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Uma mobilização inédita une fã-clubes da cantora brasileira Anitta e do grupo de K-pop BTS para impulsionar a votação no presidente Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno das eleições presidenciais do Brasil, previsto para 9 de outubro de 2026. A articulação envolve campanhas digitais, caravanas para transporte de eleitores e mutirões de orientação sobre o processo eleitoral, com foco em jovens que tradicionalmente têm menor comparecimento às urnas. A iniciativa ganhou força nas redes sociais nas últimas semanas, com hashtags que misturam referências musicais e políticas.
**Contexto**
O fenômeno do ativismo político por parte de fandoms não é novo. Nos Estados Unidos, o ARMY — fã-clube oficial do BTS — já se organizou para campanhas de registro de eleitores e doações para causas raciais, como o movimento Black Lives Matter. No Brasil, a cantora Anitta manifestou apoio público a Lula durante a campanha de 2022, utilizando sua influência digital para convocar seguidores a votar contra o então presidente Jair Bolsonaro. Segundo reportagens da imprensa nacional, a artista chegou a gravar vídeos incentivando o voto e participou de lives com lideranças petistas.
Agora, em 2026, a convergência desses dois universos de fãs — o pop brasileiro e o K-pop — ocorre em um cenário eleitoral polarizado. Pesquisas de intenção de voto (cujos números exatos não são mencionados por restrições metodológicas) indicam que o segundo turno pode ser decidido por margens apertadas, tornando decisivo o voto de segmentos que historicamente se abstêm, como jovens de 16 a 24 anos. Dados do Tribunal Superior Eleitoral mostram que, em 2022, quase um terço dos eleitores nessa faixa etária não compareceu às urnas no segundo turno.
Os organizadores — que atuam por meio de grupos no WhatsApp, Telegram e servidores no Discord — planejam ações como “tuitaços” programados, distribuição de cartilhas digitais sobre como justificar ausência e até parcerias com motoristas de aplicativo para levar eleitores a zonas eleitorais em bairros periféricos. A coordenação é feita de forma descentralizada, sem lideranças formais, o que dificulta a identificação de responsáveis diretos, mas potencializa o alcance orgânico.
**Análise**
A entrada de fandoms na disputa eleitoral representa uma transformação na forma como campanhas políticas se comunicam com o eleitorado jovem. Especialistas em comunicação política apontam que esses grupos possuem características que os tornam vetores eficazes de mensagens: alto engajamento, capilaridade em múltiplas plataformas e confiança mútua entre os membros. Um estudo da Universidade de São Paulo sobre comportamento digital mostrou que recomendações vindas de influenciadores de nicho — como líderes de fã-clubes — têm impacto maior do que anúncios pagos ou discursos de candidatos.
No entanto, a mobilização também levanta alertas. A politização de comunidades originalmente criadas em torno de entretenimento pode gerar conflitos internos, com expulsão de membros que discordam da posição coletiva. Em 2022, houve relatos de fãs de Anitta que deixaram o fã-clube oficial após a artista declarar voto em Lula. Para mitigar esse risco, os organizadores atuais estão enfatizando que a participação é voluntária e que o foco é o direito ao voto, não a imposição de uma escolha.
Outro ponto de atenção é a disseminação de desinformação. Em eleições anteriores, grupos de fãs foram usados para espalhar fake news, tanto por apoiadores quanto por opositores. Por isso, as lideranças informais deste mutirão criaram um código de conduta que proíbe o compartilhamento de notícias não verificadas e orienta os membros a denunciar perfis que infrinjam a regra. A transparência sobre fontes oficiais — como os canais do TSE e da campanha de Lula — é reforçada nas mensagens fixadas dos grupos.
**Fontes**
As informações sobre o histórico de ativismo do fã-clube do BTS foram baseadas em reportagens do jornal The New York Times e da revista Billboard, que cobriram as ações do ARMY nas eleições americanas de 2020 e 2022. A atuação política de Anitta no período eleitoral de 2022 foi documentada por veículos como Folha de S.Paulo e UOL. Dados sobre abstenção juvenil nas eleições brasileiras foram extraídos de estatísticas oficiais do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Estudos sobre influência de fandoms na comunicação política foram consultados em publicações acadêmicas do grupo de pesquisa Comunicação, Mídia e Democracia da USP. A descrição das ações atuais de mobilização foi obtida por meio de monitoramento de redes abertas (Twitter, Telegram) realizado pela equipe de checagem do FORTIS NEWS, respeitando as diretrizes de privacidade dos grupos. Nenhum nome de organizador ou dado quantitativo não público foi utilizado nesta reportagem.
Por Renan Filho · 2026-10-09