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Fé e política: 46% das evangélicas preferem Flávio Bolsonaro contra 26% de Lula, aponta pesquisa

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-25

Levantamento do Instituto Futura mostra que a fé continua sendo um pilar central na escolha política feminina. Entre mulheres evangélicas, a vantagem do senador Flávio Bolsonaro sobre Lula é de 20 pontos percentuais.

Um novo estudo do Instituto Futura, divulgado nesta terça-feira (15), revela um dado que reforça o vínculo entre religiosidade e preferência eleitoral no Brasil. Entre mulheres evangélicas, 46% declararam intenção de voto no senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para a Presidência da República em 2026, contra 26% do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A diferença de 20 pontos percentuais demonstra que o conservadorismo moral e a defesa dos valores familiares seguem como fatores decisivos para esse eleitorado.

A pesquisa ouviu 2.000 mulheres em 120 municípios brasileiros entre os dias 1º e 10 de setembro. A margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos. Quando consideradas todas as mulheres (sem recorte religioso), a vantagem de Lula é de 44% contra 38% de Flávio Bolsonaro – um empate técnico dentro da margem de erro, mas que já sinaliza uma reação conservadora. O dado mais relevante, no entanto, está no segmento evangélico, que representa cerca de 30% da população feminina do país.

Por que a fé une as mulheres em torno de Flávio Bolsonaro? A resposta, segundo analistas políticos ouvidos pelo FORTIS NEWS, está na percepção de que o senador fluminense encarna a continuidade da pauta moral iniciada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Flávio tem sido vocal em temas como combate à ideologia de gênero nas escolas, defesa da família tradicional e liberdade religiosa. Em contrapartida, Lula viu sua popularidade entre evangélicas cair após episódios como a aliança com movimentos feministas radicais e a defesa do aborto em casos atualmente não previstos em lei.

A pesquisa também perguntou sobre a importância da religião na decisão de voto. Entre as evangélicas, 78% afirmaram que a fé é o fator mais importante ou um dos mais importantes na escolha do candidato. Já entre católicas, o percentual cai para 52%. Esse dado mostra que, embora a Igreja Católica ainda tenha peso, as igrejas evangélicas – especialmente as neopentecostais – exercem uma influência mais direta e cotidiana sobre a militância feminina.

Para o FORTIS NEWS, esse cenário não surpreende. O liberalismo econômico e o conservadorismo nos costumes sempre andaram juntos na história do Ocidente. O problema é que o Estado brasileiro, ao longo das últimas décadas, gastou mal, tributou demais e entregou pouco – e isso afeta diretamente as mulheres, que são as principais gestoras do orçamento doméstico. A insatisfação com a economia, combinada com a defesa de valores tradicionais, cria um ambiente propício para candidatos que prometem menos Estado e mais liberdade.

Contudo, é preciso fazer um contraponto honesto. A mesma pesquisa mostra que, entre mulheres de baixa renda e com ensino fundamental incompleto, Lula ainda lidera com 42% contra 34% de Flávio. O Bolsa Família e a memória dos governos petistas no combate à pobreza ainda pesam. Além disso, Flávio Bolsonaro carrega o peso de investigações passadas – mesmo tendo sido absolvido em algumas instâncias, a sombra da “rachadinha” ainda é explorada politicamente pela oposição. O eleitorado evangélico, porém, parece distinguir o erro pessoal da defesa de princípios.

Outro ponto que merece destaque é a fragmentação do voto feminino. A pesquisa indica que 28% das mulheres não souberam responder ou citaram outros nomes, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que é aliado de Flávio, e o ex-ministro Sergio Moro (União Brasil). Caso Flávio não seja o nome consolidado da direita para 2026, esse eleitorado pode migrar para Tarcísio, que também possui forte apelo conservador e boa avaliação de governo.

No campo da esquerda, a reação já começou. Lula tem intensificado encontros com lideranças evangélicas e tentado suavizar o discurso sobre costumes. Em agenda recente em São Paulo, o presidente afirmou que “respeita todas as religiões” e que “nunca atacou a família”. No entanto, as medidas de seu governo, como a nomeação de ministros com pautas progressistas e o financiamento de ONGs feministas, contradizem o discurso de conciliação. A fé, para a mulher evangélica, não é apenas um sentimento – é uma cosmovisão que orienta escolhas práticas.

A conclusão do FORTIS NEWS é clara: a política brasileira está cada vez mais alinhada com os valores que emanam das igrejas. Ignorar esse movimento é um erro estratégico que a esquerda comete há anos. Para o liberal-conservadorismo, o caminho é reforçar o discurso de liberdade econômica aliada à defesa da vida e da família, sem cair em populismos ou promessas irrealistas. O dado de 46% contra 26% entre evangélicas não é um número frio – é um termômetro da alma do país.

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**1. A pesquisa do Instituto Futura é confiável?** Sim. O Instituto Futura é registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e realiza levantamentos periódicos com metodologia presencial. A margem de erro de 2 pontos percentuais é considerada padrão para pesquisas nacionais. Os dados completos serão divulgados no site do instituto.

**2. Flávio Bolsonaro é candidato à Presidência?** Ele é pré-candidato pelo PL e lidera as pesquisas internas do partido para a sucessão de 2026. No entanto, o nome ainda depende de convenção partidária e da decisão pessoal. Enquanto isso, o cenário serve como indicador das preferências do eleitorado conservador feminino.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.