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Cerca de 300 estudantes de cursos superiores na área de tecnologia — ciência da computação, engenharia de software e sistemas de informação — realizaram na tarde desta quarta-feira (7) uma manifestação em Curitiba. O ato, concentrado na Praça Santos Andrade, em frente ao prédio histórico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), teve como pauta principal o apoio ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e críticas diretas ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e ao senador Sergio Moro (União-PR). Os manifestantes carregavam cartazes com frases como 'Lula Livre' e 'Moro, o lawfare não passará', além de bandeiras do movimento estudantil.
**Contexto**
O protesto ocorre em um momento de intenso debate sobre o papel do Judiciário e do Legislativo na política brasileira. Os estudantes, em sua maioria ligados a centros acadêmicos de universidades públicas e privadas da capital paranaense, afirmam que a atuação de Sergio Moro — ex-juiz da Lava Jato e hoje senador — representa um 'uso seletivo da lei para perseguir adversários políticos'. Já Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, é alvo de críticas por sua atuação no Congresso e por investigações sobre supostas irregularidades em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.
A escolha de Curitiba como palco do ato não é aleatória. A cidade foi o epicentro da Operação Lava Jato, que levou Lula à prisão em 2018. Desde então, a capital paranaense se tornou um símbolo tanto para apoiadores quanto para críticos da operação. Os estudantes de tecnologia, grupo demográfico que historicamente tem se posicionado de forma mais liberal em questões econômicas, mas progressista em pautas de direitos civis, têm demonstrado crescente engajamento político nos últimos anos.
**Análise**
A manifestação de Curitiba reflete uma tendência observada em campi de tecnologia pelo país: a politização de uma área que, até pouco tempo, era vista como 'neutra' ou voltada exclusivamente para o mercado. A pauta contra o que os manifestantes chamam de 'lawfare' — uso do sistema judiciário para fins políticos — ganhou força entre jovens da área de exatas, especialmente após a revelação de mensagens entre procuradores da Lava Jato e o então juiz Moro, publicadas pelo site The Intercept Brasil em 2019.
Para analistas políticos, o movimento sinaliza uma mudança geracional. 'Estudantes de tecnologia são nativos digitais e têm acesso a informações que antes eram filtradas pela grande mídia. Eles enxergam a atuação de Moro e Flávio Bolsonaro como ameaças à democracia e à imparcialidade do sistema de Justiça', avalia um cientista político da UFPR que acompanhou o ato. O apoio a Lula, por sua vez, não se restringe a uma defesa incondicional do ex-presidente, mas sim a uma rejeição ao que consideram 'perseguição judicial seletiva'.
O impacto desse tipo de manifestação para o setor de tecnologia é ambíguo. Por um lado, a politização pode afastar investidores que preferem um ambiente de negócios estável e previsível. Por outro, o engajamento cívico dos jovens pode fortalecer a democracia e, a longo prazo, criar um ecossistema de inovação mais consciente e responsável. Empresas de tecnologia, especialmente startups, têm evitado se posicionar politicamente, mas a pressão de funcionários e estudantes por transparência e ética tem crescido.
**Fontes**
- Relato de participantes e organizadores do ato, coletado no local pela reportagem. - Perfil oficial do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFPR, que convocou a manifestação. - Reportagens do portal G1 e da Agência Brasil sobre manifestações estudantis em Curitiba. - Artigos acadêmicos sobre lawfare e judicialização da política publicados em periódicos como a Revista de Direito GV e a Lua Nova (Cedec).
Por Renan Filho · 2026-10-08