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Política

Estudantes interrompem debate após candidata do PCO defender mulheres trans em prisões masculinas

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-02

Durante evento universitário, plateia reage com protestos à fala de candidata que defendeu a manutenção de mulheres trans em presídios masculinos; segurança precisou intervir.

**Lead**

Na noite desta quinta-feira (2 de outubro de 2026), um debate sobre direitos LGBTQIA+ e sistema prisional realizado no auditório central da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) foi abruptamente interrompido por estudantes após a fala de uma candidata do Partido da Causa Operária (PCO) que defendeu a alocação de mulheres trans em presídios masculinos. O incidente gerou gritos, vaias e empurrões, exigindo a intervenção de seguranças universitários para conter os ânimos. A candidata, que disputa uma vaga na Câmara dos Deputados pelo estado de Minas Gerais, foi escoltada para fora do local enquanto parte da plateia gritava palavras de ordem contra o que classificaram como “discurso transfóbico”.

**Contexto**

O debate, intitulado “Direitos Humanos e Sistema Prisional: onde estão as pessoas trans?”, foi organizado pelo Centro Acadêmico de Direito da UFMG e contava com a participação de representantes de diferentes espectros políticos. A candidata do PCO era a única convidada a defender posições contrárias à resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de 2020, que determina que pessoas trans devem ser alocadas em unidades prisionais de acordo com sua identidade de gênero autodeclarada. Durante sua fala, a candidata argumentou que a medida “coloca em risco a segurança das mulheres cisgênero” e que “a biologia deve prevalecer sobre a autodeclaração” no sistema carcerário. A plateia, composta majoritariamente por estudantes de ciências sociais e direito, reagiu com vaias e protestos imediatos. Um grupo de cerca de trinta estudantes subiu ao palco e exigiu o direito de resposta, forçando a coordenação do evento a encerrar a sessão antes do previsto.

O PCO, partido de orientação trotskista, tem histórico de posições polêmicas em pautas identitárias. Em eleições anteriores, o partido já havia criticado o que chama de “identitarismo burguês” e defendido a prioridade da luta de classes sobre questões de gênero e raça. A candidata em questão, cujo nome não foi divulgado pela assessoria do partido até o fechamento desta edição, é conhecida por sua atuação em movimentos sindicais e já havia manifestado opiniões semelhantes em redes sociais. A UFMG, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que o debate foi realizado dentro da normalidade até o momento da interrupção e que “a universidade repudia qualquer forma de violência e discriminação, mas também defende o direito ao contraditório”.

**Análise**

O episódio expõe a crescente polarização em torno das políticas de gênero no Brasil, especialmente no ambiente universitário. A defesa da manutenção de mulheres trans em prisões masculinas, ainda que minoritária entre os partidos de esquerda, encontra eco em setores que questionam a autodeclaração como critério único para alocação prisional. Especialistas em direito penal ouvidos pela reportagem apontam que a questão envolve múltiplas variáveis: segurança das detentas, risco de violência sexual, infraestrutura carcerária e dignidade da pessoa trans. A resolução do CNJ, embora vigente, enfrenta resistência em algumas unidades federativas e é alvo de ações judiciais. O incidente na UFMG pode reacender o debate sobre os limites da liberdade de expressão em eventos acadêmicos e sobre a responsabilidade das universidades em garantir um ambiente seguro para todos os participantes.

Do ponto de vista político, a candidata do PCO pode ter seu desempenho eleitoral impactado pela repercussão negativa entre eleitores jovens e progressistas, base tradicional do partido. Por outro lado, a postura de enfrentamento pode atrair eleitores conservadores descontentes com as pautas identitárias. O PCO, que historicamente obtém votação modesta, busca ampliar seu alcance com discursos que rompem com o consenso progressista. A interrupção do debate também levanta questões sobre o papel dos estudantes como agentes de censura ou de resistência. Enquanto alguns veem a ação como legítima defesa contra o que consideram discurso de ódio, outros alertam para o risco de silenciamento de posições divergentes em espaços acadêmicos.

**Fontes**

As informações foram obtidas por meio de relatos de participantes do evento, notas oficiais da Universidade Federal de Minas Gerais, comunicado do Centro Acadêmico de Direito da UFMG e declarações da assessoria de imprensa do Partido da Causa Operária. Dados sobre a resolução do CNJ foram consultados no site oficial do Conselho Nacional de Justiça. Nenhuma fonte direta foi nomeada para preservar a segurança dos envolvidos, conforme política editorial.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.