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Eduardo Bolsonaro defende que Flávio deixe o Brasil se Lula vencer no 2º turno; declaração acende alerta de segurança

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-23

Deputado federal afirma ser favorável à saída do irmão senador do país caso o candidato petista seja reeleito na disputa presidencial. Especialistas em segurança pública veem risco de escalada de tensão política e ameaças à ordem institucional.

**Lead** O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) declarou publicamente que é favorável a que seu irmão, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), deixe o Brasil caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vença a eleição presidencial no segundo turno. A afirmação, feita durante um encontro com apoiadores na última segunda-feira (19), foi interpretada por analistas políticos e de segurança como um sinal de radicalização do discurso bolsonarista e gerou preocupação quanto à possibilidade de novos atos de violência ou de desestabilização democrática.

**Contexto** A declaração de Eduardo ocorre em meio ao acirramento da campanha eleitoral, com pesquisas apontando empate técnico entre os dois candidatos principais. A família Bolsonaro, que nos últimos anos enfrentou investigações judiciais e ameaças de prisão, já havia sinalizado em ocasiões anteriores que poderia buscar refúgio em outros países — especialmente nos Estados Unidos, onde o ex-presidente Jair Bolsonaro passou uma temporada após o fim de seu mandato. O senador Flávio Bolsonaro, por sua vez, é alvo de inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Tribunal de Contas da União (TCU), relacionados a supostas irregularidades administrativas e lavagem de dinheiro — investigações que ele alega terem motivação política.

A fala de Eduardo não é inédita: em 2020, durante a campanha municipal, ele já havia insinuado que a derrota de Jair Bolsonaro nas urnas poderia “levar o Brasil a uma crise”. Desta vez, porém, o alvo é o irmão mais velho, o que sugere uma preparação da família para cenários de pressão judicial no caso de vitória de Lula. Em seus discursos, Eduardo tem repetido que “a Justiça virou um instrumento de perseguição” e que “não há garantias de segurança para quem pensa diferente”. Tais argumentos, embora sem apresentar provas concretas, encontram eco entre parte da base conservadora, que teme represálias políticas em uma eventual gestão petista.

**Análise** A defesa pública de que um senador da República deixe o país antes de qualquer condenação judicial levanta questões graves de segurança nacional. Para especialistas em segurança pública e democracia, a declaração de Eduardo Bolsonaro serve como combustível para a radicalização de grupos extremistas que já demonstraram disposição para atos violentos, como os ataques de 8 de janeiro de 2023. Se um parlamentar, com foro privilegiado e acesso a inteligência de Estado, sinaliza que a derrota eleitoral pode justificar o exílio, o risco é que cidadãos comuns interpretem o gesto como uma licença para desobedecer às instituições ou para reagir com violência.

Do ponto de vista da segurança pública, a simples existência de um debate sobre a saída de autoridades eleitas do território nacional cria um vácuo de autoridade e alimenta narrativas de que o sistema judiciário é “parcial”. Em democracias consolidadas, a alternância de poder é natural e não gera a necessidade de fuga dos derrotados. A insinuação de que uma vitória de Lula representaria um risco físico para determinados políticos pode incitar seguidores a agir de forma preventiva — seja bloqueando estradas, invadindo prédios públicos ou atacando adversários. O próprio Ministério da Justiça e Segurança Pública monitora o aumento de discursos de ódio nas redes sociais, que frequentemente mencionam os nomes dos irmãos Bolsonaro como símbolos de resistência.

Além disso, a questão envolve a segurança dos próprios envolvidos. Caso Flávio Bolsonaro decida deixar o país, haveria necessidade de articulação diplomática e escolta policial até o embarque, o que poderia gerar tumultos. Também abre precedente para que outros investigados busquem asilo político, enfraquecendo a credibilidade do sistema de Justiça brasileiro. O Itamaraty, por exemplo, teria que lidar com pedidos de extradição e acordos internacionais — um custo político e logístico elevado.

Por fim, a declaração de Eduardo Bolsonaro deve ser lida como parte de uma estratégia de pressão sobre o eleitorado indefinido. Ao mostrar que a família “não tem garantias”, ele tenta convencer indecisos de que a volta de Lula significará uma “caça às bruxas”. No entanto, tal narrativa, quando reproduzida por milícias digitais e canais de apoiadores, cria um clima de medo e ruptura que pode, ela mesma, gerar os conflitos que diz pretender evitar. Autoridades de segurança alertam que as forças policiais precisam se preparar para conter eventuais distúrbios pós-eleitorais, independentemente do resultado.

**Fontes** A declaração de Eduardo Bolsonaro foi reportada por veículos como UOL, G1 e Folha de S.Paulo, com base em vídeos e transmissões ao vivo do evento. Informações sobre os inquéritos contra Flávio Bolsonaro constam do site do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal de Contas da União. A análise de segurança pública fundamenta-se em relatórios do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e em entrevistas de especialistas em democracia e radicalização política publicadas pelo Estadão e pela Revista Piauí.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.