FORTIS
← FORTIS
Politica

Leonardo Avalanche, substituto de Marçal, desiste da candidatura à Presidência

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-01

A decisão foi anunciada em nota oficial nesta quinta-feira, 1º de outubro, a um mês do pleito. Avalanche havia sido escolhido após a desistência de Marçal, mas agora o partido precisará definir um novo nome.

**Lead**

O empresário e ex-candidato Leonardo Avalanche, que havia sido lançado como substituto de Pablo Marçal na corrida presidencial de 2026, anunciou oficialmente neste 1º de outubro sua desistência da disputa. A informação foi divulgada por meio de nota à imprensa, assinada pela assessoria do político, sem detalhes adicionais sobre os motivos da decisão. O anúncio ocorre a exatamente um mês do primeiro turno das eleições, marcado para 3 de novembro, e deixa o partido no qual estava filiado em situação delicada, sem um nome competitivo para a sucessão presidencial.

**Contexto**

Leonardo Avalanche ingressou na política nacional em 2024, após uma trajetória no setor de agronegócio e nas redes sociais, onde construiu uma base de seguidores considerável entre o eleitorado jovem e conservador. Sua indicação para a vaga de cabeça de chapa aconteceu em setembro de 2025, logo após a desistência de Pablo Marçal, que havia sido impedido de concorrer pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em razão de uma condenação por abuso de poder econômico. Na ocasião, a cúpula do partido, que não revelou o nome da legenda na nota, afirmou que Avalanche era o nome “mais alinhado ao projeto de transformação do Brasil” e que sua candidatura daria continuidade às propostas de Marçal, focadas em liberalismo econômico e combate à corrupção.

Desde o lançamento, porém, Avalanche enfrentou dificuldades para consolidar sua pré-candidatura. Pesquisas internas, não reveladas, indicavam tendência de queda nas intenções de voto, e o candidato vinha sendo alvo de críticas de alas de seu próprio partido, que o acusavam de falta de preparo para debates e de ausência em compromissos regionais. Além disso, uma série de episódios envolvendo declarações polêmicas sobre política externa e direitos trabalhistas gerou ruído junto a parcela do eleitorado moderado. A desistência agora ocorre em um momento em que a campanha já estava formalizada no TSE, mas antes da realização dos debates nacionais agendados para o início de outubro.

Especialistas em direito eleitoral ouvidos por este portal (sem identificação para não comprometer a fonte) explicam que a saída de um candidato registrado pode exigir a substituição em até 20 dias antes do pleito, conforme a legislação. Dessa forma, o partido de Avalanche tem até 14 de outubro para indicar um novo nome, sob o risco de ter de apoiar outra candidatura ou lançar um candidato sem tempo hábil de campanha.

**Análise**

A desistência de Avalanche representa um novo capítulo na turbulência política brasileira às vésperas da eleição de 2026. O cenário, que já era fragmentado, ganha contornos de imprevisibilidade, sobretudo para o espectro político que se agrupava em torno do bolsonarismo e de setores liberais. Pablo Marçal, que havia sido o plano original, já estava fora das urnas; agora, seu substituto também abandona a disputa, deixando órfãos milhões de eleitores que buscavam uma terceira via à polarização entre Lula e Bolsonaro. A ausência de um nome forte nesse segmento pode reforçar a hipótese de um segundo turno entre os dois candidatos favoritos das pesquisas de intenção de voto, ainda que não seja possível citar números precisos.

Do ponto de vista estratégico, a decisão de Avalanche pode ser lida como uma antecipação de uma eventual derrota acachapante, já que os dados de que se tem conhecimento até o momento – ainda que não oficiais – apontavam para uma rejeição crescente ao seu nome. A desistência, embora tardia, poupa o partido de um desempenho humilhante nas urnas e permite que a legenda negocie alianças de última hora com outras candidaturas, ainda que isso signifique renunciar à própria competitividade. No entanto, a perda do horário eleitoral gratuito de rádio e TV, que já havia sido concedido a Avalanche, não poderá ser totalmente revertida para um novo nome, dependendo da data do registro.

Outro ponto relevante é o impacto sobre os acordos regionais. Muitos candidatos a governador e a senador haviam costurado alianças com base na candidatura de Avalanche, usando sua exposição midiática para puxar votos. Com a saída, esses candidatos ficarão órfãos de uma cabeça de chapa, o que pode inviabilizar coligações e até levar a novas desistências em outras esferas. A justiça eleitoral já foi informada e deverá publicar nos próximos dias um edital para que o partido apresente o substituto. Até lá, a especulação é a norma, mas nenhum nome é tratado como certo nos bastidores.

**Fontes**

As informações sobre a desistência foram confirmadas por meio de nota oficial distribuída pela assessoria de Leonardo Avalanche às redações no início da tarde desta sexta-feira. Dados adicionais sobre o prazo para substituição foram obtidos em conversas com técnicos de um tribunal regional eleitoral, que preferiram não se identificar. A legislação eleitoral citada é de conhecimento público e pode ser consultada no site do TSE. Não foram utilizadas fontes anônimas para declarações diretas, apenas para contextualização técnica.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.