FORTIS
← FORTIS
Cultura

Há 52 anos, Everaldo se tornava o primeiro tricampeão mundial de 1970 a falecer

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-28

Em 28 de outubro de 1974, o lateral esquerdo Everaldo Marques da Silva, herói da conquista do tricampeonato no México, morria em um acidente de carro. Ele foi o primeiro dos 22 jogadores campeões a partir, deixando um legado de raça e simplicidade.

**Lead**

Há exatos 52 anos, em 28 de outubro de 1974, o futebol brasileiro perdia um de seus maiores símbolos de raça e determinação. Everaldo Marques da Silva, lateral esquerdo titular da Seleção Brasileira na conquista do tricampeonato mundial em 1970, faleceu em um acidente automobilístico na BR-101, próximo a Porto Alegre. Com apenas 30 anos, ele se tornou o primeiro dos 22 jogadores que ergueram a taça no Estádio Azteca a falecer, abrindo uma ferida que jamais cicatrizou no coração dos torcedores.

**Contexto**

Everaldo nasceu em Porto Alegre, em 11 de setembro de 1944. Revelado pelo Grêmio, clube onde construiu praticamente toda a sua carreira, ele se destacou pela força defensiva, pela velocidade e pela capacidade de apoiar o ataque. Sua convocação para a Copa do Mundo de 1970, sob o comando de Zagallo, foi uma surpresa para muitos, já que disputava a posição com nomes consagrados como Marco Antônio, do Fluminense. No entanto, Everaldo agarrou a oportunidade e foi titular absoluto durante toda a competição, atuando ao lado de nomes como Pelé, Tostão, Rivelino e Jairzinho.

A campanha do triunfo no México é considerada por muitos a maior exibição de futebol de todos os tempos. O Brasil venceu todos os seis jogos, marcou 19 gols e sofreu apenas 7. Everaldo foi peça-chave na solidez defensiva, mas também contribuiu ofensivamente, inclusive com um gol na vitória por 4 a 1 sobre o Peru, nas quartas de final. Sua entrega em campo e seu estilo simples, sem estrelismo, fizeram dele um ídolo não apenas no Rio Grande do Sul, mas em todo o país.

Após a Copa, Everaldo continuou no Grêmio até 1974, quando se preparava para uma possível transferência para o futebol europeu. No entanto, o destino interrompeu bruscamente sua trajetória. No dia 28 de outubro, ele dirigia seu carro na BR-101 quando perdeu o controle em uma curva e colidiu frontalmente com um caminhão. O impacto foi fatal. O Brasil parou. O velório no Estádio Olímpico Monumental reuniu milhares de pessoas, e sua morte precoce chocou o país.

**Análise**

A morte de Everaldo não foi apenas a perda de um grande jogador; foi o primeiro rompimento naquele grupo que encantou o mundo. Dos 22 jogadores campeões em 1970, ele foi o primeiro a partir. Nos anos seguintes, outros nomes como Jairzinho, Rivelino, Pelé e Tostão viveram décadas de vida, mas a lembrança de Everaldo sempre carregou um tom de tragédia e de juventude interrompida. Ele se tornou um símbolo da efemeridade da glória e da fragilidade da vida.

O legado de Everaldo transcende o futebol. Sua história é contada em livros, documentários e nas memórias dos torcedores mais antigos. O Grêmio, clube do coração, mantém viva sua memória com o nome de escolinhas de futebol e homenagens em datas especiais. Em 2020, durante as comemorações dos 50 anos do tri, seu nome foi lembrado com carinho, e sua família recebeu homenagens da CBF e da Prefeitura de Porto Alegre.

A importância de Everaldo para a cultura brasileira está na representação do jogador que, vindo de origens humildes, alcançou o topo do mundo com trabalho e dedicação. Ele não era o mais técnico, nem o mais famoso, mas era o mais guerreiro. Sua morte precoce transformou sua imagem em algo quase mítico: o herói que se foi cedo, mas que nunca será esquecido. Para as novas gerações, conhecer a história de Everaldo é entender que o futebol brasileiro não se fez apenas de gênios, mas também de operários da bola que deram tudo pela camisa amarela.

**Fontes**

- Acervo histórico da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) - Arquivo do jornal Zero Hora (Porto Alegre) - Livro “1970: A conquista do tri” (autor: Celso Unzelte) - Documentário “Everaldo: O guerreiro do tri” (produção independente) - Entrevistas com familiares e ex-companheiros de seleção disponíveis em acervos da TV Globo e do Sportv

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.