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Cultura

Estratégia cultural de Lula no segundo turno: música, arte e mobilização popular

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-22

A campanha do ex-presidente aposta em manifestações culturais para conquistar eleitores indecisos e reativar a base eleitoral, em um cenário de polarização.

**Lead**

A campanha do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para o segundo turno das eleições presidenciais brasileiras ganhou um forte componente cultural. Em vez de apenas discursos e comícios tradicionais, a estratégia agora inclui shows, saraus, eventos em centros culturais e a participação ativa de artistas de diferentes áreas. O objetivo é alcançar eleitores que ainda não decidiram o voto e reavivar a paixão entre os apoiadores históricos, usando a cultura como ponte para o diálogo político.

**Contexto**

O Brasil vive uma das eleições mais polarizadas de sua história. No primeiro turno, Lula obteve cerca de 48% dos votos válidos, mas precisa ampliar essa base para vencer no segundo turno. A campanha identificou que setores da classe média e jovens eleitores, especialmente em grandes centros urbanos, podem ser conquistados por meio de ações culturais. Artistas como Caetano Veloso, Chico Buarque, Gilberto Gil e Maria Bethânia já manifestaram apoio público ao ex-presidente, e suas apresentações têm sido incorporadas à agenda de campanha.

Além disso, movimentos culturais periféricos, como o slam (poesia falada), o grafite e o funk consciente, ganharam espaço na estratégia. Em comunidades do Rio de Janeiro e de São Paulo, eventos organizados por coletivos culturais têm levado a mensagem de Lula a públicos que tradicionalmente se sentem excluídos da política formal. A ideia é associar a imagem do candidato à diversidade cultural brasileira, contrastando com o discurso mais conservador do adversário.

**Análise**

A aposta na cultura não é apenas simbólica. Ela reflete uma leitura de que o eleitor brasileiro, especialmente o mais jovem, se conecta com causas culturais e identitárias. Ao colocar a arte no centro da campanha, Lula busca humanizar sua imagem e criar um clima de festa e esperança, algo que contrasta com o tom belicoso muitas vezes adotado pelo adversário. Essa abordagem também serve para mobilizar a militância: eventos culturais geram engajamento nas redes sociais, produzem memes, vídeos virais e fortalecem o sentimento de pertencimento entre os apoiadores.

Outro aspecto relevante é a territorialização da cultura. A campanha tem levado shows e intervenções a bairros periféricos e cidades médias, lugares onde a presença física de um grande artista pode ter mais impacto do que um comício tradicional. Isso também ajuda a contrabalançar a vantagem do adversário em certas regiões, especialmente no Sul e Sudeste. Ao mesmo tempo, a cultura popular brasileira — do frevo ao forró, do samba ao maracatu — tem sido usada para reforçar a brasilidade e a identidade nacional, temas caros à narrativa lulista.

**Fontes**

As informações sobre a estratégia cultural da campanha de Lula foram reunidas a partir de reportagens de veículos como Agência Brasil, G1, UOL e Folha de S.Paulo, além de notas oficiais divulgadas pela coordenação de campanha. A participação de artistas mencionados é de conhecimento público e amplamente documentada pela imprensa nacional.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.