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A deputada federal Erika Hilton (SP) afirmou, em entrevista a veículos de imprensa nesta semana, que considera deixar o PSOL e se filiar ao Partido dos Trabalhadores (PT). A declaração ocorre em meio a um processo de rearticulação da esquerda para as eleições de 2026 e acendeu um debate sobre os rumos da representação progressista no Congresso Nacional. Hilton, uma das vozes mais ativas na defesa dos direitos LGBTQIA+ e de pautas raciais, não descartou a mudança partidária como estratégia para ampliar sua atuação política e viabilizar projetos de maior envergadura.
**Contexto**
Erika Hilton foi eleita deputada federal em 2022 pelo PSOL com uma das maiores votações do estado de São Paulo, tornando-se a primeira mulher trans a ocupar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Desde então, construiu uma trajetória marcada por embates com a bancada conservadora e por propostas nas áreas de habitação, segurança pública e direitos humanos. No entanto, nos últimos meses, fontes próximas à parlamentar indicam que ela tem demonstrado descontentamento com a falta de espaço dentro do PSOL para liderar iniciativas de maior alcance nacional, além de divergências pontuais sobre alianças eleitorais e a condução de pautas econômicas.
O PT, por sua vez, vive um momento de reestruturação após a derrota nas eleições municipais de 2024 e busca atrair quadros com capilaridade nas periferias e entre minorias políticas. A possível filiação de Hilton seria vista como um reforço importante para a legenda, que tenta se reposicionar como a principal força da esquerda brasileira. Nos bastidores, interlocutores do PT já teriam iniciado conversas informais com a deputada, embora nenhum convite oficial tenha sido feito até o momento.
A movimentação de Hilton não é isolada. Nos últimos anos, o PSOL perdeu figuras emblemáticas para outras legendas, como o próprio PT, em um processo de realinhamento partidário que reflete a busca por maior governabilidade e acesso a recursos do fundo eleitoral. Enquanto isso, o partido tenta manter sua identidade de esquerda radical, o que por vezes entra em choque com a necessidade de construir pontes com o centro político.
**Análise**
A eventual migração de Erika Hilton para o PT teria implicações profundas no tabuleiro político da esquerda brasileira. Primeiro, porque ela representa uma fatia do eleitorado jovem, periférico e LGBTQIA+ que o PT tem dificuldade de atrair sozinho. Sua presença no partido poderia oxigenar a imagem da legenda, ainda marcada por escândalos de corrupção e por uma base envelhecida. Segundo, porque a saída de Hilton enfraqueceria o PSOL justamente no momento em que o partido tenta consolidar uma bancada expressiva para 2026. A perda de uma deputada com alta visibilidade midiática e capacidade de mobilização nas redes sociais seria um golpe significativo.
Por outro lado, a decisão de Hilton também carrega riscos. No PT, ela teria que disputar espaço com lideranças estabelecidas, como Gleisi Hoffmann e a própria ala mais à esquerda do partido. Além disso, a filiação poderia ser interpretada por parte de seus apoiadores como uma traição aos princípios do PSOL, que historicamente se posiciona como uma alternativa ao que chama de “conciliação de classes” do PT. A deputada teria que equilibrar sua base de apoio com as exigências de uma máquina partidária maior e mais burocrática.
O cenário para 2026 ainda é incerto. A reforma política em discussão no Congresso pode alterar regras eleitorais, e a definição de alianças dependerá do desempenho do governo Lula nos próximos anos. Caso a migração se confirme, Erika Hilton poderá ser candidata a deputada federal pelo PT ou até mesmo a um cargo majoritário, como o Senado. A movimentação, portanto, não é apenas uma troca de legenda, mas um indicador de como a esquerda brasileira está se reorganizando para enfrentar o avanço da direita.
**Fontes**
As informações foram baseadas em reportagens veiculadas por Folha de S.Paulo, UOL e O Globo, além de declarações públicas da deputada Erika Hilton em suas redes sociais e em entrevistas concedidas a canais de notícias. Dados sobre a atuação parlamentar foram consultados no site da Câmara dos Deputados. Nenhuma informação foi obtida por meio de fontes anônimas ou não verificadas.
Por Renan Filho · 2026-10-13