**Lead**
A defesa da deputada federal Carla Zambelli afirmou que uma eventual extradição da parlamentar para a Itália, com posterior envio ao Brasil, equivaleria a “entregá-la à morte”. A declaração foi feita pelo advogado da congressista durante sustentação oral em tribunal italiano, no âmbito de um processo que corre em segredo de Justiça. O caso, que envolve um mandado de prisão emitido pela Justiça brasileira e uma solicitação de extradição apresentada pela Itália, colocou a parlamentar no centro de um imbróglio jurídico internacional com desdobramentos políticos.
**Contexto**
Carla Zambelli, conhecida por seu alinhamento ao bolsonarismo e por posições polêmicas em temas como porte de armas e segurança pública, está na Itália desde o fim de setembro. No dia 4 de outubro, o tribunal de Milão autorizou a prisão da deputada com base em um mandado expedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, no âmbito do inquérito das fake news. A defesa, no entanto, sustenta que Zambelli é vítima de perseguição política e que o pedido de prisão é ilegal, pois teria sido emitido por um “tribunal de exceção”.
A Itália, que tem tratado de extradição com o Brasil, analisa agora o pedido apresentado pela Procuradoria-Geral da República. O caso ganhou contornos ainda mais sensíveis porque a defesa da parlamentar argumenta que, se extraditada, Zambelli seria imediatamente transferida para o Brasil, onde enfrentaria “risco de vida” em razão do contexto político do país. O advogado utilizou a expressão “entregá-la à morte” para descrever o cenário, citando supostas ameaças e a existência de um ambiente hostil contra a deputada.
Ainda não há decisão definitiva da Justiça italiana. O tribunal de Milão marcou uma nova audiência para o dia 17 de outubro. Até lá, a parlamentar permanecerá em território italiano sem prisão, mas com obrigação de se apresentar às autoridades locais. A Itália, no entanto, negou o pedido da defesa para que Zambelli pudesse deixar o país durante a análise do caso.
A situação de Zambelli é um dos episódios mais recentes de uma escalada de tensão entre o STF e aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. O inquérito das fake news, que investiga a disseminação de notícias falsas e ataques às instituições, já resultou em outras prisões e medidas cautelares contra figuras públicas. A deputada, que já foi alvo de buscas e apreensões autorizadas pela Corte, tornou-se um símbolo da resistência bolsonarista ao que classifica como “lawfare”.
**Análise**
O caso expõe um delicado conflito entre jurisdições e escancara as fraturas do sistema político brasileiro. A defesa de Zambelli tenta transformar o processo de extradição em um palco de denúncia contra o STF, enquanto as autoridades italianas avaliam a legalidade do pedido com base em tratados internacionais. A menção a “risco de morte” adiciona um elemento humanitário ao debate, mas até o momento não foram apresentados documentos públicos que comprovem ameaças concretas à vida da deputada no Brasil.
Para analistas, a questão central é saber se a Justiça italiana considerará o pedido de extradição um instrumento legítimo de cooperação jurídica ou se acolherá a tese da defesa de que há motivação política. A resposta terá impacto direto não apenas sobre o futuro de Zambelli, mas também sobre a imagem do STF no cenário internacional e sobre a relação entre Brasil e Itália. Se a extradição for negada, o episódio pode reforçar o discurso de perseguição política; se for aceita, abre-se um precedente para que outros investigados busquem refúgio no exterior.
Independentemente do desfecho, o caso já comprova que a disputa política brasileira ultrapassou fronteiras. A presença de uma deputada federal respondendo a um processo de extradição na Europa, com a defesa alegando risco de morte, é um fato extraordinário na história recente do país. A decisão do tribunal de Milão, prevista para os próximos dias, será acompanhada de perto por aliados e opositores de Zambelli, e pode redefinir os limites da cooperação jurídica internacional em casos de alta carga política.
**Fontes**
As informações são baseadas em declarações públicas do advogado de Carla Zambelli, em comunicados da defesa divulgados à imprensa e em reportagens publicadas por veículos como O Globo, Folha de S.Paulo, UOL e agências internacionais como Reuters e ANSA. O caso tramita em segredo de Justiça na Itália, e os detalhes do processo foram obtidos por meio de fontes ligadas à defesa e às autoridades italianas. A reportagem segue acompanhando os desdobramentos do caso e aguarda a decisão do tribunal de Milão, com nova audiência marcada para 17 de outubro.
Por Renan Filho · 2026-10-11