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Opiniao

Estudo aponta que falta de maioria no Congresso foi determinante para fracasso de tentativa de golpe de Bolsonaro

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-30

Pesquisa acadêmica indica que o ex-presidente não buscou construir base parlamentar sólida, o que inviabilizou a ruptura institucional e isolou o movimento golpista.

**Lead**

Um estudo recente sobre os eventos que culminaram na tentativa de golpe de Estado no Brasil, em janeiro de 2023, concluiu que a falta de uma maioria consolidada no Congresso Nacional foi um dos fatores centrais para o fracasso do movimento liderado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo pesquisadores que analisaram a correlação de forças no Legislativo durante o período pós-eleição de 2022, Bolsonaro nunca conseguiu articular uma base parlamentar ampla o suficiente para sustentar uma ruptura institucional, o que deixou o caminho aberto para a reação das instituições democráticas.

**Contexto**

A tentativa de golpe, que teve seu ápice nos atos de vandalismo contra as sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, foi precedida por meses de questionamentos sobre a lisura do processo eleitoral e pressões sobre as Forças Armadas. No entanto, diferentemente de outros episódios históricos de ruptura democrática na América Latina, o movimento bolsonarista não contou com o apoio decisivo do Legislativo. Desde o início do mandato, Bolsonaro manteve uma relação conflituosa com o Congresso, especialmente com a Câmara dos Deputados, onde o presidente da Casa, Arthur Lira, e o então presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, frequentemente atuaram como freios institucionais.

O estudo, conduzido por cientistas políticos de universidades brasileiras, analisou as votações de pautas estratégicas entre 2019 e 2022 e constatou que o governo Bolsonaro dependia de coalizões improvisadas e de medidas provisórias para aprovar projetos, sem jamais consolidar uma base estável. A chamada "janela de oportunidade" para um golpe, que exigiria o apoio de ao menos parte do Congresso para legalizar ou legitimar a ruptura, nunca se materializou. Pelo contrário: após a derrota eleitoral de outubro de 2022, a maioria dos parlamentares, inclusive de partidos que haviam apoiado o governo, rapidamente se alinhou à defesa da ordem constitucional.

**Análise**

A ausência de uma maioria congressual favorável ao golpe não foi acidental. Ela reflete a estratégia política adotada por Bolsonaro, que priorizou o confronto direto com as instituições e a mobilização de suas bases nas redes sociais em detrimento da negociação parlamentar tradicional. Diferentemente de líderes autoritários que primeiro cooptam o Legislativo por meio de alianças e concessões, o ex-presidente brasileiro optou por uma retórica antissistema que afastou potenciais aliados moderados. Quando a crise chegou, o Congresso funcionou como um dique de contenção, aprovando medidas como o estado de defesa no Distrito Federal e apoiando a investigação da Polícia Federal.

Outro ponto destacado pelos analistas é que a fragmentação partidária brasileira, embora muitas vezes vista como um obstáculo à governabilidade, neste caso atuou como uma salvaguarda. Nenhum partido político relevante, com exceção de legendas de pequeno porte, endossou abertamente a ruptura. O Centrão, bloco que tradicionalmente negocia com o governo de turno, manteve-se distante do movimento golpista, calculando que a manutenção do regime democrático era mais vantajosa para seus interesses eleitorais e econômicos. Essa dinâmica contrasta com o que ocorreu em outros países, onde líderes autoritários conseguiram subverter o Legislativo antes de consumar o golpe.

**Fontes**

As informações deste artigo são baseadas em estudo acadêmico divulgado por pesquisadores de ciência política, cujos dados foram coletados a partir de registros oficiais de votações no Congresso Nacional e entrevistas com parlamentares e assessores. Também foram consultadas reportagens de veículos de imprensa que cobriram os eventos de 8 de janeiro e a atuação do Legislativo no período. O estudo não foi encomendado por nenhum órgão governamental e reflete a análise independente dos autores.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.