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O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Dario Durigan, afirmou nesta quarta-feira que o governo brasileiro precisa criar as condições necessárias para que a taxa básica de juros, a Selic, possa cair de forma mais expressiva. Em declaração a jornalistas durante evento econômico em Brasília, Durigan destacou que a política fiscal e o controle da inflação são pré-requisitos essenciais para que o Banco Central atue com mais flexibilidade na condução da política monetária.
**Contexto**
A declaração ocorre em meio ao debate sobre a trajetória da Selic, que, embora tenha iniciado um ciclo de cortes desde agosto de 2023, ainda se encontra em patamar considerado elevado, acima de dois dígitos. O Comitê de Política Monetária do Banco Central (COPOM) tem reduzido a taxa em ritmo gradual, de 0,25 ou 0,50 ponto percentual por reunião, mas pressões do governo e do setor produtivo pedem cortes mais agressivos para estimular o crédito e o investimento.
Durigan enfatizou que o governo está comprometido com a responsabilidade fiscal, buscando o equilíbrio nas contas públicas por meio do novo arcabouço fiscal aprovado em 2023. Ele mencionou medidas como o controle de despesas, a revisão de gastos tributários e o aumento da arrecadação com a reoneração de combustíveis e a tributação de fundos exclusivos. A expectativa é que essas ações contribuam para a redução da dívida pública e, consequentemente, para a queda dos juros de longo prazo.
Além disso, o secretário destacou a importância do comportamento da inflação. Dados recentes mostraram que o IPCA-15 e outros indicadores de preços seguem dentro da meta, mas com núcleos ainda pressionados. O governo reforça que a coordenação entre as politicas fiscal e monetária é crucial para ancorar as expectativas, de modo que as projeções de inflação convirjam para o centro da meta (3% ao ano).
**Análise**
A fala de Durigan reforça a linha oficial do Ministério da Fazenda de que o Banco Central, embora independente, responde aos sinais dados pela politica fiscal. Quando o governo demonstra compromisso com a sustentabilidade da dívida, o Copom ganha confiança para reduzir os juros sem risco de desancoragem inflacionária. Esse discurso é fundamental em um momento em que o país precisa de investimentos para retomar o crescimento econômico de forma sustentável.
Na prática, no entando, a relação entre o Executivo e a autoridade monetária tem sido marcada por tensões. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e outros membros do governo já criticaram publicamente o nível dos juros, classificando-os como um entrave ao desenvolvimento. Durigan, porém, adota uma abordagem mais técnica e conciliadora, evitando confrontos diretos com o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, ou com os diretores indicados pelo governo anterior.
A analise de economistas indica que, para garantir uma queda mais consistente da Selic, o governo precisa não apenas de ajustes fiscais, mas também de uma agenda de reformas microeconômicas que estimulem a produtividade e reduzam o custo Brasil. Medidas como a reforma tributária, aprovada no Congresso, e a melhoria do ambiente de negócios são consideradas complementares para que os juros estruturais diminuam no longo prazo.
A declaração de Durigan também ocorre em um cenário internacional desafiador, com juros elevados nos Estados Unidos e incertezas geopolíticas, que podem impactar o fluxo de capitais para o Brasil. Por iss,o governo entende que a sinalizaçã fiscal e o controole da inflaçã são ainda mais importantes parra manter a confiança dos ivnestidors estrangeiros e domésticos.
**Fontes**
Declaração de Dario Durigan, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, durante o evento 'Perspectivas Econômicas 2025', realizado em Brasília, no dia 5 de novembro de 2026. A informação foi confirmada por assessoria da pasta e repercutida em meios de comunicação como Reuters, Valor Econômico e GloboNews.
Por Renan Filho · 2026-11-05