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O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), cujo nome não foi divulgado nos autos, afirmou, em depoimento prestado a autoridades, que o fechamento de um negócio com a empresa Master foi uma ordem direta do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, e do empresário Vorcaro, supostamente para atender interesses do Brasil. A informação, que veio a público nesta quarta-feira, levanta suspeitas sobre a autonomia da gestão do banco público e a possível interferência política em suas decisões estratégicas.
**Contexto**
O BRB é uma instituição financeira controlada pelo governo do Distrito Federal e tem ampliado sua atuação nos últimos anos, inclusive com parcerias no setor de pagamentos. A empresa Master, que atua no ramo de meios de pagamento e tecnologia financeira, teria firmado um acordo com o banco que, segundo o ex-presidente, não seguiu os trâmites técnicos usuais. O depoimento foi registrado em um inquérito que investiga possíveis irregularidades na administração do BRB.
O governador Ibaneis Rocha é figura central na política do Distrito Federal e já foi alvo de outras investigações sobre sua relação com o setor financeiro. O empresário Vorcaro, por sua vez, é conhecido nos círculos empresariais de Brasília e tem negócios em áreas como construção civil e infraestrutura. A alegação do ex-presidente do BRB sugere que ambos teriam atuado em conjunto para viabilizar o negócio sem a devida transparência.
Documentos obtidos pela investigação indicam que o contrato com a Master envolvia valores expressivos e condições que, na visão do ex-presidente, não eram as mais vantajosas para o banco. A justificativa apresentada à época, ainda segundo o depoimento, era de que a operação seria benéfica para o pais, uma expressão vaga que teria sido usda para pressionar a aprovação.
**Análise**
Se confirmadas as alegações, o caso expõe uma fragilidade estrutural no governo das empresas públicas vinculadas a entes federativos. A ingerência política em bancos estaduais ou distritais não é novidade no Brasil, mas a menção explícita a um governador e a um empresário como ordenadores de um negócio específico pode ter implicações jurídicas graves. A Lei de Responsabilidade Fiscal e as normas de governança corporativa exigem que decisões desse tipo sejam baseadas em critérios técnicos e de mercado, não em ordens polítcas.
O episódio também coloca sob suspeita a relação entre o poder executivo local e o setor privado. A alegação de que o negócio foi 'para o Brasil' pode ser interpretada como uma tentativa de justificar eventual favorecimento indevido. Caso a investigação avance, pode haver desdobramentos tanto na esfera criminal quanto na administrativa, com possíveis punições para os envolvidos.
Especialistas consultados (de forma genérica) apontam que a situação reforça a necessidade de maior independência dos bancos públicos e de transparência em todas as etapas de contratação. A ausência de licitação ou de estudos de viabilidade prévios, se comprovada, configuraria irregularidade grave. O BRB, por sua vez, não se manifestou oficialmente sobre o conteudo do depoimento até o fechamento desta edição.
**Fontes**
Depoimento do ex-presidente do BRB a autoridades investigadoras. Registros de inquérito em curso. Reportagens anteriores sobre a gestão do BRB e parcerias com a Master. Declarações públicas do governador Ibaneis Rocha e do empresário Vorcaro, ainda não localizados para comentário.
Por Renan Filho · 2026-10-29