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Opinião

Eleição sem debate: a crítica de Elio Gaspari ao esvaziamento do confronto democrático no Brasil

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-09-30

Colunista aponta que a ausência de debates presidenciais enfraquece o processo eleitoral e reduz o eleitor a mero espectador de marketing político.

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A corrida presidencial brasileira de 2026 já exibe um sintoma que preocupa analistas e parte da imprensa: a progressiva ausência de debates diretos entre os candidatos. O jornalista Elio Gaspari, colunista da Folha de S.Paulo e do O Globo, tem dedicado sucessivos textos ao tema, alertando que o esvaziamento do confronto de ideias transforma a eleição em um espetáculo de monólogos, no qual o eleitor perde a oportunidade de comparar propostas e avaliar a capacidade de reação dos postulantes sob pressão. Para Gaspari, o debate não é um mero ritual midiático, mas um dos pilares da democracia representativa — e sua ausência deliberada representa um retrocesso.

**Contexto**

A tradição de debates presidenciais no Brasil remonta à redemocratização, com momentos emblemáticos como o confronto entre Fernando Collor e Luiz Inácio Lula da Silva em 1989, que influenciou o resultado das urnas. Nas décadas seguintes, os debates se consolidaram como etapa obrigatória do calendário eleitoral, organizados por redes de televisão e jornais. No entanto, a partir de 2018, observou-se uma tendência de recusa por parte de candidatos que lideravam as pesquisas, sob o argumento de que os debates favorecem adversários ou geram riscos de gafes. Em 2022, o então presidente Jair Bolsonaro participou de apenas um dos debates do primeiro turno, e o ex-presidente Lula também limitou sua presença. Para 2026, o cenário se repete: até o momento, nenhum dos pré-candidatos confirmou participação em todos os eventos propostos, e alguns já sinalizaram que podem simplesmente ignorar os convites.

Elio Gaspari, que cobre política nacional há mais de quatro décadas, enxerga nesse movimento um sintoma mais profundo: a substituição do debate de ideias pelo marketing de imagem. Em suas colunas, ele costuma lembrar que os grandes momentos de esclarecimento público — como a discussão sobre o Plano Real em 1994 ou a polarização entre PT e PSDB nos anos 2000 — ocorreram justamente nos estúdios de televisão, quando os candidatos eram obrigados a responder perguntas incômodas e a defender seus programas de governo. Sem esse confronto, o eleitor fica refém de peças publicitárias, cortes editados de redes sociais e discursos prontos, que raramente expõem contradições ou aprofundam propostas.

**Análise**

A crítica de Gaspari não se limita à constatação do fenômeno; ela aponta para suas consequências institucionais. Quando os candidatos se recusam a debater, transferem para a mídia e para o Judiciário o papel de fiscalizar promessas e inconsistências. A imprensa, por sua vez, tenta compensar a ausência com entrevistas individuais e fact-checking, mas esses instrumentos não substituem a dinâmica do confronto ao vivo, no qual o eleitor pode ver, em tempo real, como um candidato reage a um ataque ou a uma pergunta inesperada. Para Gaspari, a fuga dos debates é uma estratégia de curto prazo que, a longo prazo, desgasta a confiança no sistema político. O eleitor passa a sentir que não tem acesso real aos candidatos, e a abstenção ou o voto de protesto tendem a crescer.

Outro ponto levantado pelo colunista é a desigualdade que a ausência de debates gera entre candidatos com diferentes recursos de comunicação. Enquanto os postulantes com maior tempo de TV e verba para produção de conteúdo conseguem manter sua imagem controlada, os adversários menores perdem a única vitrine capaz de equilibrar a disputa. Gaspari já escreveu que o debate é o “grande equalizador” da democracia eleitoral, pois permite que um candidato desconhecido, mas bem preparado, se destaque. Sem ele, a eleição vira um plebiscito sobre popularidade prévia, e não uma escolha informada entre projetos de país.

**Fontes**

As análises aqui descritas baseiam-se em colunas de Elio Gaspari publicadas na Folha de S.Paulo e no O Globo ao longo do primeiro semestre de 2026, além de artigos de opinião do próprio autor em edições anteriores. Também foram consultados registros históricos de debates presidenciais brasileiros disponíveis no acervo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e reportagens da Agência Brasil sobre a participação de candidatos em debates nas últimas eleições. A ausência de dados numéricos específicos deve-se à natureza opinativa do texto, que privilegia a análise qualitativa do fenômeno.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.