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Segundo turno das eleições 2026: como a ciência eleitoral pode ajudar o eleitor a decidir

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-25

Pesquisas de opinião, modelos estatísticos e análise de comportamento eleitoral são ferramentas que podem orientar o voto consciente no segundo turno das eleições brasileiras de 2026.

**Lead**

O segundo turno das eleições de 2026 no Brasil se aproxima, e milhões de eleitores ainda enfrentam a difícil tarefa de escolher entre os dois candidatos que disputam o Palácio do Planalto. Para além dos debates televisionados e da propaganda eleitoral gratuita, a ciência eleitoral oferece um conjunto de métodos e ferramentas que podem auxiliar o cidadão a tomar uma decisão mais informada. Modelos preditivos, análises de dados históricos e estudos de comportamento do eleitor são recursos que, quando usados com critério, permitem compreender melhor as propostas em jogo e o impacto de cada voto no futuro do país.

**Contexto**

O sistema eleitoral brasileiro prevê o segundo turno para os cargos de presidente, governador e prefeito em municípios com mais de 200 mil eleitores, quando nenhum candidato atinge a maioria absoluta dos votos válidos no primeiro turno. Em 2026, a corrida presidencial chega a essa fase decisiva após uma campanha marcada por intensa polarização e grande volume de informações – e desinformação – circulando nas redes sociais. Segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o Brasil possui mais de 150 milhões de eleitores aptos a votar, e a abstenção histórica no segundo turno costuma ser ligeiramente superior à do primeiro.

A ciência política e a psicologia cognitiva vêm estudando há décadas os fatores que influenciam a escolha do voto. Pesquisas acadêmicas indicam que, diante de um cenário de dois nomes, o eleitor tende a ativar mecanismos de comparação mais diretos, analisando aspectos como competência percebida, honestidade e alinhamento ideológico. A chamada “teoria do voto retrospectivo” sugere que muitos eleitores baseiam sua decisão na avaliação do desempenho do governo atual, enquanto outros recorrem a “atalhos informacionais”, como a recomendação de líderes políticos ou a reputação dos partidos. No segundo turno, esses atalhos podem ser ainda mais determinantes, pois a escolha se reduz a duas opções.

**Análise**

A relevância de aplicar uma abordagem científica ao processo eleitoral vai além do interesse acadêmico. Em um ambiente onde notícias falsas e ataques pessoais muitas vezes substituem o debate de propostas, a capacidade de filtrar informações com base em evidências é uma ferramenta de cidadania. Organizações da sociedade civil e veículos de imprensa têm utilizado plataformas de fact-checking para verificar declarações dos candidatos, e institutos de pesquisa divulgam sondagens de intenção de voto que, embora sujeitas a margens de erro, ajudam a mapear a percepção do eleitorado. É fundamental, no entanto, que o eleitor entenda as limitações desses levantamentos: amostras podem não refletir integralmente a população, e a volatilidade das intenções de voto na reta final é conhecida.

Outra contribuição da ciência está na análise de dados abertos do TSE, que permitem cruzar informações sobre doações de campanha, gastos eleitorais e perfil dos candidatos. Estudos recentes mostram que candidatos com maior transparência na prestação de contas tendem a gerar mais confiança entre os eleitores, embora nem sempre isso se traduza em votos. A neurociência também entra em cena: experimentos controlados indicam que a exposição repetida a certos estímulos visuais ou sonoros pode influenciar a memória afetiva do eleitor em relação a um candidato. Esse conhecimento é usado por marqueteiros, mas também pode ser apropriado pelo cidadão para questionar a própria suscetibilidade a truques de propaganda.

**Fontes**

A elaboração deste artigo baseou-se em informações públicas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), análises de institutos de pesquisa como Datafolha e Ibope (cujos dados são divulgados sob rigorosos critérios metodológicos), além de publicações acadêmicas nas áreas de ciência política e psicologia social, revisadas por pares. Não foram utilizadas fontes anônimas nem informações não verificáveis. O conteúdo tem caráter informativo e educativo, buscando incentivar o voto consciente a partir de evidências científicas.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.