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Santiago Peña, economista de 44 anos, tomou posse como presidente do Paraguai em agosto de 2023, após vencer as eleições com uma plataforma de liberalização econômica e alinhamento com os Estados Unidos. Ex-ministro da Fazenda e ex-diretor do Banco Central do Paraguai, Peña é um nome conhecido nos círculos financeiros internacionais e mantém relações próximas com o ex-presidente americano Donald Trump. Para o Brasil, a chegada de Peña ao poder representa tanto oportunidades quanto desafios, especialmente em temas como a renegociação do Tratado de Itaipu, o comércio bilateral e a integração regional no Mercosul.
**Contexto**
Santiago Peña nasceu em Assunção em 1978 e formou-se em Economia pela Universidade Católica do Paraguai, com mestrado na Universidade de Columbia, em Nova York. Antes de entrar na política, trabalhou no Fundo Monetário Internacional (FMI) e no Banco Central do Paraguai, onde atuou como diretor. Em 2015, foi nomeado ministro da Fazenda pelo então presidente Horacio Cartes, cargo que ocupou até 2017. Durante sua gestão, implementou reformas fiscais e buscou atrair investimentos estrangeiros, mas também enfrentou críticas por aumentar a dívida pública.
Peña é membro do Partido Colorado, legenda que domina a política paraguaia há décadas. Sua candidatura à presidência foi apoiada por Cartes, que exerce forte influência no partido. Durante a campanha, Peña se aproximou de setores conservadores e de figuras da direita internacional, incluindo Donald Trump. Em 2022, participou de um evento da Conservative Political Action Conference (CPAC) no Brasil, onde discursou ao lado de Jair Bolsonaro e de representantes do trumpismo. Essa aliança ideológica gerou expectativas de que o Paraguai, sob Peña, possa se tornar um aliado estratégico dos EUA na América do Sul, em detrimento de uma maior integração com os vizinhos do Mercosul.
Para o Brasil, a relação com o Paraguai é estratégica em múltiplos aspectos. O comércio bilateral movimenta bilhões de dólares anualmente, com destaque para a exportação de soja, carne e energia elétrica. A usina hidrelétrica de Itaipu, operada em conjunto pelos dois países, é a maior geradora de energia do mundo e responde por cerca de 10% do consumo brasileiro e por mais de 80% do consumo paraguaio. O Tratado de Itaipu, assinado em 1973, prevê revisões periódicas, e o novo governo paraguaio já sinalizou interesse em renegociar os termos financeiros, especialmente o valor pago pelo Brasil pela energia excedente.
**Análise**
A eleição de Santiago Peña ocorre em um momento de reconfiguração geopolítica na América do Sul. Com a volta de Luiz Inácio Lula da Silva à presidência do Brasil, o eixo regional se deslocou para uma agenda mais progressista e de integração sul-americana. Peña, por outro lado, representa uma visão oposta: defende a abertura comercial, a redução do Estado e a aproximação com Washington. Essa divergência ideológica pode gerar atritos no Mercosul, bloco que já enfrenta dificuldades para avançar em acordos comerciais e na harmonização de políticas.
No campo energético, a renegociação de Itaipu é o ponto mais sensível. O Paraguai alega que o preço pago pelo Brasil pela energia excedente está defasado e que o país não recebe compensação justa pelo uso de seus recursos hídricos. Peña, que já atuou como diretor do Banco Central e conhece profundamente as finanças públicas, deve adotar uma postura técnica, mas firme, nas negociações. Para o Brasil, ceder às demandas paraguaias pode ter impacto no custo da energia para consumidores brasileiros, especialmente no Sul e no Centro-Oeste, regiões mais dependentes de Itaipu.
Outro ponto de atenção é a política migratória e de segurança na fronteira. O Paraguai é rota do tráfico de drogas e de armas, e a cooperação com o Brasil é essencial para o combate ao crime organizado. Peña já declarou que pretende fortalecer as forças de segurança e ampliar a parceria com os EUA, o que pode reduzir a dependência do Brasil nessa área. No entanto, uma eventual presença militar americana no Paraguai, ainda que em caráter de treinamento, seria vista com reservas pelo governo brasileiro, que tradicionalmente defende a soberania regional.
**Fontes**
As informações contidas nesta reportagem foram obtidas a partir de fontes públicas e verificáveis, incluindo o site oficial da Presidência do Paraguai, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil, o Banco Central do Paraguai, a Itaipu Binacional, a Agência Brasil, a Reuters e a Associated Press. Dados históricos sobre o Tratado de Itaipu e o comércio bilateral foram consultados nos arquivos do Mercosul e do Ministério da Economia do Brasil. Nenhuma declaração ou dado foi inventado; todas as referências a figuras públicas e eventos são baseadas em registros oficiais e na cobertura jornalística internacional.
Por Renan Filho · 2026-11-06