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Economia

Paes anuncia recurso ao STF contra anulação de votos de Garotinho no Rio e alerta para riscos econômicos

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-08

Prefeito do Rio de Janeiro afirma que decisão do TRE-RJ que anulou votos de Anthony Garotinho nas eleições presidenciais pode gerar instabilidade política e afetar investimentos; Paes promete levar caso ao Supremo.

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O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, anunciou nesta quinta-feira (8) que recorrerá ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) que anulou os votos atribuídos ao ex-governador Anthony Garotinho nas eleições presidenciais de 2026 no estado. Paes argumenta que a medida, além de ferir o princípio da soberania popular, pode desencadear um cenário de incerteza jurídica com impactos diretos sobre a economia fluminense e nacional. A declaração foi feita durante entrevista coletiva na sede da prefeitura, no centro do Rio.

**Contexto**

A controvérsia teve início na última segunda-feira (5), quando o TRE-RJ acolheu um pedido de impugnação movido por uma coligação adversária, que apontava irregularidades na campanha de Garotinho durante o primeiro turno da eleição presidencial. Segundo a decisão, cerca de 1,2 milhão de votos obtidos pelo candidato no estado seriam considerados nulos, alterando o resultado final da votação no Rio. Garotinho, que concorreu pelo Partido Republicano Progressista (PRP), nega as acusações e já anunciou que também recorrerá.

Eduardo Paes, que não é filiado ao mesmo partido de Garotinho, mas mantém relações políticas com o ex-governador, classificou a anulação como “um ataque à democracia e à previsibilidade das regras eleitorais”. Em sua fala, o prefeito destacou que a instabilidade gerada por decisões judiciais de última hora compromete a confiança dos agentes econômicos. “O Rio de Janeiro está em um momento de retomada de investimentos, com projetos de infraestrutura, habitação e mobilidade. Uma decisão como essa, que pode ser revertida, joga uma nuvem de dúvida sobre todo o processo político”, afirmou Paes.

A anulação dos votos ocorre em um contexto de eleição presidencial acirrada, com o segundo turno marcado para o final do mês. Garotinho, que ficou em terceiro lugar no primeiro turno, teve seus votos no Rio anulados, o que pode beneficiar um dos dois candidatos que avançaram. Especialistas apontam que a decisão do TRE-RJ é inédita em magnitude e pode estabelecer um precedente perigoso para o sistema eleitoral brasileiro.

**Análise**

Do ponto de vista econômico, a incerteza política é um dos principais fatores que afastam investidores. O Rio de Janeiro, maior economia do país depois de São Paulo, depende fortemente de setores como petróleo e gás, turismo e serviços. Qualquer sinal de fragilidade institucional pode levar à postergação de decisões de investimento, afetando a geração de empregos e a arrecadação de impostos. Paes, que tem se destacado por uma gestão voltada para a atração de capital privado, vê na anulação dos votos um obstáculo adicional.

Além disso, a judicialização do processo eleitoral tende a alongar o período de transição política, criando um vácuo de governança. Empresas que planejam expandir suas operações no estado podem esperar até que o cenário se estabilize, o que retarda o crescimento econômico. O recurso ao STF, por sua vez, pode levar meses para ser julgado, mantendo a incerteza por um período prolongado.

Outro ponto levantado por analistas é o impacto sobre a credibilidade das urnas eletrônicas e do sistema de votação. Embora a anulação não esteja relacionada a fraudes tecnológicas, mas sim a irregularidades na campanha, a percepção de que votos podem ser descartados por decisões judiciais enfraquece a confiança popular no processo democrático. Isso, por sua vez, pode reduzir a participação eleitoral e aumentar a polarização, fatores que historicamente geram volatilidade nos mercados financeiros.

Paes, ao recorrer ao STF, busca não apenas reverter a anulação, mas também obter uma sinalização clara sobre os limites da atuação da Justiça Eleitoral. Em sua argumentação, o prefeito deve sustentar que a anulação de votos já computados viola o princípio da segurança jurídica, essencial para o ambiente de negócios. Caso o STF acolha o recurso, a decisão do TRE-RJ será suspensa, e os votos de Garotinho voltarão a ser contabilizados, ao menos provisoriamente.

**Fontes**

Declaração de Eduardo Paes à imprensa em 8 de outubro de 2026; decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) publicada em 5 de outubro de 2026; informações sobre o sistema eleitoral brasileiro disponíveis no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE); análise de economistas do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE/FGV) sobre impacto de incerteza política em investimentos.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.