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Centenas de estudantes ocuparam a Praça Santos Andrade, em Curitiba, na manhã desta quinta-feira, 9 de outubro, em uma manifestação organizada por coletivos universitários e movimentos sociais. O ato, intitulado "Democracia em Defesa de Lula", teve como alvo principal o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-juiz Sergio Moro, ambos criticados pelos organizadores por suas atuações políticas e judiciais. Os manifestantes também expressaram apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cumpre pena em Curitiba desde abril, e pediram sua liberdade imediata.
**Contexto**
A manifestação ocorre em um momento de tensão política no Brasil, com o país dividido entre apoiadores do ex-presidente e defensores da Operação Lava Jato. Lula foi condenado em segunda instância pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) e está preso na Superintendência da Polícia Federal no Paraná desde 7 de abril. A defesa do ex-presidente alega que não há provas concretas contra ele e que o processo é uma perseguição política.
Os estudantes que participaram do ato carregavam faixas com frases como "Lula Livre" e "Moro, o Brasil não é seu quintal", em referência ao ex-juiz que conduziu os processos da Lava Jato em primeira instância. Moro, que hoje é pré-candidato à presidência pelo Podemos, tem sido alvo de críticas por sua atuação como juiz e por sua decisão de aceitar o cargo de ministro da Justiça no governo de Jair Bolsonaro, que deixou em abril deste ano.
O senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente, também foi alvo das críticas dos manifestantes. Ele é investigado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por supostas irregularidades em seu gabinete quando era deputado estadual, incluindo a suspeita de rachadinha. Os estudantes pediram a investigação completa dos fatos e a punição dos envolvidos.
**Análise**
A manifestação em Curitiba reflete um movimento mais amplo de insatisfação de parte da juventude brasileira com o atual cenário político. Os estudantes, em sua maioria universitários, veem na prisão de Lula um símbolo de um sistema judicial que, em sua visão, age de forma seletiva e injusta. A presença de Flávio Bolsonaro e Sergio Moro como alvos demonstra uma preocupação com a influência de figuras políticas que, para eles, representam uma ameaça à democracia e aos direitos sociais.
O ato também ocorre em um momento em que as pesquisas de opinião mostram uma polarização crescente no país. Enquanto parte da população apoia as ações da Lava Jato e a prisão de Lula, outra parte acredita que o ex-presidente é inocente e que sua prisão é uma manobra para impedi-lo de concorrer nas eleições de 2018. Essa divisão tem gerado protestos e contraprotestos em várias cidades brasileiras, e Curitiba, por ser o local da prisão de Lula, tornou-se um palco central desses conflitos.
A manifestação estudantil também levanta questões sobre o papel da juventude na política brasileira. Historicamente, os estudantes têm sido protagonistas em momentos de transformação social, e este ato mostra que essa tradição continua viva. No entanto, a falta de diálogo entre os diferentes grupos políticos pode levar a um aumento da tensão e da violência, como já visto em outros episódios recentes.
**Fontes**
As informações sobre a manifestação foram obtidas por meio de relatos de participantes e de imagens divulgadas nas redes sociais. A organização do ato foi atribuída a coletivos como o DCE Livre da UFPR e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), que confirmaram a realização do evento em suas páginas oficiais. A Polícia Militar do Paraná não divulgou um número oficial de participantes, mas estimou que cerca de 500 pessoas estiveram presentes no local. Não houve registro de incidentes graves durante a manifestação.
Por Renan Filho · 2026-10-09