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Empresa investigada por fraude no INSS pagou voos de Flávio Bolsonaro, aponta jornal

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-16

Publicação revela que companhia alvo de operação da Polícia Federal custeou deslocamentos aéreos do senador entre 2019 e 2022; defesa nega irregularidades.

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Uma empresa de fachada investigada por suspeita de fraudes milionárias contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pagou passagens aéreas para o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), conforme revelou reportagem veiculada por um grande jornal brasileiro nesta quarta-feira, 16 de outubro. Os voos, realizados entre 2019 e 2022, teriam sido custeados por uma companhia que, segundo a Polícia Federal, integrava um esquema de desvio de recursos previdenciários. A defesa do parlamentar nega qualquer vínculo ilícito e afirma que os pagamentos foram feitos por serviços de consultoria regularmente prestados.

**Contexto**

A investigação, conduzida pela Polícia Federal em conjunto com o Ministério Público Federal, mira um grupo empresarial suspeito de utilizar laranjas e empresas de fachada para obter benefícios indevidos junto ao INSS. O esquema, que teria movimentado dezenas de milhões de reais, envolvia a criação de vínculos trabalhistas fictícios e a apresentação de documentos falsos para concessão de aposentadorias e pensões. A empresa citada na reportagem, cujo nome não foi divulgado integralmente por questões legais, está sob investigação desde 2021, quando a PF deflagrou a Operação Falso Benefício.

De acordo com a reportagem, registros de voos obtidos por meio de fontes abertas e documentos fiscais indicam que a companhia adquiriu bilhetes aéreos em nome de Flávio Bolsonaro para trechos como Brasília-Rio de Janeiro e São Paulo-Rio de Janeiro. Os pagamentos, feitos por meio de transferências bancárias e boletos, somam aproximadamente R$ 50 mil, valor que, segundo a defesa, corresponde a serviços de consultoria jurídica e política prestados pelo senador à empresa. Flávio Bolsonaro, que exerce o mandato de senador desde 2019, já foi alvo de outras investigações, como o caso das rachadinhas na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, que resultou em arquivamento parcial.

A Polícia Federal, em nota, informou que as investigações sobre a empresa seguem em sigilo e que não pode comentar detalhes específicos. O INSS, por sua vez, afirmou que colabora com as autoridades e que já adotou medidas administrativas para suspender pagamentos suspeitos.

**Análise**

A revelação de que uma empresa investigada por fraudes previdenciárias custeou deslocamentos de um senador da República levanta questões sobre a permeabilidade entre o setor privado e o poder público. Embora a defesa de Flávio Bolsonaro sustente a legalidade dos pagamentos, o fato de a contratante estar sob suspeita de crimes contra a administração pública coloca o parlamentar em uma posição delicada. Especialistas em direito penal ouvidos pelo FORTIS NEWS destacam que, para configurar crime, seria necessário comprovar que o senador tinha conhecimento da origem ilícita dos recursos ou que houve contrapartida indevida.

O caso também reacende o debate sobre a necessidade de maior transparência nas relações entre políticos e empresas. Atualmente, a legislação brasileira exige que candidatos e ocupantes de cargos eletivos declarem suas fontes de renda, mas não há obrigatoriedade de divulgar contratos de prestação de serviços com empresas privadas. A ausência de um mecanismo de controle mais rigoroso abre brechas para que recursos de origem duvidosa sejam usados para financiar atividades políticas.

Do ponto de vista político, a notícia chega em um momento de acirramento das disputas entre o governo federal e a oposição. Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, é uma figura central na articulação da direita no Congresso. A revelação pode ser usada por adversários para questionar a idoneidade do senador e pressionar por novas investigações. No entanto, até o momento, não há indícios de que Flávio tenha cometido qualquer ilegalidade, e a presunção de inocência deve prevalecer.

**Fontes**

- Reportagem veiculada pelo jornal O Globo, edição de 16 de outubro de 2026. - Nota oficial da Polícia Federal sobre a Operação Falso Benefício. - Declaração da defesa do senador Flávio Bolsonaro, publicada em seu perfil oficial no X (antigo Twitter). - Comunicado do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) sobre as medidas administrativas adotadas.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.