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Em uma declaração que repercutiu nos círculos políticos e econômicos, a esposa do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou, durante um evento em Miami, nos Estados Unidos, que não irá ‘desistir do Brasil’. A fala ocorre em um momento de intensa especulação sobre a permanência de familiares de ex-integrantes do governo Bolsonaro no exterior, gerando debates sobre fuga de capitais, planejamento patrimonial e o impacto de decisões pessoais de figuras públicas na percepção de risco do país.
**Contexto**
A declaração foi feita em um encontro fechado com empresários brasileiros radicados na Flórida, na última segunda-feira. Segundo relatos de participantes, a esposa do senador teria dito que ‘o Brasil é a nossa casa’ e que ‘não vamos desistir do nosso país’, em resposta a perguntas sobre os planos da família. A fala ganhou destaque porque ocorre em um cenário de crescente número de brasileiros de alta renda buscando residência fiscal nos Estados Unidos, especialmente na Flórida e em Portugal, motivados por questões de segurança jurídica, carga tributária e instabilidade política.
Flávio Bolsonaro, filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, é senador da República e figura central na oposição ao governo Lula. Sua esposa, que mantém perfil discreto, raramente concede declarações públicas. A aparição em Miami, no entanto, não é isolada: a família Bolsonaro possui imóveis nos Estados Unidos e já foi alvo de investigações sobre movimentações financeiras no exterior. Em 2023, o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) reportou transações suspeitas envolvendo familiares do ex-presidente, incluindo depósitos em contas nos EUA.
A declaração também ocorre em um contexto econômico delicado. O Brasil enfrenta uma fuga de cérebros e de capitais, com estimativas de que mais de 100 mil brasileiros de alta renda tenham deixado o país nos últimos cinco anos. A saída de figuras públicas e seus familiares, mesmo que temporária, alimenta a narrativa de que o ambiente de negócios brasileiro é hostil, o que pressiona o câmbio e desestimula investimentos estrangeiros.
**Análise**
A fala da esposa de Flávio Bolsonaro tem implicações que vão além do aspecto pessoal. No campo econômico, a declaração pode ser interpretada como um sinal de que a família pretende manter vínculos com o Brasil, o que reduziria a percepção de que o clã Bolsonaro está ‘desistindo’ do país. Isso é relevante porque a imagem de líderes políticos e suas famílias influencia diretamente a confiança do mercado. Quando figuras públicas optam por residir no exterior, o mercado tende a interpretar como um voto de desconfiança na economia local, o que pode levar à desvalorização cambial e ao aumento do risco-país.
Por outro lado, a declaração não elimina as dúvidas sobre a real intenção da família. O fato de a esposa do senador estar nos EUA em um momento de forte tensão política no Brasil — com investigações em andamento contra o ex-presidente e seus aliados — levanta questões sobre planejamento sucessório e proteção patrimonial. Especialistas em direito tributário apontam que a mudança de residência fiscal para os Estados Unidos pode representar uma economia significativa de impostos, especialmente para aqueles com rendimentos elevados. No Brasil, a alíquota máxima do Imposto de Renda Pessoa Física é de 27,5%, enquanto nos EUA, dependendo do estado, pode ser inferior, além de não haver imposto sobre herança em alguns estados como a Flórida.
A declaração também pode ter um impacto político. Para a base de apoiadores de Bolsonaro, a fala reforça a ideia de que a família está comprometida com o Brasil, mesmo diante de perseguições políticas. Já para os críticos, a presença da família nos EUA é vista como uma contradição: se o Brasil é tão bom, por que passar temporadas tão longas no exterior? O debate, portanto, transcende o âmbito pessoal e se insere na discussão mais ampla sobre a fuga de capitais e a falta de confiança no ambiente de negócios brasileiro.
**Fontes**
A informação foi baseada em relatos de participantes do evento em Miami, publicados pelo portal Metrópoles e confirmados por fontes da coluna de Lauro Jardim, do jornal O Globo. Dados sobre movimentações financeiras e fuga de capitais foram obtidos a partir de relatórios do Banco Central do Brasil e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). As análises sobre tributação comparada foram baseadas em estudos do Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT) e da Receita Federal dos Estados Unidos (IRS).
Por Renan Filho · 2026-11-05