**Lead**
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) declarou, durante um encontro com apoiadores na capital paulista, que não subestima o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e que o campo conservador está “confiante” na vitória de seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), nas eleições presidenciais de 2026. As declarações foram recebidas com entusiasmo pela militância e reacenderam o debate sobre a unidade da direita em torno de um nome único para o pleito. Eduardo enfatizou que o grupo político familiar está coeso e preparado para enfrentar o atual cenário nacional.
**Contexto**
As palavras de Eduardo Bolsonaro ocorrem em um momento de intensa movimentação nos bastidores da política brasileira. O ex-presidente Jair Bolsonaro, pai dos dois, segue inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), condenado por abuso de poder político e uso indevido dos meios de comunicação durante a campanha de 2022. Com isso, o nome do senador Flávio Bolsonaro ganhou força dentro do Partido Liberal (PL) como o principal herdeiro político da família para a disputa presidencial. Flávio, que exerce o primeiro mandato no Senado, tem percorrido estados em uma agenda de pré-candidatura, encontrando lideranças regionais e discursando em eventos partidários.
Eduardo, por sua vez, é uma das vozes mais ativas do bolsonarismo no Congresso. Conhecido por seu tom combativo e presença constante nas redes sociais, o deputado tem atuado como articulador entre o PL e outras legendas de direita. Sua declaração de que “não se deve subestimar Lula” é vista por analistas como um reconhecimento tático da força eleitoral do petista, que, apesar da idade avançada e das crises enfrentadas pelo governo, mantém uma base fiel de eleitores. Lula, que completou 79 anos em outubro de 2025, ainda não confirmou se tentará a reeleição, mas é dado como certo que será o candidato do PT caso sua saúde permita. Pesquisas internas do partido indicam que Lula continua competitivo em cenários de segundo turno contra qualquer nome da oposição.
A escolha de Flávio Bolsonaro como potencial candidato, no entanto, não é consensual. Parte do PL defende que o partido busque uma figura de centro-direita, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para atrair eleitores moderados. Outros nomes, como a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) e o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), também são cotados. Eduardo Bolsonaro, ao manifestar publicamente sua confiança no irmão, tenta consolidar a candidatura de Flávio e evitar uma fragmentação da direita, que poderia beneficiar Lula ou outro nome da esquerda.
**Análise**
As declarações de Eduardo Bolsonaro revelam uma estratégia dupla: ao mesmo tempo que exalta o nome de Flávio, o deputado reconhece que Lula não pode ser tratado como adversário fraco. Essa postura é um contraste com discursos anteriores de membros da família Bolsonaro, que frequentemente minimizavam a capacidade política do petista. A mudança de tom pode indicar uma maturidade política do grupo, que aprendeu com as campanhas passadas a importância de não subestimar rivais. Lula, mesmo enfrentando dificuldades econômicas e escândalos no governo, demonstrou em 2022 que sua máquina eleitoral é potente, sobretudo no Nordeste e entre eleitores de baixa renda.
Por outro lado, ao prever a vitória de Flávio com tanta convicção, Eduardo corre o risco de gerar expectativas exageradas entre os apoiadores. O senador ainda não tem o mesmo cacife eleitoral do pai; seu nome é menos conhecido nacionalmente e sua atuação no Senado tem sido discreta. A vantagem de Flávio, porém, é o sobrenome e a fidelidade da base bolsonarista, que vê nele a continuidade do projeto político de Jair Bolsonaro. Se a candidatura se concretizar, a campanha deverá apostar na nostalgia do governo anterior e em críticas ao atual governo Lula, especialmente nas áreas de segurança pública, economia e costumes.
Além disso, a declaração de Eduardo também serve para testar a reação dos partidos aliados e do próprio eleitorado. Se a pré-candidatura de Flávio angariar apoio consistente, ela pode se tornar inevitável; caso contrário, o PL terá tempo de buscar alternativas. O horizonte eleitoral de 2026 promete ser um dos mais polarizados da história recente, com a direita tentando se reorganizar após a derrota de 2022 e a esquerda lutando para manter o poder. Nesse cenário, cada declaração de lideranças políticas ganha importância estratégica, e a fala de Eduardo Bolsonaro é mais um capítulo dessa complexa trama.
**Fontes**
As informações deste artigo foram baseadas em declarações públicas de Eduardo Bolsonaro durante evento do Partido Liberal em São Paulo, ocorrido no dia 26 de outubro de 2025, e em reportagens de veículos como O Globo, Folha de S.Paulo e UOL, que cobriram o ato. Dados sobre a inelegibilidade de Jair Bolsonaro foram obtidos junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A possível candidatura de Flávio Bolsonaro foi mencionada em notas oficiais do PL e em entrevistas do presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto. Informações sobre pesquisas internas partidárias não foram divulgadas publicamente e são citadas apenas como tendência geral.
Por Renan Filho · 2026-10-25