**Lead**
O deputado federal e ex-vice-presidente do Flamengo apresentou uma proposta para que a proibição da publicidade de casas de apostas esportivas — as chamadas bets — no futebol brasileiro ocorra em um período de transição de dois anos. A iniciativa, revelada durante um painel sobre economia do esporte, mira reorganizar o fluxo de receitas dos clubes e proteger torcedores, sem causar um colapso financeiro imediato nas agremiações.
**Contexto**
A relação entre clubes de futebol e empresas de apostas se intensificou nos últimos anos no Brasil. Grandes equipes passaram a estampar marcas de bets no centro dos uniformes, em placas de estádio e em ações nas redes sociais. Estima-se que os contratos de patrocínio com o setor representem uma fatia significativa do orçamento de clubes das séries A e B do Campeonato Brasileiro. O deputado, que ocupou cargo de vice-presidente do Flamengo entre 2018 e 2021, conhece de perto a dependência financeira desses acordos.
A proposta de transição de dois anos surge em meio a um debate nacional sobre a regulamentação das apostas esportivas. Desde a aprovação da Lei 13.756/2018, que legalizou as apostas de quota fixa, o setor cresceu de forma acelerada, mas a falta de regras claras para publicidade gerou preocupações com endividamento de torcedores e associação do esporte a vícios. O governo federal já sinalizou interesse em revisar a exposição das marcas, especialmente em horários de proteção infantojuvenil.
**Análise**
A transição de dois anos proposta pelo parlamentar não é apenas política — é uma estratégia econômica. Se a proibição fosse imediata, clubes perderiam contratos bilionários da noite para o dia, o que poderia inviabilizar investimentos em categorias de base, salários de atletas e infraestrutura. O prazo de 24 meses permitiria a renegociação de contratos vigentes e a busca de novos patrocinadores de setores como bancos, montadoras ou empresas de tecnologia.
Por outro lado, a manutenção temporária dos anúncios mantém o debate sobre o impacto social. Especialistas apontam que a exposição contínua a propagandas de apostas pode normalizar o comportamento de risco entre jovens. O equilíbrio entre saúde financeira dos clubes e proteção ao consumidor é o cerne da discussão. O mercado publicitário esportivo brasileiro, avaliado em centenas de milhões de reais anuais, precisa se adaptar a um eventual novo cenário sem bets.
**Fontes**
As informações sobre a proposta foram divulgadas pelo próprio deputado durante o painel intitulado 'O Futuro da Publicidade no Esporte', realizado em Brasília, e repercutidas por veículos como o jornal O Globo e a rádio CBN. Os dados sobre contratos de patrocínio e receitas de clubes são baseados em relatórios financeiros oficiais publicados pelos clubes e pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), disponíveis em seus canais de transparência.
Por Renan Filho · 2026-10-01