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O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira uma proibição abrangente do uso do aplicativo chinês DeepSeek em todos os dispositivos e sistemas de órgãos federais. A decisão, publicada pelo Escritório de Administração e Orçamento (OMB) em conjunto com o Departamento de Segurança Interna (DHS), determina que agências como NASA, Departamento de Defesa, Departamento de Estado e a Administração de Serviços Gerais removam imediatamente o software de seus equipamentos e redes. A justificativa oficial aponta riscos à segurança nacional associados à coleta de dados e ao potencial de interferência por parte do governo chinês.
**Contexto**
O DeepSeek, desenvolvido pela empresa chinesa DeepSeek AI, ganhou destaque global no início de 2025 por sua capacidade de competir com modelos de linguagem de grande escala como o GPT-4, mas a um custo de treinamento significativamente menor. O aplicativo rapidamente alcançou milhões de usuários em todo o mundo, incluindo funcionários públicos que o utilizavam para tarefas administrativas, análise de dados e até mesmo auxílio em pesquisas. No entanto, desde seu lançamento, agências de inteligência dos EUA, como o FBI e a NSA, alertaram que a arquitetura do modelo e a política de privacidade do DeepSeek — que armazena dados em servidores na China — representavam uma vulnerabilidade grave.
Em fevereiro de 2025, o Pentágono já havia proibido o uso do aplicativo em dispositivos militares, mas a nova ordem amplia a proibição para todo o governo federal, incluindo agências civis. A medida também se estende a contratados terceirizados que prestam serviços para o governo. Segundo relatos da imprensa internacional, a decisão veio após uma investigação conjunta do DHS e do Conselho de Segurança Nacional que concluiu que o DeepSeek poderia ser usado para extrair informações confidenciais, como dados biométricos, localizações de funcionários e conteúdos armazenados em nuvens governamentais.
O movimento norte-americano ocorre em um momento de escalada das tensões tecnológicas entre Washington e Pequim. Nos últimos meses, os EUA também impuseram novas restrições à exportação de chips avançados de inteligência artificial para a China, enquanto Pequim acusa o governo Biden de práticas protecionistas. A proibição do DeepSeek soma-se a uma lista crescente de aplicativos chineses banidos em dispositivos oficiais, que já inclui TikTok, WeChat e a plataforma de mensagens empresariais DingTalk.
**Análise**
A decisão de proibir o DeepSeek em toda a administração federal tem implicações estratégicas e simbólicas. Em primeiro lugar, ela sinaliza que o governo americano não confia na integridade de software desenvolvido sob controle de um país com o qual mantém uma rivalidade geopolítica crescente. Mesmo que a DeepSeek AI tenha negado repetidamente qualquer ligação com o Partido Comunista Chinês, a falta de transparência em seus algoritmos e a obrigatoriedade de envio de dados para servidores na China tornam o aplicativo um alvo fácil para medidas de segurança.
Além disso, a proibição reforça a tendência de fragmentação digital global. Enquanto os EUA bloqueiam o DeepSeek, a China barrou o uso do ChatGPT em seu território e está desenvolvendo seu próprio ecossistema de IA supervisionado pelo Estado. Essa separação em bolhas tecnológicas pode prejudicar a cooperação internacional em pesquisa, mas também incentiva cada país a desenvolver soluções próprias de inteligência artificial, aumentando os custos de inovação.
Para o Brasil, a medida americana serve de alerta. Embora não haja, até o momento, uma proibição oficial por parte do governo brasileiro contra o DeepSeek, órgãos como a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) já monitoram o aplicativo. Especialistas consultados pela imprensa observam que a exposição de dados governamentais brasileiros a servidores estrangeiros pode ser igualmente arriscada, especialmente considerando as recentes operações de espionagem cibernética reveladas na América Latina. A decisão dos EUA pode acelerar a adoção de regras semelhantes no Brasil, ou ao menos estimular a criação de uma política nacional de segurança para ferramentas de IA.
**Fontes**
As informações desta reportagem foram baseadas em comunicados oficiais do Escritório de Administração e Orçamento da Casa Branca, em reportagens da Reuters, Associated Press e do The New York Times, além de análises de especialistas em segurança cibernética publicadas pelo Center for Strategic and International Studies (CSIS). Não foram utilizados dados numéricos ou citações diretas que não pudessem ser verificados de forma independente.
Por Renan Filho · 2026-10-20