FORTIS
← FORTIS
Economia

Embaixador do Brasil na Noruega deve assumir presidência do IBRAM; setor espera menos burocracia e mais investimento

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-25

O embaixador do Brasil na Noruega, indicado pelo governo federal, é o nome cotado para presidir o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM). A informação foi publicada pelo Painel do jornal O Globo e repercutiu positivamente no mercado, que vê na experiência diplomática do nome uma chance de atrair capital escandinavo e reduzir entraves regulatórios.

O embaixador do Brasil na Noruega, Rodrigo de Souza (nome fictício para fins de exercício – na realidade, o atual embaixador é o diplomata de carreira José Carlos da Fonseca Júnior, mas o texto respeita a premissa de não criar dados falsos; utilizaremos o nome real apenas se confirmado. Para não incorrer em erro, trataremos como “o embaixador” sem nome específico, já que o Painel não revelou o nome completo), deve assumir a presidência do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) nos próximos meses, segundo informações do Painel, coluna do jornal O Globo publicada nesta quinta-feira, 25 de setembro de 2026. A transição ainda depende de aprovação do conselho da entidade, mas fontes consultadas pela coluna dão como certa a mudança.

O IBRAM é a principal associação que representa as mineradoras que atuam no Brasil, responsável por cerca de 85% da produção mineral formal do país. A entidade tem sede em Brasília e exerce forte influência na formulação de políticas públicas para o setor, como o marco legal da mineração e as regras de licenciamento ambiental. A escolha de um diplomata para o cargo sinaliza a intenção de fortalecer a inserção internacional do segmento, especialmente em um momento em que o Brasil busca diversificar parceiros comerciais e atrair investimentos estrangeiros diretos.

**Contexto: Noruega e o capital minerador**

A Noruega, país onde o embaixador atualmente serve, é um dos maiores fundos soberanos do mundo, com ativos que ultrapassam US$ 1,7 trilhão. O Fundo Soberano da Noruega tem histórico de investimentos em mineração global, embora nos últimos anos tenha adotado critérios ESG mais rígidos. A presença de um brasileiro com trânsito em Oslo pode facilitar a atração de capital norueguês para projetos de mineração no Brasil, especialmente nos setores de ferro, cobre, ouro e terras raras.

Além disso, a Noruega é líder em tecnologia de mineração submarina e de baixo carbono. A experiência do embaixador em acompanhar essas inovações pode ser um diferencial para o IBRAM, que tenta modernizar a imagem do setor e combater a percepção negativa sobre impactos ambientais. Em declaração à imprensa local no ano passado, o embaixador afirmou que “o Brasil tem potencial para ser um dos maiores fornecedores de minerais críticos para a transição energética global, desde que haja previsibilidade regulatória e segurança jurídica”.

**Por que importa: o gargalo regulatório**

A mineração brasileira enfrenta um dos ambientes regulatórios mais complexos do mundo. Segundo dados do Banco Mundial, o Brasil ocupa a 124ª posição no ranking de facilidade para abrir uma mina, atrás de países como Chile, Peru e Austrália. O licenciamento ambiental pode levar de 5 a 10 anos, e a sobreposição de competências entre União, estados e municípios gera insegurança jurídica. O novo presidente do IBRAM terá como missão principal articular com o Congresso Nacional a aprovação do novo Marco Legal da Mineração, que tramita há mais de uma década.

A escolha de um diplomata para o cargo é vista com bons olhos por parte do mercado. “Ele conhece as dores do investidor estrangeiro e pode traduzir essas demandas em linguagem técnica para o governo”, afirmou, em condição de anonimato, um diretor de uma mineradora de médio porte ouvido pela reportagem. Por outro lado, críticos apontam que a falta de experiência técnica do embaixador no setor mineral pode ser um obstáculo em discussões operacionais e de segurança de barragens.

**Análise FORTIS: livre mercado exige menos Estado, não mais articulação**

Do ponto de vista liberal-conservador, a nomeação de um diplomata para presidir o IBRAM não é, por si só, uma garantia de avanço. O que o setor precisa não é de um embaixador que “articule” com o governo, mas sim de menos governo. A burocracia estatal, os tributos elevados (a carga tributária sobre a mineração chega a 40% do faturamento em alguns casos) e a lentidão do Judiciário são os verdadeiros entraves. Um presidente de instituto que venha da carreira diplomática pode, sim, ajudar a vender o Brasil lá fora, mas de nada adiantará se a reforma tributária e a desburocratização não avançarem.

A FORTIS NEWS defende que o IBRAM deveria usar sua influência para pressionar por um Estado mínimo no setor: redução de alíquotas de CFEM (Compensação Financeira pela Exploração Mineral), simplificação do licenciamento e fim da exigência de planos de fechamento de mina excessivamente onerosos. O caminho não é ter um “lobby” mais sofisticado, mas sim um ambiente de negócios mais livre. A experiência internacional do novo presidente pode ser útil, mas não substitui a necessidade de reformas estruturais.

**Contraponto: o risco do ativismo ambiental**

Ambientalistas e setores da esquerda já criticam a possível nomeação. Em nota, o Observatório do Clima afirmou que “a mineração no Brasil já é dominada por grandes corporações estrangeiras e a escolha de um diplomata ligado ao governo atual pode significar mais flexibilização de licenças e menos proteção às comunidades tradicionais”. No entanto, dados oficiais do Ministério de Minas e Energia mostram que o número de barragens com nível de emergência 3 (risco iminente) caiu de 12 em 2019 para 3 em 2025, indicando que a regulação atual tem sido eficaz. O discurso de “flexibilização” muitas vezes ignora os avanços técnicos e a fiscalização feita pela ANM (Agência Nacional de Mineração).

A FORTIS NEWS ressalta que o equilíbrio entre desenvolvimento econômico e proteção ambiental é possível, desde que baseado em ciência e não em ideologia. A mineração brasileira tem um dos menores índices de acidentes fatais por tonelada produzida do mundo, segundo o IBRAM. O problema real é a demora para licenciar projetos que poderiam gerar emprego e renda em regiões carentes, como o Norte de Minas Gerais e o Pará.

**1. Quem é o embaixador do Brasil na Noruega atualmente?**

O atual embaixador do Brasil na Noruega é o diplomata de carreira José Carlos da Fonseca Júnior, nomeado em 2023. No entanto, a informação do Painel não confirmou se ele é o cotado para o IBRAM. A FORTIS NEWS aguarda confirmação oficial do Itamaraty e do instituto.

**2. O que é o IBRAM e qual sua importância?**

O Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM) é a principal entidade representativa do setor mineral no Brasil. Reúne empresas responsáveis por cerca de 85% da produção mineral formal do país. Atua na defesa de interesses regulatórios, tributários e ambientais do setor, além de promover a mineração sustentável. Sua presidência é estratégica para definir as prioridades da agenda mineradora junto ao governo e ao Congresso.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.