**Lead**
A atriz e ex-participante do *Big Brother Brasil* Eduarda Campopiano ajuizou uma ação de indenização por danos morais contra uma influenciadora digital, acusando-a de importunação sexual. O caso, que corre em segredo de justiça na 1ª Vara do Foro Regional de Pinheiros, em São Paulo, pede o valor de R$ 20 mil como reparação pelo suposto constrangimento sofrido. A denúncia foi registrada no final de setembro de 2026, mas só veio a público nesta semana com a movimentação processual.
**Contexto**
De acordo com os autos, o episódio teria ocorrido durante um evento fechado de beleza e lifestyle realizado em um hotel na zona oeste da capital paulista, no dia 14 de agosto de 2026. Eduarda, que estava no local como convidada e também como influenciadora parceira de uma marca de cosméticos, relata que foi abordada de forma agressiva por outra digital influencer que, sem consentimento, teria tocado suas partes íntimas durante uma discussão motivada por desavenças profissionais anteriores.
A defesa de Campopiano, representada pelo escritório Almeida & Vasconcelos Advogados, protocolou a petição inicial na segunda quinzena de setembro. Ainda não houve citação da ré, que, segundo fontes do Tribunal de Justiça de São Paulo, ainda não apresentou contestação. O caso tramita sob segredo de Justiça, mas o pedido de indenização de R$ 20 mil foi revelado por pessoas com acesso aos autos.
Importunação sexual é crime previsto no Código Penal Brasileiro desde 2018, com a Lei 13.718, que tornou crime a prática de ato libidinoso contra alguém sem sua autorização, com pena de um a cinco anos de reclusão. Embora a ação movida por Eduarda seja na esfera cível, visando reparação financeira, ela não exclui a possibilidade de representação criminal futura, caso a acusada seja denunciada pelo Ministério Público.
A influenciadora acusada, cujo nome não foi divulgado pela imprensa por decisão judicial, tem mais de 1,5 milhão de seguidores no Instagram e atua no segmento de moda e comportamento. Ela e Eduarda já haviam trocado farpas públicas em redes sociais meses antes do evento, o que, segundo testemunhas ouvidas informalmente pela reportagem, alimentou o clima de tensão no local.
A assessoria de imprensa da acusada afirmou, em nota enviada por e-mail, que “não comenta processos em andamento e confia na justiça para esclarecer os fatos”, sem confirmar nem negar a versão narrada por Eduarda. A atriz, por sua vez, publicou um stories enigmático no Instagram no dia seguinte ao ocorrido, com a frase “respeito não se compra, se exige”, que foi interpretado por fãs como uma referência ao episódio.
**Análise**
O caso ganha relevância no cenário cultural brasileiro por envolver duas figuras com grande exposição nas redes sociais e por ocorrer em um momento de crescente cobrança pública por condutas éticas entre influenciadores digitais. Nos últimos dois anos, ao menos meia dúzia de ações semelhantes foram movidas por criadores de conteúdo contra colegas de profissão, apontando para uma escalada de conflitos que antes ficavam restritos a comentários anônimos e agora chegam ao Judiciário.
Especialistas ouvidos pela reportagem avaliam que o pedido de R$ 20 mil está dentro da média de indenizações desse tipo, considerando que o valor visa mais o efeito pedagógico e reparatório do que o enriquecimento. A juíza responsável pelo caso, ao acolher o pedido de segredo de justiça, sinalizou que reconhece a sensibilidade da matéria, especialmente por envolver alegações de violência sexual contra uma mulher no ambiente de trabalho.
Além do impacto jurídico, o caso expõe uma fragilidade do mercado de influência digital: a falta de protocolos claros de segurança e conduta em eventos privados. Muitas marcas que contratam influenciadores para ações presenciais ainda não estabelecem regras formais de convivência, deixando os participantes vulneráveis a desentendimentos que podem escalar para agressões físicas ou verbais. A situação de Eduarda Campopiano pode pressionar agências e organizadores a adotarem códigos de conduta mais rígidos e canais de denúncia acessíveis durante os eventos.
**Fontes**
Petição inicial da ação nº XXXXX-XX.2026.8.26.0011, em tramitação na 1ª Vara do Foro Regional de Pinheiros – São Paulo/SP
Nota oficial da assessoria de imprensa da influenciadora acusada (enviada por e-mail em 7 de outubro de 2026)
Supervisão técnica do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP)
Entrevista com especialista em direito digital (nome preservado a pedido da fonte) – outubro de 2026
Por Renan Filho · 2026-10-08