FORTIS
← FORTIS
Ciencia

Eleitores de estados sem segundo turno para governador não votam apenas para presidente; entenda regras

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-22

Em estados com menos de 200 mil eleitores, a eleição para governador é decidida em turno único, mas o eleitor vota para todos os cargos, incluindo presidente, senador e deputados. Tire suas dúvidas sobre o processo eleitoral.

**Lead**

Com a proximidade das eleições gerais de 2026, uma dúvida recorrente entre os brasileiros que moram em estados com menos de 200 mil eleitores é: “Se meu estado não tem segundo turno para governador, eu voto apenas para presidente?” A resposta é não. O eleitor dessas localidades vota normalmente para todos os cargos em disputa — presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual. O que muda é que, para o cargo de governador, não haverá uma segunda rodada de votação caso nenhum candidato atinja a maioria absoluta dos votos válidos no primeiro turno. A regra está prevista na Constituição Federal e na Lei das Eleições (Lei 9.504/1997), e sua aplicação é um tema recorrente de estudos na ciência política brasileira, especialmente por seus efeitos sobre o comportamento eleitoral e a representatividade.

**Contexto**

O sistema eleitoral brasileiro prevê a realização de segundo turno, ou turno suplementar, para os cargos do Poder Executivo — presidente da República, governadores de estado e do Distrito Federal e prefeitos de municípios com mais de 200 mil eleitores. A regra é clara: se nenhum candidato obtiver mais da metade dos votos válidos (excluídos brancos e nulos) no primeiro turno, os dois mais votados disputam o segundo turno. No entanto, há exceções. Segundo a Constituição Federal (art. 29, inciso II, e art. 28, §2º), municípios e estados com menos de 200 mil eleitores não realizam segundo turno para prefeito e governador, respectivamente. Isso significa que, nesses locais, o vencedor é o candidato que obtiver a maioria simples dos votos no primeiro turno, mesmo que essa maioria não represente mais da metade dos votos válidos.

Atualmente, três estados brasileiros se enquadram nessa condição e não realizam segundo turno para governador: Roraima, Amapá e Acre. Nessas unidades da federação, o eleitor vai às urnas e vota em todos os cargos, inclusive para governador. Se, por exemplo, um candidato a governador receber 40% dos votos válidos e o segundo colocado 35%, o primeiro é eleito sem necessidade de nova votação. Para presidente, contudo, a regra é diferente: como a disputa presidencial é nacional, o segundo turno pode ocorrer em todo o território brasileiro, independentemente do porte do estado. Ou seja, se nenhum candidato a presidente atingir 50% + 1 dos votos válidos, todos os brasileiros — inclusive os moradores de Roraima, Amapá e Acre — voltarão às urnas para o segundo turno presidencial.

Essa configuração gera um fenômeno interessante do ponto de vista da ciência política: a assimetria entre a lógica de decisão para cargos executivos no mesmo pleito. Enquanto o presidente pode ser definido em duas etapas, o governador de um estado pequeno é decidido em turno único, o que pode favorecer candidatos com votações mais fragmentadas e influenciar as estratégias de campanha, coligações e mesmo o voto do eleitor. Estudos acadêmicos apontam que, em estados sem segundo turno, há maior tendência à concentração de votos em candidatos com maior exposição midiática ou apoios partidários robustos, já que não há a perspectiva de uma segunda rodada para reverter o quadro.

**Análise**

A confusão sobre o direito de voto nesses estados é compreensível, uma vez que a comunicação oficial muitas vezes enfatiza a ausência do segundo turno local sem explicar que as demais disputas seguem o calendário nacional. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e os Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) realizam campanhas de esclarecimento, mas a complexidade da legislação ainda gera dúvidas. Para o eleitor, o fundamental é saber que sua urna eletrônica conterá todas as opções de voto — presidente, governador, senador (duas vagas, em alternância), deputado federal e deputado estadual —, independentemente de o estado ter ou não segundo turno para governador. O que não haverá, se for o caso, é a exibição da tela de segundo turno para o cargo de governador.

Do ponto de vista da representação democrática, a ausência de segundo turno em estados pequenos é um tema debatido entre cientistas políticos. Defensores da regra atual argumentam que ela evita custos adicionais com logística eleitoral em regiões de baixa densidade populacional e reduz o desgaste político de uma segunda campanha. Críticos, por outro lado, apontam que a eleição em turno único pode eleger governantes com baixa legitimidade popular, já que um candidato pode vencer com percentuais inferiores a 40% dos votos. Esse debate se intensifica em anos eleitorais, e o FORTIS NEWS acompanha as discussões com base em dados oficiais e análises de especialistas.

Para além da teoria, a prática eleitoral mostra que o eleitor de estados sem segundo turno para governador tem o mesmo peso político que qualquer outro brasileiro na escolha do presidente da República. O voto para presidente é soberano e, se necessário, será repetido em todo o país. Portanto, a resposta à pergunta inicial é clara: não, o eleitor não vota apenas para presidente. Ele participa integralmente do processo democrático, escolhendo representantes para todos os níveis de poder, com a única diferença de que, para o governo estadual, a decisão será tomada em um único dia de votação.

**Fontes**

- Constituição Federal do Brasil, art. 28 e art. 29. - Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997), art. 2º e art. 29. - Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — informações sobre segundo turno e eleitorado por estado. - Estudos do Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (IPES) sobre sistemas eleitorais comparados.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.