**Lead**
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) ingressou nesta segunda-feira (13) com uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o canal de WhatsApp intitulado “Tropa do Flávio”. A ação alega que o grupo, administrado por apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro e do deputado estadual Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tem sido utilizado para disseminar desinformação, discursos de ódio e ataques sistemáticos contra parlamentares negros, LGBTQIA+ e de esquerda. A representação pede a suspensão imediata do canal e a aplicação de multa por violação da legislação eleitoral e do Código Eleitoral.
**Contexto**
O canal “Tropa do Flávio” reúne milhares de assinantes no WhatsApp e é conhecido por compartilhar memes, vídeos e textos com forte teor político-partidário, frequentemente direcionados a adversários do bolsonarismo. Nos últimos meses, o conteúdo do grupo passou a incluir montagens depreciativas de Erika Hilton, uma das primeiras mulheres trans eleitas para a Câmara dos Deputados, além de acusações infundadas sobre supostos desvios de recursos públicos e ligações com organizações criminosas.
A deputada, que já foi alvo de ataques virtuais e ameaças de morte, afirma que o canal ultrapassou os limites da liberdade de expressão ao promover um ambiente de ódio que pode incitar violência física e política. “Não se trata de crítica legítima. É uma campanha orquestrada para desumanizar e silenciar vozes dissidentes, especialmente de pessoas trans e negras”, declarou Hilton em nota divulgada por sua assessoria.
A representação foi protocolada com base na Resolução TSE nº 23.714/2022, que estabelece regras para o combate à desinformação nas eleições, e na Lei nº 9.504/1997 (Lei das Eleições), que proíbe a veiculação de propaganda eleitoral com conteúdo calunioso, difamatório ou injurioso. A defesa da parlamentar argumenta que, embora o canal não seja oficial de campanha, ele atua como ferramenta de propaganda negativa e pode influenciar o pleito de 2026.
**Análise**
A ação de Erika Hilton ocorre em um momento de crescente judicialização de conteúdos políticos em plataformas de mensageria privada. Diferentemente de redes abertas como Twitter ou Facebook, o WhatsApp é um ambiente criptografado e de difícil monitoramento, o que torna a responsabilização por desinformação mais complexa. O TSE já demonstrou disposição para agir contra canais que violam a legislação eleitoral, como ocorreu em 2022, quando determinou a remoção de grupos que espalhavam fake news sobre urnas eletrônicas.
Especialistas em direito digital apontam que o caso pode estabelecer um precedente importante. Se o TSE acolher a representação, poderá obrigar o WhatsApp a fornecer dados dos administradores do canal e até mesmo bloquear o grupo em todo o território nacional. Por outro lado, críticos alertam para o risco de censura prévia e de que a medida seja usada para silenciar oposição política legítima.
O impacto político também é significativo. Erika Hilton é uma das figuras mais visíveis da nova geração de parlamentares progressistas e sua ação reforça a estratégia de usar os tribunais eleitorais como ferramenta de combate à desinformação. Já o “Tropa do Flávio” representa uma base de apoio digital organizada, que vê na ação uma tentativa de criminalizar a militância bolsonarista.
**Fontes**
- Assessoria de imprensa da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) - Resolução TSE nº 23.714/2022, disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral - Lei nº 9.504/1997 (Lei das Eleições), disponível no site do Planalto - Reportagens anteriores do portal UOL e da Agência Brasil sobre desinformação em canais de WhatsApp - Declarações públicas de Erika Hilton em suas redes sociais oficiais
Por Renan Filho · 2026-10-13