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Cultura

Evangélicos impulsionam Flávio Bolsonaro; Lula lidera entre eleitores sem religião, apontam tendências

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-19

Pesquisas de intenção de voto revelam clivagem religiosa no eleitorado brasileiro: o segmento evangélico favorece Flávio Bolsonaro, enquanto Lula mantém vantagem entre os que não têm religião, fenômeno que reflete transformações culturais profundas.

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Pesquisas de opinião pública realizadas nos últimos meses indicam uma nítida divisão religiosa no eleitorado brasileiro. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparece com vantagem entre os evangélicos, enquanto o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lidera entre os eleitores que se declaram sem religião. O dado, embora não definitivo, sinaliza como a fé — ou sua ausência — continua a moldar as preferências políticas no país, em um fenômeno que vai além da disputa eleitoral e toca a própria cultura nacional.

**Contexto**

A relação entre religião e política no Brasil não é nova, mas ganhou contornos mais nítidos nas últimas décadas. O crescimento acelerado do segmento evangélico — que hoje representa cerca de um terço da população — transformou a pauta de costumes em um dos principais eixos de polarização. Paralelamente, o número de brasileiros sem religião também aumentou, especialmente entre os mais jovens e nas grandes cidades, criando um contraponto laico e progressista.

Nesse cenário, Flávio Bolsonaro construiu uma base sólida entre os evangélicos, herdeiro direto do capital político do pai, Jair Bolsonaro, que sempre fez da defesa de valores conservadores e da aliança com lideranças neopentecostais uma estratégia central. Já Lula, embora tenha origem católica e mantenha diálogo com setores religiosos, conquistou maior adesão entre os sem religião, grupo que tende a apoiar pautas como direitos LGBT+, legalização do aborto e separação mais rígida entre Estado e igrejas.

Pesquisas de institutos como Datafolha e Ipec, embora com margens de erro, mostram consistentemente essa tendência. Em simulações de segundo turno, a diferença entre os dois candidatos no segmento evangélico chega a ser expressiva a favor de Flávio, enquanto Lula lidera com folga entre os que não professam nenhuma fé. O fenômeno não se restringe a 2026: já era observado em eleições anteriores, mas se acentuou com a radicalização do debate público.

**Análise**

Essa clivagem religiosa tem implicações profundas para a cultura política brasileira. Em primeiro lugar, ela reforça a ideia de que o voto não é apenas uma escolha racional baseada em propostas de governo, mas também uma expressão de identidade. Para muitos evangélicos, votar em Flávio Bolsonaro significa defender a família tradicional e a liberdade religiosa — valores que veem ameaçados por uma suposta “agenda progressista” associada ao PT. Para os sem religião, apoiar Lula é uma forma de afirmar o secularismo e combater o que consideram uma influência excessiva das igrejas na política.

Em segundo lugar, a polarização religiosa alimenta a fragmentação do eleitorado e dificulta a formação de maiorias estáveis. Enquanto os evangélicos representam um bloco coeso e mobilizado, os sem religião são mais dispersos e menos engajados eleitoralmente, o que pode beneficiar candidatos conservadores mesmo em um cenário de crescimento da laicidade. Esse desequilíbrio é um dos fatores que explicam por que pautas como o aborto e a criminalização da homofobia avançam lentamente no Congresso, apesar da opinião majoritária da sociedade.

Além disso, o fenômeno revela uma transformação cultural mais ampla: a religião deixou de ser apenas uma esfera privada para se tornar um marcador público de posicionamento político. Igrejas evangélicas, especialmente as neopentecostais, atuam como verdadeiras máquinas de mobilização eleitoral, enquanto grupos laicos se organizam em redes seculares e movimentos de defesa dos direitos humanos. Essa disputa simbólica se reflete em temas como o ensino religioso nas escolas, a exibição de símbolos religiosos em prédios públicos e a regulamentação de cultos.

**Fontes**

As informações deste artigo baseiam-se em pesquisas de intenção de voto divulgadas por institutos como Datafolha, Ipec e Quaest, além de análises de cientistas políticos como a professora Maria do Socorro Braga (UFSCar) e o sociólogo Antonio Flávio Pierucci (in memoriam), cujos estudos sobre religião e política no Brasil são referência. Dados demográficos sobre o perfil religioso da população têm como fonte o Censo 2022 do IBGE e levantamentos do Datafolha. Nenhum número específico foi citado para evitar distorções, mas as tendências descritas são consistentes com a literatura acadêmica e a cobertura jornalística recente.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.