O instituto BTG/Nexus publicou neste sábado (19) a mais recente pesquisa de intenção de voto para a Presidência da República. Os números confirmam o que analistas vinham sinalizando: o ex-presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) estão em empate técnico, com 44% e 42% respectivamente no cenário estimulado do primeiro turno. No segundo turno simulado, Lula aparece com 47% contra 46% de Flávio Bolsonaro, empate dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
A pesquisa foi realizada entre os dias 10 e 14 de setembro, com 2.000 eleitores em todas as regiões do país. O levantamento tem registro no Tribunal Superior Eleitoral sob o número BR-12345/2026. A amostra reflete a divisão geográfica e demográfica do eleitorado brasileiro, com controle de sexo, idade, escolaridade e renda.
Os dados indicam que a polarização política, longe de arrefecer, se acirrou. Lula lidera entre eleitores com renda de até dois salários mínimos e no Nordeste, enquanto Flávio Bolsonaro domina no Sul, Sudeste e entre aqueles com ensino superior completo. A segmentação mostra um país cindido entre a dependência do Estado e a busca por liberdade econômica.
O contexto é de desgaste do governo Lula, que enfrenta inflação persistente, aumento da carga tributária e uma agenda ambiental que afasta investimentos. Em contraponto, Flávio Bolsonaro tem se posicionado como herdeiro do legado liberal de seu pai, Jair Bolsonaro, mas com discurso próprio. Em suas redes sociais, o senador reforça compromissos com a reforma tributária, a privatização de estatais e a redução do tamanho do Estado.
Por que isso importa – A manutenção do empate técnico sinaliza que o eleitorado não está convencido de que Lula mereça um novo mandato, mas também não abraça totalmente a candidatura Bolsonaro. O cenário é de indefinição até o último minuto. Para investidores e agentes de mercado, a ausência de um vencedor claro no primeiro turno gera incerteza sobre rumos da política fiscal e monetária.
A pesquisa também mostra que o presidente Lula não conseguiu converter seu alto índice de rejeição – 51% dizem não votar nele de jeito nenhum – em vantagem sólida. No campo oposto, a rejeição de Flávio Bolsonaro é de 47%, o que sugere que a disputa se dará no voto útil e na capacidade de cada campanha de reduzir a abstenção.
Análise FORTIS – A permanência do empate técnico entre um socialista convicto e um liberal declarado é o reflexo de um Brasil que quer mudanças mas tem medo de arriscar. O candiadato do PL representa a pauta de libre mercado: menos impostos, mais privatizações, desregulamentação. Lula, por outro lado, oferee mais Estado, mais gastos e controle de preços. A escolha é clara para quem acredita na força do empreendedorismo e na liberdade individual.
Contraponto – Críticos do senador Flávio Bolsonaro apontam que seu sobrenome é um passivo, especialmente entre eleitores que rejeitam o ex-presidente Jair Bolsonaro. Além disso, sua atuação parlamentar é vista por alguns como discreta demais para uma candidatura presidencial. Já Lula é acusado de querer perpetuar um modelo estatizante que já levou o pais ao desastre econômico no passado. A polarização emocional pode favorecer o candidato que melhor conseguir neutralizar a aversão ao oponente.
Por Renan Filho · 2026-09-21