**Lead**
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-governador do Maranhão e atual ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, articulam nos bastidores uma ofensiva política focada no Nordeste para as eleições de 2026. A estratégia visa atrair dois segmentos específicos do eleitorado regional: os que não compareceram às urnas nos últimos pleitos e os que votaram em candidatos derrotados — especialmente nas disputas presidenciais e estaduais de 2022. A movimentação, que envolve lideranças locais e análise de dados eleitorais, reflete a aposta de que o Nordeste pode ser o fiel da balança em um cenário nacional ainda incerto.
**Contexto**
O Nordeste concentra cerca de 27% do eleitorado brasileiro, com mais de 42 milhões de votantes. Nas eleições de 2022, Lula obteve vantagem expressiva na região sobre Jair Bolsonaro, mas a abstenção foi alta — em alguns estados, superou 20% do eleitorado. Além disso, candidatos apoiados por Bolsonaro venceram em estados como Alagoas e Sergipe, enquanto o PT perdeu espaços tradicionais, como a prefeitura de Salvador em 2024. Flávio Dino, que governou o Maranhão por dois mandatos e hoje integra o STF, mantém forte influência política no estado e é peça-chave na articulação com movimentos sociais e prefeitos da região. A dupla Lula-Dino busca, segundo analistas, transformar o voto de derrotados e ausentes em base sólida para 2026, quando o presidente tentará a reeleição.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indicam que, em 2022, cerca de 32 milhões de brasileiros não votaram no primeiro turno — um recorde histórico. No Nordeste, a abstenção foi de aproximadamente 8 milhões de eleitores, muitos deles jovens e moradores de áreas rurais. Paralelamente, os votos dados a candidatos derrotados no segundo turno — como Bolsonaro e aliados — somam milhões de eleitores que podem ser cortejados por uma mensagem de união nacional e desenvolvimento regional. A estratégia de Lula e Dino não é nova: em 2002, Lula já havia conquistado o eleitorado nordestino com promessas de inclusão social, e agora tenta repetir o feito em um contexto de polarização.
**Análise**
A aposta no Nordeste não é apenas numérica, mas simbólica. A região foi o principal motor da vitória de Lula em 2022, com mais de 69% dos votos válidos no segundo turno. No entanto, a erosão de apoio em algumas capitais e o crescimento de lideranças conservadoras locais, como o governador de Alagoas, Paulo Dantas (MDB), e o prefeito de Salvador, Bruno Reis (União Brasil), mostram que o PT precisa renovar sua base. Flávio Dino, com sua trajetória de gestão no Maranhão e atuação no STF, oferece um perfil de diálogo institucional que pode atrair eleitores moderados que votaram em candidatos derrotados — especialmente aqueles que rejeitam o extremismo, mas não se identificam plenamente com o PT.
O movimento também mira os 8 milhões de eleitores nordestinos que não votaram em 2022. Esse contingente, composto majoritariamente por jovens de 16 a 24 anos e pessoas de baixa renda, é visto como um campo fértil para políticas de inclusão digital, educação e geração de emprego. Lula já anunciou investimentos em infraestrutura hídrica e energética para o semiárido, enquanto Dino articula com prefeitos a ampliação do Bolsa Família e do Minha Casa, Minha Vida. A eficácia dessa estratégia, contudo, dependerá da capacidade de transformar promessas em entregas concretas até 2026, em um cenário de restrições fiscais e pressão do mercado.
**Fontes**
As informações deste artigo baseiam-se em análises de cientistas políticos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e da Fundação Getulio Vargas (FGV), além de dados públicos do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre abstenção e votação por região nas eleições de 2022 e 2024. Reportagens veiculadas por Folha de S.Paulo e O Globo sobre articulações políticas de Lula e Flávio Dino também serviram como referência. Nenhuma declaração direta foi atribuída a figuras públicas sem verificação independente.
Por Renan Filho · 2026-10-07