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Ex-ministra do Meio Ambiente defende fim do desmatamento ilegal como prioridade do próximo governo

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-08

Em declaração recente, a ex-ministra alertou para a urgência de combater o desmatamento ilegal no Brasil, destacando implicações ambientais e econômicas.

**Lead**

A ex-ministra do Meio Ambiente do Brasil afirmou que o fim do desmatamento ilegal deve ser a prioridade número um do próximo governo federal, em discurso realizado durante um seminário sobre sustentabilidade e desenvolvimento. Ela defendeu que a questão ambiental não pode ser tratada como pauta secundária, pois está diretamente relacionada à estabilidade econômica, à segurança hídrica e à imagem do país no exterior.

**Contexto**

O Brasil detém a maior floresta tropical do mundo, a Amazônia, que desempenha papel crucial na regulação do clima global. Apesar disso, os índices de desmatamento têm demonstrado uma tendência de alta desde o início da década, impulsionados por atividades ilegais como a extração de madeira, a mineração e a expansão agropecuária sem autorização. A ex-ministra, que comandou a pasta entre os anos de 2016 e 2018, destacou que o enfraquecimento da fiscalização e os cortes orçamentários nos órgãos ambientais contribuíram para o avanço da destruição. Ela lembrou que, em sua gestão, foram implementadas operações de combate a crimes ambientais que conseguiram reduzir temporariamente as taxas de desmatamento, mas que os efeitos foram revertidos devido à falta de continuidade.

A ex-ministra também apontou que o desmatamento ilegal está enraizado em problemas estruturais, como a falta de regularização fundiária e a impunidade dos infratores. Muitas vezes, as áreas desmatadas são ocupadas por grileiros que têm acesso a financiamentos ilegais e que não são punidos devido à lentidão do sistema judiciário. Ela sugeriu a criação de um programa nacional de identificação e responsabilização de áreas degradadas, utilizando imagens de satélite e inteligência artificial para monitorar as alterações na cobertura vegetal em tempo real.

Nos últimos anos, o Brasil experimentou um aumento significativo no número de queimadas na Amazônia, muitas delas de origem criminosa. A ex-ministra ressaltou que a Polícia Federal e o IBAMA têm capacidade técnica para combater esses crimes, mas enfrentam falta de recursos humanos e financeiros. Ela defendeu uma recomposição urgente do orçamento do Ministério do Meio Ambiente, que sofreu cortes dramáticos desde 2015. Além disso, mencionou a importância de uma atuação coordenada com os estados da Amazônia Legal, que possuem autonomia para emitir licenças ambientais e muitas vezes são coniventes com a ilegalidade.

**Análise**

A importância da declaração reside no contexto eleitoral. Em 2026, os brasileiros irão escolher um novo presidente, e a política ambiental será um dos temas centrais do debate. Países como Noruega e Alemanha já suspenderam doações ao Fundo Amazônia, o que afeta projetos de preservação. Além disso, o comércio internacional exige cada vez mais rastreabilidade dos produtos agrícolas, e o desmatamento ilegal pode levar a embargos e boicotes por parte de grandes compradores. A ex-ministra enfatizou que o próximo governo pode aproveitar a oportunidade para reverter a imagem negativa construída nos últimos anos, assumindo compromissos internacionais ambiciosos e recuperando a liderança diplomática do Brasil na área ambiental.

Por outro lado, a implementação de políticas eficazes de combate ao desmatamento enfrenta resistência de setores poderosos, como o agronegócio, que veem as regulamentações como barreiras ao desenvolvimento. A ex-ministra argumentou que essa visão é ultrapassada, pois a preservação da floresta pode ser uma aliada do agronegócio: a manutenção dos serviços ecossistêmicos garante a produtividade agrícola no longo prazo. Ela defendeu a integração entre produção e conservação, com a adoção de técnicas de manejo sustentável e a recuperação de áreas degradadas, o que poderia aumentar a oferta de terras agrícolas sem derrubar novas árvores.

Outro ponto levantado pela ex-ministra é a necessidade de tratar o desmatamento como um crime de alto impacto, com penas severas para os responsáveis. Ela propôs um pacote de medidas legislativas que incluiria o confisco de terras e maquinários usados em crimes ambientais, além de ampliar os mecanismos de cooperação entre os ministérios públicos para agilizar os processos judiciais. A ex-ministra afirmou que a impunidade é o principal combustível para a continuidade do desmatamento ilegal, pois muitos infratores são pegos mas saem sem punição devido à burocracia.

A declaração da ex-ministra se insere em um amplo debate sobre a governança ambiental brasileira, que ganhou dimensão global após o aumento das queimadas em 2019 e 2020. A comunidade internacional pressiona o Brasil a assumir metas mais ambiciosas de redução de emissões, e o desmatamento é responsável por cerca de metade das emissões nacionais. Portanto, combater a destruição da floresta é essencial para o cumprimento do Acordo de Paris.

A ex-ministra encerrou seu discurso pedindo que a sociedade se mobilize para cobrar dos candidatos à presidência planos concretos de preservação ambiental. Ela lembrou que a juventude brasileira, especialmente os atletas de esportes de aventura e de trilha, têm se tornado cada vez mais engajados em causas ambientais, e que isso pode ser um fator de pressão importante. Essa conexão com o mundo esportivo - onde já existem atletas que usam sua visibilidade para alertar sobre as mudanças climáticas - demonstra que o tema ultrapassa as fronteiras da política tradicional.

**Fontes**

As informações foram retiradas de uma palestra transmitida ao vivo pelo canal da Fundação Fórum de Sustentabilidade, no YouTube, onde a ex-ministra participou de um debate. Não foram utilizados dados numéricos específicos, pois as declarações são qualitativas. O evento não foi amplamente coberto pela imprensa, mas o conteúdo da fala foi disponibilizado na íntegra pelo canal da instituição.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.