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Opiniao

Aliados de Flávio Bolsonaro afirmam que empresários do grupo Rockbridge prestaram consultoria e relatórios ao senador

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-01

Segundo fontes próximas ao senador, executivos ligados ao fundo de investimentos Rockbridge teriam fornecido análises e orientações estratégicas a Flávio Bolsonaro. A informação levanta questionamentos sobre possíveis conflitos de interesse e influência do setor privado no meio político.

**Lead**

Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmaram que empresários vinculados ao grupo Rockbridge – um dos maiores fundos de investimento do Brasil – auxiliaram o parlamentar com relatórios técnicos e consultoria nos últimos meses. A informação, divulgada por interlocutores próximos ao senador, não foi confirmada oficialmente pela assessoria de Flávio nem pelo grupo Rockbridge. O caso, no entanto, já gera repercussão nos bastidores políticos e levanta debates sobre a permeabilidade entre o setor financeiro e o Legislativo.

**Contexto**

O grupo Rockbridge é conhecido por sua atuação em fusões e aquisições, gestão de ativos e consultoria financeira. Fundado por ex-executivos do Banco Pactual, o fundo tem entre seus sócios nomes com forte trânsito no mercado de capitais. A relação entre empresários e políticos não é incomum no Brasil, mas ganha contornos específicos quando envolve um senador que integra a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e que, nos últimos anos, tem sido alvo de investigações sobre supostas irregularidades em seu gabinete e em empresas de sua família.

Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, construiu sua carreira política no Rio de Janeiro e, desde 2019, ocupa uma cadeira no Senado. Sua atuação tem sido marcada por posições conservadoras e por um discurso de combate à corrupção, o que torna a associação com empresários do mercado financeiro um ponto sensível. Os relatórios e a consultoria, segundo os aliados, teriam sido oferecidos de forma voluntária, sem contrapartida financeira, mas com o objetivo de auxiliar o senador na formulação de propostas legislativas e na análise de cenários econômicos.

A Rockbridge, por sua vez, não se manifestou publicamente sobre o caso. Procurada pela reportagem, a assessoria do fundo informou que não comentaria o assunto. Já o gabinete de Flávio Bolsonaro limitou-se a dizer que “o senador mantém diálogo com diversos setores da sociedade, como é natural em um parlamentar”. A ausência de esclarecimentos oficiais alimenta especulações sobre a natureza e a profundidade dessa colaboração.

**Análise**

A revelação, ainda que baseada em relatos de aliados, expõe uma zona cinzenta nas relações entre o poder público e o capital privado. Se, por um lado, é legítimo que parlamentares busquem assessoria técnica para embasar suas decisões, por outro, a falta de transparência sobre quem são os consultores e quais interesses representam pode comprometer a independência do mandato. No caso de Flávio Bolsonaro, que já enfrenta desgastes com investigações anteriores, qualquer vínculo não declarado com agentes do mercado financeiro tende a ser explorado por adversários políticos e pela opinião pública.

Do ponto de vista jurídico, a consultoria prestada por empresários a um parlamentar não configura, por si só, ilegalidade. No entanto, se houver indícios de que os relatórios foram usados para beneficiar interesses específicos do grupo Rockbridge – como em votações de projetos que afetam o setor financeiro –, o caso pode ganhar contornos de tráfico de influência ou conflito de interesses. A ausência de registro formal dessa consultoria nos órgãos de controle, como o Conselho de Ética do Senado, também levanta preocupações.

Além disso, o episódio ocorre em um momento em que o Congresso discute medidas de regulação do mercado de capitais e de reforma tributária. A participação de um fundo como a Rockbridge na orientação de um senador influente pode ser vista como uma tentativa de pautar a agenda legislativa de acordo com os interesses do setor. Para aliados de Flávio, trata-se apenas de uma troca técnica de informações; para críticos, é mais um exemplo da captura do Estado por elites econômicas.

**Fontes**

As informações foram obtidas com aliados do senador Flávio Bolsonaro que preferiram não se identificar. A reportagem também consultou registros públicos de empresas e declarações anteriores de integrantes do grupo Rockbridge. Não foi possível confirmar de forma independente o conteúdo exato dos relatórios ou a frequência da consultoria. O FORTIS NEWS aguarda posicionamento oficial do senador e do grupo Rockbridge para eventuais atualizações.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.