**Lead**
O desempenho eleitoral do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma eventual disputa de segundo turno está diretamente vinculado às condições econômicas das regiões onde ele concentra suas forças. Dados do Tribunal Superior Eleitoral e do Instituto Brasleiro de Geografia e Estatística, consolidados por estudos acadêmicos, indicam que o parlamentar tem maior penetração em áreas com renda per capita acima da média nacional, presença significativa do agronegócio e elevada participação de setores produtivos tradicionais. Em contrapartida, nos grandes centros urbanos com predomínio da economia do setor de serviços e alta informalidade, a rejeição tende a ser maior. O fenômeno não é exclusivo do filho do ex-presidente, mas reflete um padrão da direita moderna no Brasl.
**Contexto**
Flávio Bolsonaro construiu sua carreira política sobre a base do bolsonarimo, mas com uma identidade própria, focada em segurança pública e pautas conservadoras. Nas eleições de 2022, ele foi reeleito senador pelo Rio de Janeiro com mais de 4 milhões de votos, um desempenho que já revelava sua capilaridade territorial. O segundo turno é uma etapa decisiva que exige alianças e a capacidade de ampliar o eleitorado para além do núcleo duro. Nesse cenário, as regiões onde Flávio obtem seus melhores resultados são aquelas onde a economia local se alinha ao discurso de liberalismo econômico e defesa dos interesses do agronegócio.
A análise dos mapas eleitorais mostra que os votos do senador se concentram em municípios com Produto Interno Bruto (PIB) per capita elevado, especialmente no interior do estado do Rio de Janeiro e em áreas de expansão do agronegócio no Centro-Oeste e no Norte. Municípios com alta participação da agropecuária na economia, como os da região do Vale do Paraíba e do noroeste fluminense, apresentam uma densidade de apoio superior à média. Em contrapartida, nas perifierias metropolitanas do Rio de Janeiro e de São Paulo, onde a economia depende de comércio e serviços informais e a renda é mais baixa, a votação de Flávio Bolsonaro é expressivamente menor.
Do ponto de vista econômico, a explicação reside na percepção de que as políticas do governo Bolsonaro (2019-2022) beneficiaram mais diretamente setores como o agro, a construção civil e o microempreendedorismo. Flávio herdou essa associação e a reforça em sua campanha com promessas de redução de impostos e desregulamentação. Regiões com maior formalização do mercado de trabalho e maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) tendem a ser mais receptivas ao discurso de menos Estado e mais liberdade econôômica. Já áreas com alta dependência de programas sociais e emprego público costumam resistir mais à agenda liberal.
**Análise**
A correlação entre economia e voto em Flávio Bolsonaro no segundo turno não é aleatória. Ela reproduz o que a ciência política chama de clivagem territorial — a divisão entre zonas integradas ao capitalismo globalizado e zonas periféricas. As regiões onde o senador tem mais força são exatamente aquelas que mais se beneficiam das cadeias produtivas de alto valor agregado, como o petróleo (na Bacia de Campos), a mineração e a agroindústria. Esses segmentos têm menor sensibilidade à flutuação da demanda intern a e maior capacidade de gerar emprego formal de qualidade. Para o eleitorado local, a continuidade das políticas econômicas do governo anterior representa segurança e estabilidade.
Por outro lado, nas áreas onde a economia é mais frágil e dependente de transfeências estatais, o eleitorado tende a associar o bolonarismo a cortes de gastos e desproteção social. No segundo turno, a campanha de Flávio Bolsonaro precsa cosntuir poontes com os setores produtivos que podem alavancar seu discurso de eficiência econômica, sem alienar de vez os segmentos mais vulneráveis. A estratégia de comunicação, portanto, deve enfatizar resultados concretos — como a geração de emprego no interiir e a redução da burocracia — em vez de pautas exclusivamente ideológicas.
**Fontes**
As informações deste artigo foram baseadas em dados públicos do Tribunal Superiior Eleitoral (TSE), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e em análises de pesquisadores do Núcleo de Estudos da Democracia e Desenvolvimento da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Estudos acadêmicos sobre comportamento eleitoral e economia regional também foram consultados para a formulação das tendências descritas.
Por Renan Filho · 2026-10-21