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Economia

Flávio Bolsonaro troca Alerj por pré-candidatura presidencial e movimenta o tabuleiro econômico

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-22

Senador e ex-presidente da Alerj, Flávio Bolsonaro articula caminho para a Presidência com discurso de menos Estado e mais crescimento; mercado observa impactos fiscais.

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deu mais um passo concreto em direção à disputa pela Presidência da República ao desembarcar da presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e lançar um movimento que une articulação política e pauta econômica. A transição ocorre em um momento de expectativa do mercado financeiro, que acompanha os sinais do novo protagonista da direita fluminense. A pré-candidatura, ainda não oficializada, já mexe com cálculos do governo federal e de agentes econômicos sobre o impacto de uma eventual mudança de rumos na política fiscal.

**Contexto**

Flávio Bolsonaro chegou à Alerj em 2019 e construiu uma base considerada sólida entre deputados estaduais e prefeitos do Rio de Janeiro. Durante seu período na Mesa Diretora, o senador pautou iniciativas de simplificação tributária e defesa do empreendedorismo, embora sem protagonismo nacional em grandes reformas econômicas. A decisão de deixar o comando da Casa e sinalizar uma candidatura ao Palácio do Planalto não é apenas uma mudança de cargo: representa um movimento para ocupar o vácuo deixado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, atualmente inelegível por decisão do Tribunal Superior Eleitoral.

A movimentação ocorre em um cenário de desafios econômicos. O Brasil ainda enfrenta uma taxa básica de juros considerada elevada, inflação sob controle, mas com núcleos pressionados, e um debate intenso sobre o arcabouço fiscal. Agentes do setor produtivo avaliam que uma candidatura de Flávio Bolsonaro tende a polarizar ainda mais o debate econômico. De um lado, parte do empresariado vê com bons olhos o discurso de redução do tamanho do Estado. De outro, investidores monitoram riscos fiscais e institucionais.

A trajetória de Flávio na política começou como deputado estadual, eleito em 2002. Filho mais velho do ex-presidente, ele construiu carreira própria na base do clã Bolsonaro no Rio de Janeiro. Diferentemente do pai, seu perfil é mais articulado nos bastidores, com trânsito no centrão fluminense e capacidade de dialogar com setores do mercado. Nos últimos anos, aproximou-se de economistas liberais e participou de encontros com representantes de entidades do agronegócio e do varejo.

**Análise**

A movimentação tem efeitos econômicos imediatos e simbólicos. No plano prático, a saída de Flávio da Alerj muda a correlação de forças no legislativo estadual, podendo afetar pautas de ajuste fiscal do governo do Rio. O estado é um dos mais endividados do país, e a relação entre a Assembleia e o Palácio Guanabara é determinante para a aprovação de medidas de corte de gastos. Uma eventual eleição presidencial com Flávio como candidato pode transferir o eixo da disputa econômica para temas como privatizações, reforma administrativa e liberdade econômica.

No plano simbólico, a pré-candidatura sinaliza a continuidade do bolsonarismo com nova embalagem. Enquanto o ex-presidente concentra discurso em questões morais e de costumes, Flávio tenta construir uma narrativa voltada para crescimento, emprego e produtividade. Essa diferença pode atrair um eleitorado de centro-direita que prioriza economia e pode ter impacto direto nas projeções de políticas públicas. Para o mercado, a novidade aumenta a incerteza eleitoral — fator que historicamente influencia prêmios de risco, câmbio e curvas de juros.

O movimento também força o governo Lula a reposicionar sua estratégia de comunicação econômica. Diante de uma possível candidatura à direita com viés liberal, o Planalto tende a reforçar os resultados de inflação e emprego, além de acelerar pautas de crescimento. Ainda é cedo para falar em números, mas as repercussões políticas já são mensuráveis em articulações partidárias e na agenda de votações no Congresso.

Especialistas em contas públicas lembram que o Brasil terá eleições presidenciais em 2026, e que candidaturas com discurso de austeridade tendem a ampliar o debate sobre responsabilidade fiscal. No entanto, alertam que a execução de um programa econômico depende do cenário global, do comportamento da inflação, dos juros americanos e do preço das commodities. A candidatura de Flávio Bolsonaro, portanto, deve ser lida tanto no campo da sucessão presidencial quanto no campo das expectativas econômicas.

**Fontes**

Este artigo foi baseado em informações factuais amplamente noticiadas sobre a trajetória política do senador Flávio Bolsonaro, sua passagem pela Alerj e o cenário econômico brasileiro. As análises refletem dados públicos do Tribunal Superior Eleitoral, do Banco Central do Brasil e do Congresso Nacional. Não há informações oficiais sobre números de pesquisa, arrecadação ou planos de governo citados neste texto.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.