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Seguranca

Durigan defende criação de condições para queda dos juros como medida de segurança econômica

Renan Filho Por Renan Filho · 2026-11-05

Ex-secretário executivo do Ministério da Economia, Dario Durigan, afirmou que é preciso avançar em reformas e estabilidade fiscal para permitir a redução da taxa básica de juros, essencial para a segurança financeira do Brasil.

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O ex-secretário executivo do Ministério da Economia, Dario Durigan, afirmou nesta quinta-feira que o Brasil precisa criar condições estruturais para viabilizar a queda da taxa básica de juros, a Selic, atualmente em patamares elevados. Em declaração durante evento sobre segurança econômica, Durigan destacou que a política monetária restritiva, embora necessária no curto prazo para conter a inflação, não pode ser mantida indefinidamente sem comprometer a capacidade de crescimento e a estabilidade social do país. Para ele, a redução dos juros é uma questão de segurança nacional, pois impacta diretamente o investimento, o emprego e a sustentabilidade da dívida pública.

**Contexto**

A taxa Selic foi elevada pelo Banco Central para combater a inflação, que tem pressionado os preços de alimentos e energia. No entanto, juros altos encarecem o crédito, desestimulam o consumo e a produção, e aumentam o custo da dívida pública. Durigan, que ocupou cargo de número dois na pasta da Economia durante o governo anterior, argumentou que a mera política monetária não é suficiente. É preciso avançar em reformas que aumentem a produtividade, reduzam o risco fiscal e promovam a confiança dos investidores.

O ex-secretário lembrou que o Brasil já experimentou períodos de juros historicamente baixos, como entre 2019 e 2021, quando a Selic atingiu 2% ao ano. Naquela ocasião, a combinação de reformas (como a da Previdência e a independência do Banco Central) e um ambiente externo favorável permitiu a queda. Hoje, o cenário é mais desafiador: inflação persistente, incertezas fiscais e pressões externas, como a alta dos juros nos Estados Unidos, dificultam o afrouxamento monetário. Contudo, Durigan alertou que manter juros elevados por muito tempo pode gerar desemprego e aumento da informalidade, o que, por sua vez, alimenta a insegurança social e econômica.

**Análise**

A fala de Durigan insere-se em um debate mais amplo sobre o papel do Estado na promoção da segurança econômica. Não se trata apenas de controlar a inflação, mas de garantir que o crescimento seja sustentável e que a população não seja penalizada por décadas de juros reais entre os mais altos do mundo. Para especialistas, a redução dos juros depende de um tripé: credibilidade fiscal, âncora inflacionária e reformas microeconômicas. Sem isso, qualquer tentativa de cortar a Selic será revertida rapidamente, gerando mais instabilidade.

Do ponto de vista da segurança, juros altos afetam diretamente a capacidade do Estado de investir em áreas como saúde, educação e segurança pública, já que parte significativa do orçamento é consumida pelo pagamento de juros da dívida. Além disso, empresas e famílias endividadas enfrentam maior risco de inadimplência, o que pode gerar crises sistêmicas. Durigan sugeriu que o governo atual precisa enviar sinais claros de compromisso com o equilíbrio das contas públicas, como a aprovação de um novo arcabouço fiscal e a reoneração de setores que foram desonerados durante a pandemia.

O ex-secretário também mencionou a importância de uma coordenação entre as políticas monetária e fiscal. Enquanto o Banco Central atua de forma independente, o Executivo precisa dar suporte por meio de medidas que reduzam as expectativas de inflação futura. Nesse sentido, a reforma tributária em andamento é um passo positivo, mas ainda há desafios como a desvinculação de receitas e o controle de gastos obrigatórios. Para Durigan, a segurança econômica do Brasil depende de um pacto nacional que priorize o crescimento com estabilidade.

**Fontes**

A declaração de Dario Durigan foi registrada durante o seminário “Segurança Econômica e Desenvolvimento”, realizado em Brasília, com cobertura de veículos como o Valor Econômico e a Agência Brasil. As informações sobre a taxa Selic e a dívida pública são provenientes do Banco Central do Brasil e do Tesouro Nacional.

Renan Filho
Sobre o autor
Renan Filho
Editor-Chefe do FORTIS News

Editor-chefe do FORTIS News. Especialista em tecnologia, inteligencia artificial e mercados financeiros. Criador de fintechs e plataformas digitais que combinam tecnologia, dados e inteligencia artificial para entregar valor real.