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A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) criticou nesta quarta-feira a aprovação, pelo Senado Federal, do projeto de lei que acaba com a escala de trabalho 6×1, na qual o empregado trabalha seis dias consecutivos e folga um. Em nota oficial, a entidade afirmou que a mudança, embora tenha motivação social legítima, foi conduzida sem o devido diálogo com o setor produtivo e pode trazer consequências negativas para a geração de empregos e para a competitividade da indústria brasileira. O texto segue agora para a Câmara dos Deputados, onde o debate deve se intensificar.
**Contexto**
A escala 6×1 é um modelo de jornada amplamente utilizado no comércio, na indústria e em serviços, especialmente em setores que operam de forma contínua ou com picos de demanda. Atualmente, a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) permite essa configuração, desde que respeitado o limite de 44 horas semanais e a folga semanal remunerada. O projeto aprovado no Senado altera essa estrutura, determinando que o intervalo entre jornadas seja maior e que o descanso semanal seja ampliado, na prática, para dois dias consecutivos.
A proposta foi apresentada por parlamentares ligados a movimentos trabalhistas e ganhou força nas redes sociais nos últimos meses, com o apoio de sindicatos e de parte da população que considera o ritmo exaustivo. No entanto, a Fiesp argumenta que a medida foi votada sem uma análise aprofundada dos impactos setoriais. A entidade representa cerca de 130 mil indústrias no estado de São Paulo, o maior polo industrial do país, e tem sido uma das vozes mais ativas contra a aprovação da matéria.
Em sua manifestação, a Fiesp destacou que a indústria brasileira já enfrenta um cenário de juros altos, carga tributária elevada e burocracia excessiva. Segundo a entidade, uma mudança estrutural na jornada de trabalho precisa ser acompanhada de estudos sobre produtividade, custos operacionais e setores específicos, como saúde, logística e segurança, que muitas vezes dependem de escalas contínuas para manter serviços essenciais.
**Análise**
A aprovação no Senado representa uma vitória política para os defensores da reforma, mas o caminho até a implementação ainda é longo. Na Câmara, a proposta deve enfrentar forte resistência de bancadas ligadas ao agronegócio, ao comércio e à indústria, que já sinalizaram a intenção de negociar alterações no texto. A Fiesp, por sua vez, deve atuar nos bastidores para tentar modificar pontos considerados mais sensíveis, como a definição de jornada para atividades que exigem operação ininterrupta.
O impacto econômico de uma eventual mudança na escala 6×1 dependerá de vários fatores, incluindo o prazo de adaptação, as regras para negociação coletiva e a forma como as empresas poderão compensar horas em períodos de baixa demanda. Analistas ouvidos por veículos econômicos apontam que, se mal implementada, a medida pode aumentar os custos trabalhistas em setores de mão de obra intensiva, o que poderia resultar em repasse de preços ao consumidor ou em redução de contratações.
Por outro lado, defensores do fim da escala 6×1 argumentam que trabalhadores mais descansados tendem a ser mais produtivos e que a melhoria na qualidade de vida pode reduzir afastamentos por doenças ocupacionais e acidentes de trabalho. Há também a expectativa de que o aumento do tempo livre estimule o consumo e o lazer, gerando um efeito positivo em outros setores da economia.
A Fiesp, no entanto, rejeita a tese de que a simples redução da jornada aumenta a produtividade. Para a entidade, o debate deveria passar pela modernização das relações trabalhistas, com mais espaço para acordos entre empresas e trabalhadores, e não por uma obrigação generalizada imposta por lei. Esse posicionamento coloca a federação em rota de colisão com o governo e com as centrais sindicais, que defendem a aprovação da matéria sem alterações substanciais.
O cenário para os próximos meses é de negociação intensa no Congresso. A Fiesp deve apresentar dados técnicos e estudos de impacto para tentar convencer deputados a ajustar o texto, enquanto os movimentos sociais prometem pressionar pela manutenção do projeto original. O desfecho dessa disputa terá efeitos diretos sobre o mercado de trabalho brasileiro e sobre a economia como um todo, em um momento em que o país busca retomar o crescimento e reduzir o desemprego.
**Fontes**
- Nota oficial da Fiesp sobre a aprovação no Senado. - Informações públicas do Congresso Nacional sobre o andamento do projeto. - Dados da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) sobre jornada e descanso. - Reportagens de veículos de imprensa nacional sobre o tema.
Por Renan Filho · 2026-10-15