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Internacional

Eleições presidenciais no Brasil: a trajetória dos segundos turnos

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-19

Desde a redemocratização, o segundo turno é a etapa que define o presidente da República na maioria das disputas. Conheça os pleitos que foram para a segunda rodada e seus contextos históricos.

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O sistema eleitoral brasileiro prevê a realização de segundo turno para as eleições presidenciais quando nenhum candidato alcança a maioria absoluta dos votos válidos no primeiro turno. Desde a redemocratização, em 1985, o Brasil realizou oito eleições diretas para presidente, e em seis delas a decisão ocorreu no segundo turno. Esta é uma particularidade que reflete a complexidade do quadro político nacional e a necessidade de amplas coalizões para governar. As exceções foram 1994 e 1998, quando Fernando Henrique Cardoso venceu já no primeiro turno, beneficiado pela estabilização econômica do Plano Real. As demais disputas – 1989, 2002, 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022 – exigiram uma segunda etapa para definir o nome que ocuparia o Palácio do Planalto.

**Contexto**

A primeira eleição presidencial direta após a ditadura militar ocorreu em 1989, ainda sob a Constituição de 1988, que instituiu o segundo turno para cargos majoritários. Naquele ano, Fernando Collor de Mello e Luiz Inácio Lula da Silva protagonizaram uma disputa acirrada, com Collor saindo vitorioso no segundo turno. Foi o embrião de uma polarização que marcaria a política brasileira nas décadas seguintes.

Em 1994 e 1998, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi eleito no primeiro turno, graças ao êxito do Plano Real no controle da inflação. O segundo turno só voltou a ser necessário em 2002, quando Lula (PT) enfrentou José Serra (PSDB). Lula venceu com ampla vantagem, iniciando um ciclo de governos petistas que se estenderia até 2016. Em 2006, a reeleição de Lula foi decidida no segundo turno contra Geraldo Alckmin (PSDB), após uma campanha marcada por denúncias e escândalos que não impediram a vitória do então presidente.

Em 2010, Dilma Rousseff (PT) sucedeu Lula ao derrotar novamente José Serra no segundo turno. A disputa consolidou a hegemonia petista, mas também evidenciou o desgaste da oposição tucana. Quatro anos depois, Dilma venceu Aécio Neves (PSDB) em uma eleição extremamente polarizada, com o segundo turno mais apertado desde 1989 – diferença de aproximadamente três pontos percentuais. Esse resultado, no entanto, foi contestado pelo PSDB, que pediu recontagem dos votos sem sucesso.

Em 2018, o cenário político foi radicalmente alterado com o avanço de Jair Bolsonaro (PSL), que enfrentou Fernando Haddad (PT) no segundo turno após a prisão de Lula, então candidato, e a campanha marcada por forte rejeição ao petismo. Bolsonaro venceu com vantagem consolidada. Já em 2022, Lula retornou à disputa e derrotou Bolsonaro no segundo turno, em uma das eleições mais polarizadas da história, com diferença de cerca de dois milhões de votos.

**Análise**

A recorrência do segundo turno nas eleições presidenciais brasileiras revela um fenômeno estrutural: a fragmentação partidária e a dificuldade de qualquer candidato construir uma maioria absoluta no primeiro turno. Desde 2002, o país vive um bipartidarismo relativo entre PT e PSDB, e mais recentemente entre PT e partidos de direita como o PL de Bolsonaro. O segundo turno funciona como um mecanismo de amálgama, forçando alianças e aproximações que, em tese, representam a vontade da maioria.

Além disso, o segundo turno permite que o eleitor reflita sobre sua escolha após o primeiro resultado, muitas vezes modificando o voto com base em acordos partidários ou rejeições. Essa dinâmica tem sido acentuada pelas redes sociais e pela polarização afetiva, que tornam os segundos turnos verdadeiros plebiscitos sobre projetos de país. O impacto na governabilidade é direto: presidentes eleitos no segundo turno geralmente enfrentam um Congresso mais fragmentado, exigindo negociações constantes para aprovar pautas relevantes.

**Fontes**

- Tribunal Superior Eleitoral (TSE): dados oficiais das eleições presidenciais de 1989 a 2022. - Arquivo do Congresso Nacional: registros das sessões de apuração. - Artigos acadêmicos sobre sistema eleitoral brasileiro, como os publicados pela Revista Brasileira de Ciência Política. - Reportagens históricas do acervo do jornal O Estado de S. Paulo (Estadão).

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.