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Politica

Eleição para o Senado tem PL em ascensão, centro isolado e nomes tradicionais em risco

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-03

Com a aproximação do pleito de outubro, o Partido Liberal amplia vantagem em estados estratégicos, enquanto legendas de centro enfrentam fragmentação e senadores históricos veem cadeiras ameaçadas por renovação conservadora.

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A menos de um ano das eleições para o Senado Federal, marcadas para outubro de 2026, o cenário político brasileiro aponta para uma ascensão consolidada do Partido Liberal (PL), um isolamento crescente das forças de centro e a iminente perda de cadeiras de nomes tradicionais que há décadas ocupam o parlamento. A disputa por 27 das 81 vagas — um terço da Casa — promete reconfigurar o equilíbrio de poder no Congresso, com reflexos diretos na governabilidade e na agenda legislativa dos próximos quatro anos.

**Contexto**

O PL, legenda que abriga o ex-presidente Jair Bolsonaro e seus principais aliados, tem investido pesado na construção de candidaturas próprias em todos os estados onde há renovação. A estratégia inclui o lançamento de nomes ligados ao bolsonarismo, muitos deles com forte apelo nas bases evangélica e ruralista, além de ex-ministros e ex-integrantes do governo anterior. Em estados como Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Paraná, o PL já desponta como favorito em pesquisas qualitativas, aproveitando a rejeição ao governo Lula em segmentos conservadores e o desgaste de partidos tradicionais.

Enquanto isso, o centro político — representado por legendas como MDB, PSDB, União Brasil e PSD — enfrenta um duplo desafio. Internamente, essas siglas lidam com disputas regionais que dificultam a formação de chapas competitivas. Externamente, são pressionadas tanto pelo avanço da direita radical quanto pela polarização com o PT, que também busca ampliar sua bancada no Senado. O resultado é um isolamento tático: alianças com o PL ou com o PT tornam-se cada vez mais custosas eleitoralmente, e candidaturas próprias de centro perdem tração.

Nomes tradicionais, como senadores que estão no cargo há três ou quatro mandatos, veem suas cadeiras ameaçadas. Figuras como Renan Calheiros (MDB-AL), que lidera a bancada do partido, e Davi Alcolumbre (União-AP), ex-presidente do Senado, enfrentam desafios inéditos. Em Alagoas, o PL lançou um candidato com forte apelo local, enquanto no Amapá a polarização entre bolsonaristas e lulistas pode isolar Alcolumbre. Outros senadores históricos, como Tasso Jereissati (PSDB-CE) e Eduardo Braga (MDB-AM), também correm risco diante da renovação impulsionada pelo descontentamento popular com a política tradicional.

**Análise**

A ascensão do PL no Senado não é um fenômeno isolado, mas parte de um movimento mais amplo de radicalização do eleitorado brasileiro. Desde 2018, as eleições legislativas têm refletido a polarização nacional, com o bolsonarismo conquistando cadeiras em todas as regiões. Em 2022, o PL elegeu a maior bancada na Câmara dos Deputados, e agora busca repetir o feito no Senado. Se conseguir eleger ao menos 12 dos 27 senadores em disputa, o partido pode se tornar a maior força na Casa, superando o MDB e o PT.

O isolamento do centro tem implicações profundas para a governabilidade. Sem uma base de centro forte, o próximo presidente — seja Lula ou um sucessor — terá que negociar diretamente com os extremos. Isso pode paralisar a agenda legislativa ou, alternativamente, levar a acordos pontuais que fragilizam a estabilidade política. A fragmentação do centro também abre espaço para que o PL e o PT disputem o controle de comissões-chave, como a de Constituição e Justiça e a de Assuntos Econômicos.

Para os nomes tradicionais, o risco é existencial. Senadores que construíram carreiras baseadas no clientelismo e no controle de máquinas partidárias agora enfrentam um eleitorado mais informado e menos tolerante com a velha política. A renovação, no entanto, não significa necessariamente melhora na qualidade da representação. Muitos dos candidatos do PL são novatos com pouca experiência legislativa, o que pode gerar um Senado mais ideológico e menos técnico.

**Fontes**

As informações deste artigo baseiam-se em análises de cientistas políticos como Carlos Pereira, da Fundação Getulio Vargas, e Jairo Nicolau, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, além de relatórios de institutos de pesquisa como Datafolha e Ipec, que monitoram a intenção de voto para o Senado em estados-chave. Dados históricos de composição do Senado foram consultados no site oficial do Congresso Nacional. Reportagens de veículos como Folha de S.Paulo, O Globo e Estadão também serviram como referência para o levantamento de tendências regionais.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.