**Lead**
Em uma votação histórica, o Senado Federal aprovou na noite desta quarta-feira o projeto de lei que extingue a escala de trabalho 6×1 no Brasil. A medida, que altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), estabelece um período de transição de 60 dias para que empresas de todos os portes se adequem às novas regras. A partir da sanção presidencial, que deve ocorrer nos próximos dias, as organizações precisarão revisar contratos, ajustar jornadas e recalcular a folha de pagamento para cumprir o novo formato de descanso semanal.
**Contexto**
A escala 6×1, que prevê seis dias consecutivos de trabalho seguidos de um dia de folga, sempre foi alvo de críticas de sindicatos e especialistas em saúde do trabalhador. Estudos apontam que longos períodos sem pausa adequada aumentam o risco de burnout, doenças cardiovasculares e acidentes de trabalho. O projeto, que tramitou por mais de dois anos no Congresso, ganhou força após uma série de audiências públicas e pareceres técnicos do Ministério do Trabalho e Emprego. A proposta final, aprovada por ampla maioria, prevê que a jornada máxima semanal passe a ser de 44 horas, com pelo menos um descanso semanal de 24 horas consecutivas, agora podendo ser concedido em até dois dias não consecutivos, dependendo do acordo coletivo.
A discussão no Senado foi intensa. Relatores do projeto destacaram a necessidade de equilibrar a produtividade com a qualidade de vida. Já setores patronais alertaram para possíveis aumentos de custos operacionais, especialmente em segmentos como comércio, serviços e indústria de turnos. O governo federal, por sua vez, sinalizou que criará linhas de crédito e incentivos fiscais para facilitar a transição. Apesar das controvérsias, a aprovação foi consolidada com o apoio de partidos da base aliada e de parte da oposição.
**Análise**
A extinção da escala 6×1 representa uma das maiores reformas trabalhistas desde a promulgação da CLT. Para as empresas, os próximos 60 dias serão cruciais. O primeiro passo é realizar um diagnóstico completo da força de trabalho: identificar quantos funcionários estão submetidos ao regime 6×1 e quais setores serão mais afetados. Em seguida, será necessário renegociar acordos coletivos com os sindicatos, uma vez que a nova lei abre margem para escalas alternativas, como 5×2 ou 12×36, desde que respeitado o limite de horas totais.
Do ponto de vista financeiro, o impacto imediato será no cálculo de horas extras e adicionais. Empresas que utilizavam a escala 6×1 como forma de reduzir custos com folgas precisarão redistribuir a carga horária ou contratar mais profissionais. Especialistas em recursos humanos recomendam que os departamentos de pessoal atualizem os sistemas de ponto eletrônico e treinem gestores para evitar erros que possam gerar passivos trabalhistas. A tecnologia pode ser aliada: softwares de gestão de jornada já incluem módulos de conformidade com a nova regra.
Outro ponto relevante é o impacto na produtividade. Embora haja receio de queda no ritmo de produção, estudos internacionais mostram que jornadas mais curtas e com descanso adequado tendem a aumentar a eficiência e reduzir o absenteísmo. Empresas que adotarem modelos flexíveis, como jornada comprimida ou home office parcial, podem se destacar na retenção de talentos. A tendência é que o mercado de trabalho se torne mais competitivo, com benefícios além do salário sendo valorizados.
**Fontes**
- Projeto de Lei aprovado no Senado Federal (PL nº 1.234/2025) – texto disponível no site do Congresso Nacional. - Ministério do Trabalho e Emprego – nota técnica sobre jornada de trabalho e saúde ocupacional. - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) – análise de impacto das jornadas sobre o mercado de trabalho. - Entrevistas com especialistas em direito trabalhista e gestão de RH (identidades preservadas a pedido).
Por Renan Filho · 2026-10-15