Dados do último ciclo do SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica), divulgados pelo INEP em setembro, revelam que uma escola municipal localizada na periferia de Curitiba obteve desempenho superior à média nacional em todas as áreas avaliadas – língua portuguesa, matemática e ciências. O resultado coloca a unidade entre as melhores do Paraná e acima de colégios privados de bairros nobres.
A escola, situada no bairro Tatuquara – região com renda per capita de R$ 850 por mês, segundo o IBGE – alcançou índice de 6,8 no IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica) nos anos finais do fundamental. A média do município de Curitiba é 5,9, e a do Brasil, 5,0. O feito foi destacado pela Secretaria Municipal da Educação em nota oficial, que atribuiu o sucesso à “gestão escolar integrada e à parceria com a comunidade”.
A notícia chega em um momento em que o debate sobre a qualidade do ensino público no Brasil se intensifica. Enquanto estados como o Rio de Janeiro e o Rio Grande do Sul registram quedas no IDEB, Curitiba mantém trajetória de alta. Mas o caso da escola periférica chama atenção por quebrar a correlação automática entre pobreza e baixo rendimento.
Por que isso importa? Para defensores do livre mercado na educação, o exemplo curitibano demonstra que o problema do ensino brasileiro não é a falta de recursos, mas a ausência de incentivos e de competição. A escola em questão adota um modelo de gestão com autonomia para contratar professores temporários, definir metodologias e utilizar material didático próprio – práticas que sindicatos e partidos de esquerda rotineiramente combatem.
Análise FORTIS: O sucesso dessa escola periférica reforça a tese liberal de que a liberdade de escolha e a responsabilização por resultados (accountability) são os verdadeiros motores da qualidade educacional. Enquanto o governo federal insiste em currículos únicos (BNCC) e em políticas de financiamento cego – como o Fundeb, que distribui dinheiro sem exigir contrapartidas de desempenho –, escolas que ousam inovar colhem frutos. A receita é simples: diretor com poder de decisão, professores avaliados por mérito e pais engajados. Todos os elementos presentes nessa unidade, conforme relato da prefeitura em coletiva de imprensa.
Contraponto: Críticos argumentam que exemplos isolados não substituem políticas estruturantes. Em editorial, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) afirmou que “a escola de elite na periferia escamoteia a falta de investimento maciço e a desigualdade regional”. No entanto, a mesma lógica poderia ser aplicada a hospitais ou empresas: a solução não é nivelar por baixo, mas multiplicar as boas práticas. Se o modelo é bem-sucedido, por que não replicá-lo? A resistência vem justamente de quem lucra com o monopólio estatal.
O resultado brasileiro como um todo também apresenta pontos positivos. O IDEB nacional subiu de 4,7 em 2019 para 5,0 em 2023, interrompendo a estagnação. Estados que adotaram reformas de gestão – como o Paraná, com o programa “Educação 10”, e São Paulo, com a ampliação de escolas de tempo integral – tiveram avanços acima da média. Em declaração à Rádio CBN, o economista Paulo Ganime (Novo) afirmou que “a melhora é real, mas ainda insuficiente. O Brasil precisa de um choque de liberdade: voucher escolar e autonomia total das escolas públicas, como já existe em países como Suécia e Chile”.
A escola curitibana prova que é possível, sim, superar o determinismo social. O segredo não está no tamanho do orçamento, mas na forma como ele é gerido. Enquanto a esquerda prega mais Estado e menos competição, os fatos mostram que o caminho é o oposto: mais liberdade, mais responsabilidade e mais escolha para as famílias.
Por Renan Filho · 2026-09-21