FORTIS
← FORTIS
Politica

EBC nega responsabilidade por falha de áudio em propaganda de Flávio Bolsonaro na TV pública

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-10-12

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) rejeitou as acusações de que teria omitido intencionalmente o som durante a inserção do candidato no horário eleitoral. O episódio acirra o debate sobre isenção da comunicação pública.

**Lead**

A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) negou formalmente ter qualquer responsabilidade pela ausência de áudio na propaganda eleitoral do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) veiculada na última terça-feira, 10 de outubro, durante o horário gratuito de rádio e televisão. A falha técnica, que silenciou por cerca de 15 segundos o início do programa do candidato à Presidência da República, gerou imediata reação de sua equipe de campanha, que apontou sabotagem. A estatal, porém, afirmou que a rede pública apenas retransmite o conteúdo fornecido pelos partidos e que a responsabilidade pela integridade do material é exclusiva das assessorias de comunicação dos candidatos.

**Contexto**

A propaganda eleitoral gratuita é um dos pilares do sistema democrático brasileiro, garantindo espaço equitativo a todos os concorrentes. A transmissão é feita por emissoras de rádio e televisão, incluindo a TV Brasil, gerida pela EBC, que opera sob concessão pública. No caso do programa de Flávio Bolsonaro, o áudio falhou no momento em que o locutor anunciava o nome do candidato, gerando um vácuo sonoro que foi preenchido apenas por ruídos de fundo. A assessoria do senador divulgou nota afirmando que o problema não ocorreu durante a gravação do material e que as emissoras teriam a obrigação de verificar a qualidade do sinal antes da exibição. Em contrapartida, a EBC, em comunicado oficial, esclareceu que sua função se limita à retransmissão do sinal recebido das centrais partidárias, não cabendo à estatal qualquer interferência no conteúdo. A empresa também destacou que protocolos técnicos são seguidos rigorosamente e que não houve qualquer falha em seus equipamentos. O incidente ocorre em um momento de grande polarização política, onde cada detalhe da campanha é escrutinado por apoiadores e adversários. Flávio Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, busca capitalizar o eleitorado conservador, enquanto enfrenta críticas da oposição, que o acusa de usar a máquina pública para benefício próprio. A EBC, por sua vez, tem sido alvo de desconfiança de ambos os lados: governistas a acusam de parcialidade a favor da esquerda, enquanto a oposição alega que a estatal estaria a serviço do governo federal. A negação de responsabilidade pela falha de áudio insere-se nesse contexto de desgaste e falta de credibilidade institucional. A legislação eleitoral brasileira estabelece que as emissoras devem disponibilizar o espaço, mas o conteúdo é de inteira responsabilidade dos partidos. A Justiça Eleitoral, por meio do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), regula o processo e pode investigar eventuais irregularidades. Até o momento, não há registro de reclamação formal protocolada pela campanha de Flávio Bolsonaro junto ao TSE. A assessoria do senador, contudo, sinalizou que estuda medidas legais para apurar se houve dolo por parte da EBC.

**Análise**

O episódio expõe a fragilidade das relações entre candidatos e os meios de comunicação pública em um ambiente eleitoral já tensionado. A EBC, criada para ser um canal de informação isenta e plural, vê-se constantemente no centro de controvérsias políticas, ora acusada de favorecimento, ora de omissão. No caso específico, a ausência de som pode ter sido meramente técnica, mas a interpretação política é imediata: para a base bolsonarista, trata-se de mais um exemplo de perseguição institucional; para os críticos do senador, a reclamação é um pretexto para desacreditar a comunicação pública. A falta de transparência na apuração dos fatos e a demora na divulgação de laudos técnicos por parte das partes envolvidas contribuem para a disseminação de versões contraditórias. O que se sabe é que a EBC afirma ter cumprido seu papel, enquanto a campanha de Flávio Bolsonaro sustenta que o erro não foi interno. Sem uma investigação independente e célere, o incidente tende a se tornar mais um elemento de ruído na campanha eleitoral, desviando o foco dos debates de propostas. Para a sociedade, resta a dúvida sobre a confiabilidade do sistema de propaganda eleitoral, que depende de uma cadeia de responsabilidades nem sempre clara. As emissoras públicas, em particular, precisam reforçar seus mecanismos de controle e comunicação com os partidos para evitar que falhas técnicas sejam instrumentalizadas politicamente. A polarização atual não permite meios-termos: cada evento é transformado em bandeira de luta. A EBC, ao se defender, tenta preservar sua imagem, mas o desgaste é inevitável. O episódio também coloca em xeque a necessidade de modernização dos equipamentos e protocolos de transmissão, pois a tecnologia digital permite maior monitoramento em tempo real. Se a estatal dispõe de sistemas de backup e verificação, por que não evitaram o problema? A resposta oficial não convenceu os críticos. Enquanto isso, o candidato Flávio Bolsonaro usa o ocorrido para reforçar seu discurso de que o establishment tenta silenciá-lo — literalmente. A campanha deve explorar o incidente em novas peças publicitárias, transformando a falha em mote de mobilização.

**Fontes**

EBC – Nota oficial divulgada em 11 de outubro de 2026; assessoria de imprensa do senador Flávio Bolsonaro; legislação eleitoral brasileira (Lei nº 9.504/1997); Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.