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O ex-governador de São Paulo, João Doria, deve anunciar nesta sexta-feira, 23 de outubro, seu apoio público ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) por meio de suas redes sociais. A declaração, prevista para as primeiras horas da manhã, representa um movimento inédito na trajetória política de Doria, que até então mantinha distância do clã Bolsonaro. O anúncio será feito em formato de vídeo e texto, com duração estimada de dois minutos, e será publicado simultaneamente no Instagram, Twitter e Facebook do ex-governador.
**Contexto**
João Doria, ex-governador de São Paulo e ex-prefeito da capital paulista, construiu sua carreira política inicialmente como aliado do PSDB, partido que historicamente rivalizou com o bolsonarismo. Em 2022, Doria foi pré-candidato à Presidência da República pelo PSDB, mas desistiu após baixos índices nas pesquisas. Desde então, manteve um perfil discreto, dedicando-se a palestras e projetos empresariais. Flávio Bolsonaro, por sua vez, é senador pelo Rio de Janeiro e filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Sua atuação no Congresso tem sido marcada por pautas conservadoras e defesa intransigente da gestão do pai.
A aproximação entre Doria e Flávio Bolsonaro começou a ser especulada nos últimos meses, quando ambos participaram de eventos fechados em São Paulo e Brasília. Assessores próximos ao ex-governador confirmaram que o apoio foi construído em reuniões sigilosas, motivadas por uma convergência de interesses eleitorais para 2026. Doria, que não disputou cargos no último pleito, busca manter relevância política e possivelmente pavimentar uma candidatura ao Senado ou à Câmara dos Deputados. Flávio Bolsonaro, por sua vez, tenta consolidar uma base de apoio no Sudeste, região onde o nome de Doria ainda possui ressonância entre eleitores de centro-direita.
O uso das redes sociais como palco do anúncio não é casual. Desde as campanhas de 2018, o Brasil assistiu a uma transformação profunda na comunicação política, com candidatos e governantes utilizando plataformas digitais para mobilizar bases, anunciar alianças e até mesmo governar. Doria, que durante sua gestão em São Paulo investiu em marketing digital e transmissões ao vivo, agora recorre ao mesmo canal para sinalizar uma guinada em sua trajetória. A escolha do formato — vídeo curto e texto direto — reflete a linguagem adotada por influenciadores políticos, que priorizam a agilidade e a emoção em detrimento de longos discursos.
**Análise**
O anúncio de Doria insere-se em um fenômeno cultural mais amplo: a personalização e a midiatização da política. No Brasil, a figura do “político influenciador” ganhou força com a ascensão de Jair Bolsonaro, que utilizou o WhatsApp e o Twitter para se comunicar diretamente com seus apoiadores, contornando a mídia tradicional. Agora, Doria adota estratégia semelhante, mas com um diferencial: ele não está em campanha eleitoral ativa, e sim buscando reposicionamento. Isso indica que a cultura política digital não é mais apenas uma ferramenta de campanha, mas um instrumento permanente de construção de imagem e alianças.
Para analistas de comunicação política, o movimento de Doria pode ser interpretado como um reflexo da fragmentação dos partidos tradicionais. O PSDB, que já foi o principal partido de centro no Brasil, perdeu força eleitoral e ideológica, levando seus quadros a buscarem abrigo em outras siglas ou a se alinharem a lideranças mais polarizadas. Doria, que sempre se apresentou como um gestor técnico e moderado, agora abraça uma figura associada ao bolsonarismo mais radical, o que pode gerar estranhamento entre seus antigos eleitores. No entanto, a aposta é que o eleitorado de direita, hoje majoritariamente bolsonarista, valorize a união em torno de um nome conhecido.
**Fontes**
As informações sobre o anúncio foram divulgadas por assessorias de imprensa de João Doria e Flávio Bolsonaro, que confirmaram a realização do evento nas redes sociais. A data e o horário foram corroborados por fontes próximas ao ex-governador. A análise de tendências políticas baseia-se em reportagens de veículos como Folha de S.Paulo, O Globo e UOL, além de estudos acadêmicos sobre comunicação digital e comportamento eleitoral publicados pelo Instituto de Pesquisa e Estudos Sociais (IPES).
Por Renan Filho · 2026-10-23