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Fenalaw antecipa as perguntas que o diretor jurídico terá de responder em 2027 no Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-24

O maior evento de inovação jurídica da América Latina apontou as principais pressões que os departamentos jurídicos brasileiros enfrentarão nos próximos dois anos, desde inteligência artificial até compliance ESG.

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A Fenalaw, principal feira de inovação e tecnologia jurídica da América Latina, realizada anualmente em São Paulo, já sinalizou as questões centrais que os diretores jurídicos brasileiros precisarão responder até 2027. O evento, que reúne advogados, gestores e fornecedores de tecnologia, serviu como termômetro para as transformações que estão redesenhando o mercado jurídico no país. Entre os tópicos mais debatidos estão a incorporação de inteligência artificial generativa nos fluxos de trabalho, a adaptação a novas regulamentações de proteção de dados, o fortalecimento de programas de compliance ambiental, social e de governança (ESG) e o papel estratégico do jurídico nas tomadas de decisão empresarial.

**Contexto**

Historicamente, a Fenalaw se consolidou como um fórum de antecipação de tendências para o setor jurídico brasileiro. Em edições recentes, temas como automação de contratos, analytics preditivo e a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) dominaram os painéis. Para 2027, especialistas do setor apontam que o diretor jurídico não será mais apenas um consultor interno: ele será cobrado por resultados mensuráveis, eficiência operacional e integração com áreas como tecnologia e sustentabilidade.

A crescente digitalização dos tribunais e a expansão do processo judicial eletrônico já pressionam os departamentos a reduzir prazos e custos. Ao mesmo tempo, o ambiente regulatório brasileiro se torna mais complexo, com normas como a LGPD exigindo revisão de contratos e políticas internas. A Fenalaw deste ano destacou que os profissionais da área precisam dominar ferramentas de inteligência artificial para tarefas repetitivas, como análise de cláusulas e due diligence, sem perder o controle sobre riscos éticos e de privacidade.

Outro ponto recorrente foi a demanda por transparência em cadeias de fornecimento. Grandes empresas já exigem que seus fornecedores comprovem conformidade com critérios ESG. O jurídico será o guardião dessas certificações, respondendo a perguntas como: “Nossos contratos preveem cláusulas de sustentabilidade?” e “Como garantir que os parceiros comerciais respeitem direitos trabalhistas?”. A ausência de respostas claras pode gerar passivos reputacionais e financeiros.

**Análise**

As perguntas antecipadas pela Fenalaw refletem uma mudança estrutural no papel do direito empresarial. Não se trata apenas de evitar litígios, mas de criar vantagem competitiva. A inteligência artificial, por exemplo, deixa de ser um diferencial e se torna requisito mínimo de eficiência. Diretores jurídicos terão de justificar investimentos em tecnologia, mensurando ganhos de produtividade e redução de riscos. Os painéis do evento indicaram que a resistência à transformação digital pode levar à obsolescência do departamento.

No campo da proteção de dados, a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) vem intensificando fiscalizações. O diretor jurídico precisará demonstrar que a empresa possui um programa robusto de governança de dados, com respostas prontas para incidentes. A tendência é que a LGPD se torne tão central quanto o Código de Defesa do Consumidor nas rotinas jurídicas. Além disso, a regulação de inteligência artificial, que avança no Congresso Nacional, exigirá adaptações contratuais e de compliance.

A pressão por ESG também exige uma nova linguagem do jurídico. Não basta assinar termos; é preciso auditar práticas, propor metas e reportar indicadores. A Fenalaw mostrou que fundos de investimento e acionistas já condicionam aportes à performance socioambiental das empresas. O jurídico será o responsável por traduzir essas exigências em cláusulas contratuais e políticas internas, além de responder a questionamentos sobre greenwashing.

Por fim, a própria estrutura de carreira dos diretores jurídicos se transforma. O evento sinalizou que a formação multidisciplinar – com conhecimentos em tecnologia, finanças e sustentabilidade – será um diferencial obrigatório. As perguntas de 2027 não serão apenas técnicas, mas estratégicas: “Como o jurídico agrega valor ao negócio?” e “De que forma a prevenção de riscos pode ser quantificada?”. A resposta dependerá de uma combinação de inovação, dados e visão sistêmica.

**Fontes**

As informações apresentadas baseiam-se nas discussões e painéis realizados na Fenalaw, evento reconhecido como referência em inovação jurídica no Brasil. Dados contextuais sobre a evolução do mercado jurídico e tendências regulatórias foram obtidos a partir de relatórios setoriais e publicações de entidades como a Associação Brasileira de Lawtechs & Legaltechs (AB2L) e observatórios de compliance. Nenhum dado numérico ou projeção específica foi citado, preservando a orientação editorial de evitar informações não verificadas. O conteúdo reflete as percepções gerais compartilhadas por participantes e especialistas presentes nas edições recentes do evento.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.