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Opiniao

Escola periférica de Curitiba supera média nacional; sinal de que meritocracia e gestão independente funcionam

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-21

Uma escola municipal em bairro de alta vulnerabilidade social de Curitiba atingiu nota 6,8 no IDEB – bem acima da média brasileira de 5,0. Para analistas liberais, o caso comprova que autonomia escolar e liberdade de gestão são mais eficazes que políticas igualitárias.

Dados do último ciclo do SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica), divulgados pelo INEP em setembro, revelam que uma escola municipal localizada na periferia de Curitiba obteve desempenho superior à média nacional em todas as áreas avaliadas – língua portuguesa, matemática e ciências. O resultado coloca a unidade entre as melhores do Paraná e acima de colégios privados de bairros nobres.

A escola, situada no bairro Tatuquara – região com renda per capita de R$ 850 por mês, segundo o IBGE – alcançou índice de 6,8 no IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) nos anos finais do fundamental. A média do município de Curitiba é 5,9, e a do Brasil, 5,0. O feito foi destacado pela Secretaria Municipal da Educação em nota oficial, que atribuiu o sucesso à “gestão escolar integrada e à parceria com a comunidade”.

A notícia chega em um momento em que o debate sobre a qualidade do ensino público no Brasil se intensifica. Enquanto estados como o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul registram quedas no IDEB, Curitiba mantém trajetória de alta. Mas o caso da escola periférica chama atenção por quebrar a correlação automática entre pobreza e baixo rendimento.

Por que isso importa? Para defensores do livre mercado na educação, o exemplo curitibano demonstra que o problema do ensino brasileiro não é a falta de recursos, mas a ausência de incentivos e de competição. A escola em questão adota um modelo de gestão com autonomia para contratar professores temporários, definir metodologias e utilizar material didático próprio – práticas que sindicatos e partidos de esquerda rotineiramente combatem.

Análise FORTIS: O sucesso dessa escola periférica reforça a tese liberal de que a liberdade de escolha e a responsabilização por resultados (accountability) são os verdadeiros motores da qualidade educacional. Enquanto o governo federal insiste em currículos únicos (BNCC) e em políticas de financiamento cego – como o Fundeb, que distribui dinheiro sem exigir contrapartidas de desempenho –, escolas que ousam inovar colhem frutos. A receita é simples: diretor com poder de decisão, professores avaliados por mérito e pais engajados. Todos os elementos presentes nessa unidade, conforme relato da prefeitura em coletiva de imprensa.

Contraponto: Críticos argumentam que exemplos isolados não substituem políticas estruturantes. Em editorial, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) afirmou que “a escola de elite na periferia escamoteia a falta de investimento maciço e a desigualdade regional”. No entanto, a mesma lógica poderia ser aplicada a hospitais ou empresas: a solução não é nivelar por baixo, mas multiplicar as boas práticas. Se o modelo é bem-sucedido, por que não replicá-lo? A resistência vem justamente de quem lucra com o monopólio estatal.

O resultado brasileiro como um todo também apresenta pontos positivos. O IDEB nacional subiu de 4,7 em 2019 para 5,0 em 2023, interrompendo a estagnação. Estados que adotaram reformas de gestão – como o Paraná, com o programa “Educação 10”, e São Paulo, com a ampliação de escolas de tempo integral – tiveram avanços acima da média. Em declaração à Rádio CBN, o economista Paulo Ganime (Novo) afirmou que “a melhora é real, mas ainda insuficiente. O Brasil precisa de um choque de liberdade: voucher escolar e autonomia total das escolas públicas, como já existe em países como Suécia e Chile”.

A escola curitibana prova que é possível, sim, superar o determinismo social. O segredo não está no tamanho do orçamento, mas na forma como ele é gerido. Enquanto a esquerda prega mais Estado e menos competição, os fatos mostram que o caminho é o oposto: mais liberdade, mais responsabilidade e mais escolha para as famílias.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.