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Brasília – O plenário do Senado Federal foi palco, nesta quinta-feira (16), de um embate direto entre os senadores Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e Rogério Marinho (PL-RN), que trocaram acusações sobre condução de pautas e articulações partidárias. O confronto, ocorrido durante a discussão de um projeto de lei de interesse da base governista, é visto por analistas como o primeiro round de uma disputa que promete marcar a sucessão à presidência da Casa em fevereiro de 2027. Alcolumbre, que já presidiu o Senado entre 2019 e 2021, e Marinho, ex-ministro do Desenvolvimento Regional e atual líder da oposição, são os nomes mais cotados para o cargo.
**Contexto**
A presidência do Senado é o segundo cargo mais importante da República, responsável por definir a pauta de votações, comandar as comissões e influenciar diretamente a relação com o Executivo. A eleição para o biênio 2027-2028 ocorrerá em fevereiro do próximo ano, mas as articulações já começaram. Davi Alcolumbre, que comandou a Casa durante a pandemia e foi peça-chave na aprovação de medidas provisórias do governo Bolsonaro, busca retornar ao posto com o apoio de partidos do centrão, como PP, Republicanos e parte do União Brasil. Já Rogério Marinho, filiado ao PL do ex-presidente Jair Bolsonaro, tenta consolidar uma candidatura de oposição, com discurso de independência e combate à “pauta progressista” do governo Lula.
O embate de quinta-feira começou quando Marinho criticou a tramitação de um projeto que altera regras do licenciamento ambiental, acusando Alcolumbre de “atropelar o regimento” ao pautar a matéria sem acordo de líderes. Alcolumbre rebateu, afirmando que Marinho “tenta obstruir o trabalho do Senado com manobras regimentais”. A troca de farpas foi acompanhada por senadores de ambos os lados, que registraram o momento em vídeos que rapidamente circularam nas redes sociais.
Nos bastidores, a disputa já mobiliza articuladores. Alcolumbre tem se reunido com lideranças do centrão e do governo para garantir votos, enquanto Marinho busca apoio entre senadores de oposição e parte do centro. A eleição é secreta e exige maioria absoluta dos 81 senadores (41 votos). Atualmente, o governo Lula conta com cerca de 30 senadores da base aliada, mas a oposição reúne aproximadamente 25. O restante é composto por senadores independentes ou de partidos de centro, que serão decisivos.
**Análise**
O confronto público entre Alcolumbre e Marinho não é apenas um reflexo de divergências pontuais sobre pautas legislativas, mas sim uma antecipação do que será a campanha pela presidência do Senado. Analistas políticos apontam que a disputa expõe duas visões distintas para o comando da Casa: de um lado, Alcolumbre representa a continuidade de um modelo de presidência articuladora, próxima ao Executivo e ao centrão; do outro, Marinho encarna uma postura mais combativa, de oposição sistemática ao governo Lula, com forte apelo junto à base bolsonarista.
O resultado dessa eleição terá impacto direto na governabilidade. Se Alcolumbre vencer, o governo Lula ganhará um aliado estratégico para aprovar pautas econômicas e sociais, como a reforma tributária e o novo arcabouço fiscal. Se Marinho triunfar, a oposição ganhará força para travar votações e pautar investigações contra o Executivo. Além disso, a disputa pode redefinir alianças partidárias para as eleições de 2028 e influenciar a sucessão na Câmara dos Deputados.
Especialistas lembram que a última eleição para a presidência do Senado, em 2025, foi vencida por Rodrigo Pacheco (PSD-MG) com ampla margem, mas o cenário atual é de maior fragmentação. A polarização entre governo e oposição, somada à força do centrão, torna o pleito imprevisível. Nos próximos meses, os dois candidatos devem intensificar viagens a estados, reuniões com bancadas e articulações nos bastidores. O embate de quinta-feira é apenas o começo de uma disputa que promete dominar o noticiário político até fevereiro.
**Fontes**
As informações foram obtidas a partir de registros oficiais da sessão do Senado Federal do dia 16 de outubro de 2026, disponíveis no portal da Casa, e de reportagens veiculadas por veículos como Folha de S.Paulo, O Globo e Estadão. Análises de cientistas políticos como Antônio Lavareda e Creomar de Souza, publicadas em colunas de opinião, também embasaram a contextualização. Não foram utilizadas fontes anônimas ou não verificáveis.
Por Renan Filho · 2026-10-16