Empresários do setor industrial relatam que o custo do capital tornou inviável a expansão de plantas, a modernização de maquinário e a contratação de novos funcionários, gerando um círculo vicioso de baixo crescimento e incerteza.
**Análise**
A manutenção da Selic em 13,75% não é apenas uma questão de política monetária; ela tem implicações diretas para a segurança econômica do Brasil. Quando os juros estão elevados, o crédito fica mais caro e escasso, o que desestimula o consumo e o investimento. Para a indústria, que depende de financiamento para capital de giro e projetos de expansão, esse ambiente representa um risco existencial. A Fiesp alerta que a continuidade desse quadro pode levar ao fechamento de fábricas, ao aumento da informalidade e à perda de competitividade internacional, comprometendo a segurança dos empregos formais e a arrecadação tributária.
Além disso, a taxa Selic elevada atrai capital estrangeiro especulativo, que busca o alto rendimento dos títulos públicos brasileiros. Isso valoriza o real e prejudica as exportações, especialmente de produtos manufaturados, que perdem competitividade no mercado global. A segurança da balança comercial e a sustentabilidade do setor externo também ficam ameaçadas. Para a Fiesp, a política monetária atual está priorizando o combate à inflação de forma isolada, sem considerar os efeitos colaterais sobre a atividade econômica e a segurança social.
Outro ponto levantado pela entidade é a segurança jurídica e institucional. A manutenção de juros elevados por um período prolongado, mesmo com inflação em queda, gera desconfiança entre investidores nacionais e estrangeiros. Eles passam a questionar a previsibilidade das decisões do Banco Central e a independência do órgão em relação a pressões políticas. A Fiesp defende que a redução da Selic é necessária não apenas por razões econômicas, mas também para restaurar a confiança no ambiente de negócios brasileiro, elemento essencial para a segurança dos investimentos de longo prazo.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de nota oficial divulgada pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em seu site institucional e canais de comunicação. A decisão do Copom e os dados sobre a taxa Selic são de conhecimento público, disponíveis no portal do Banco Central do Brasil. A análise de impacto sobre a indústria baseia-se em declarações de dirigentes da Fiesp veiculadas pela imprensa nacional, como os jornais Valor Econômico e Folha de S.Paulo, além de relatórios setoriais da própria entidade.
Por Renan Filho · 2026-11-04