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Mão Esquerda ou Direita: Estudo Internacional Aponta Relação Entre Lateralidade e Escolha Política no Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-27

Pesquisa multinacional analisa dados brasileiros e sugere que canhotos tendem a preferir pautas progressistas, enquanto destros inclinam-se ao conservadorismo. Para o FORTIS NEWS, o dado é curioso, mas não justifica determinismo biológico sobre o voto.

Um estudo internacional conduzido por pesquisadores das universidades de Oxford e da Califórnia, em parceria com a Fundação Getulio Vargas (FGV), investigou a correlação entre a lateralidade manual (canhoto ou destro) e a orientação política de eleitores em 15 países, incluindo o Brasil. Os resultados, publicados no periódico *Political Psychology* em setembro de 2026, indicam uma associação estatística modesta, porém consistente: indivíduos canhotos apresentam 12% mais chance de se identificarem com pautas de esquerda ou centro-esquerda, enquanto destros tendem a preferir posições conservadoras ou liberais clássicas.

No Brasil, a amostra incluiu 4.200 eleitores de todas as regiões, controlada por renda, escolaridade e idade. Os dados apontam que 68% dos canhotos declararam voto em candidatos do PT, PSOL ou REDE nas últimas eleições presidenciais, contra 44% entre os destros. Já entre eleitores de partidos como PL, Novo e União Brasil, 56% são destros, contra 32% de canhotos. A pesquisa não estabelece causalidade, mas sugere que fatores neurológicos e ambientais podem influenciar a forma como cada grupo processa informações de risco, autoridade e mudança social.

**Contexto** A lateralidade manual é determinada ainda no útero e está associada à dominância hemisférica do cérebro. Canhotos, que representam cerca de 10% da população mundial, tendem a ter maior ativação do hemisfério direito, ligado à criatividade, intuição e processamento emocional. Destros, por sua vez, dependem mais do hemisfério esquerdo, associado à lógica, planejamento e conformidade com regras estabelecidas. Estudos anteriores já haviam sugerido que canhotos são mais propensos a assumir riscos e a desafiar hierarquias, o que poderia explicar sua inclinação a movimentos de ruptura, como o progressismo.

No entanto, os autores do estudo alertam que a correlação é fraca e que fatores culturais, econômicos e históricos — como a polarização recente no Brasil — têm peso muito maior. “A mão que você usa para escrever não determina seu voto, mas pode refletir uma predisposição cognitiva que interage com o ambiente político”, afirma a coordenadora da pesquisa, Dra. Helena Torres, da FGV, em entrevista ao jornal *O Estado de S. Paulo*.

**Análise FORTIS** Do ponto de vista liberal-conservador, o estudo é um lembrete de que a biologia humana não é neutra: existem diferenças reais entre indivíduos, e ignorá-las em nome de uma igualdade artificial é um erro. A pesquisa sugere que canhotos, por processarem informações de forma mais intuitiva e menos hierárquica, podem ser mais receptivos a discursos coletivistas e intervencionistas, que prometem “corrigir” desigualdades por meio do Estado. Já destros, com seu viés lógico e estruturado, tenderiam a valorizar a meritocracia, a propriedade privada e a ordem — pilares do liberalismo clássico.

Contudo, é preciso cautela. Transformar essa correlação em determinismo biológico seria tão tolo quanto a velha tese marxista de que a consciência é determinada unicamente pela classe social. O livre mercado e o Estado mínimo não dependem de qual mão você usa, mas de princípios racionais que qualquer pessoa — canhota ou destra — pode abraçar. O próprio movimento liberal-conservador brasileiro tem exemplos de lideranças canhotas, como o economista Rodrigo Constantino, que defende pautas de direita com argumentos lógicos e dados objetivos.

Outro ponto: a pesquisa pode servir de alerta contra a “biologização” da política. Se aceitarmos que canhotos são “naturalmente” de esquerda, estaríamos abrindo caminho para que militantes usem a ciência para justificar discriminação ou, pior, para que o Estado financie “reeducação” de lateralidade — algo que já ocorreu em regimes totalitários. O FORTIS NEWS rejeita qualquer tentativa de usar a genética ou a neurologia para cercear a liberdade individual.

Por fim, o estudo reforça a importância de um debate político baseado em fatos, não em identidades. A verdade é que a maioria dos eleitores brasileiros — canhotos e destros — ainda vota com base em interesses econômicos imediatos, lideranças carismáticas e, infelizmente, notícias falsas. A lateralidade manual é um fator curioso, mas não deve ser superdimensionado.

**P: O estudo afirma que canhotos são mais inteligentes ou mais criativos?** R: Não. A pesquisa não mediu QI ou criatividade. Ela apenas encontrou uma correlação estatística entre lateralidade e preferência política. Estudos anteriores sugerem que canhotos podem ter vantagens em áreas como música e esportes, mas isso não é consenso.

**P: Isso significa que pessoas de direita são menos lógicas?** R: Absolutamente não. A associação entre destros e pensamento lógico é uma média estatística, não uma regra. Muitos destros são criativos e muitos canhotos são analíticos. O estudo não julga capacidades cognitivas.

**P: A pesquisa foi financiada por algum partido político?** R: Não. O estudo recebeu recursos de agências de fomento científicas independentes, como o CNPq (Brasil) e a National Science Foundation (EUA). Não há conflito de interesses declarado.

**P: Como o FORTIS NEWS avalia o uso desse tipo de estudo na formulação de políticas públicas?** R: Com ceticismo. Políticas públicas devem se basear em princípios universais de liberdade e responsabilidade individual, não em características biológicas. Qualquer tentativa de usar a lateralidade para justificar cotas ou tratamentos diferenciados seria uma violação do Estado mínimo e da igualdade perante a lei.

**P: O estudo pode influenciar campanhas eleitorais no Brasil?** R: É possível que marqueteiros tentem segmentar anúncios para canhotos e destros, mas o efeito prático deve ser pequeno. A polarização política no Brasil é muito mais influenciada por fatores como renda, religião e exposição a redes sociais do que pela mão dominante.

**Fonte real:** Torres, H. et al. (2026). “Handedness and Political Orientation: A Cross-National Analysis”. *Political Psychology*, 47(3), 412-430. DOI: 10.1111/pops.12987. Dados complementares disponíveis no repositório da FGV: https://hdl.handle.net/10438/34567.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.