**Dora Kramer: ‘Amor’ por Vorcaro explica omissão de Alcolumbre no esporte brasileiro**
**Por Renan Filho, FORTIS NEWS**
O esporte brasileiro, em especial o tênis de mesa, vive um paradoxo. Enquanto atletas como Hugo Calderano despontam no cenário internacional, a estrutura administrativa que deveria apoiá-los afunda em conchavos e omissões. Em artigo publicado na última quarta-feira (23) no jornal *O Estado de S. Paulo*, a jornalista Dora Kramer apontou um fator central para a estagnação da modalidade: a estreita relação pessoal entre o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP) e o ex-presidente da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBT), Paulo Vorcaro. Para Kramer, o que ela chama de “amor” — no sentido de complacência e lealdade pessoal acima do interesse público — explica a omissão de Alcolumbre em cobrar transparência e renovação na entidade.
**Contexto: O caso Vorcaro e a CBT**
Paulo Vorcaro comandou a CBT por 24 anos, até renunciar em meio a denúncias de má gestão, falta de prestação de contas e supostas irregularidades com recursos públicos. Durante seu longo mandato, a confederação recebeu milhões em verbas federais, via Lei de Incentivo ao Esporte e patrocínios estatais, mas os resultados de alto rendimento ficaram aquém do esperado — à exceção de Calderano, fruto mais de investimento privado e treinamento no exterior do que de políticas públicas. A gestão de Vorcaro foi marcada por denúncias de nepotismo e ausência de transparência. Em 2023, a Controladoria-Geral da União (CGU) identificou falhas graves na aplicação de recursos, e o Ministério do Esporte chegou a instaurar uma auditoria.
Apesar disso, Vorcaro manteve apoio político de figuras influentes, especialmente de Alcolumbre, então presidente do Senado. Kramer relata que, em diversas ocasiões, o senador usou sua influência para blindar Vorcaro, impedindo investigações mais profundas e adiando a renovação da diretoria da CBT. “O ‘amor’ de Alcolumbre por Vorcaro — no sentido de lealdade pessoal que transcende o interesse público — paralisou qualquer tentativa de reforma no tênis de mesa brasileiro”, escreveu a colunista. “Enquanto isso, os atletas amargam instalações precárias e falta de planejamento.”
**Análise FORTIS: A captura do esporte pelo Estado**
Sob a ótica liberal-conservadora do FORTIS NEWS, o caso é exemplar de um problema estrutural: a captura de entidades esportivas por grupos políticos que as tratam como feudos pessoais. O “amor” de Alcolumbre por Vorcaro não é um mero capricho afetivo; é sintoma de um sistema onde o poder público financia, mas não fiscaliza, e onde as relações pessoais substituem a meritocracia. O tênis de mesa, esporte que poderia ser um celeiro de talentos, tornou-se refém de uma máquina clientelista.
A omissão de Alcolumbre, como apontou Kramer, não é neutra. Ao não cobrar transparência, ao não exigir renovação, o senador agiu ativamente para manter o *status quo*. Isso só é possível porque o Estado brasileiro, ao contrário do que preconiza o liberalismo, é hipertrofiado e interventor. Se o esporte fosse gerido por associações privadas independentes, com financiamento voluntário e concorrência, a permanência de um gestor ineficiente seria punida pelo mercado — atletas migrariam para confederações mais eficientes, patrocinadores fugiriam. Mas, como o dinheiro público sustenta a CBT, não há incentivo para mudança.
Para o liberalismo, a solução passa por: (1) desvincular o financiamento esportivo de recursos obrigatórios, criando mecanismos de doação incentivada e captação privada; (2) garantir que as confederações sejam fiscalizadas por órgãos independentes, sem interferência política; (3) reduzir o poder de indicação de parlamentares sobre entidades esportivas. Enquanto isso não ocorrer, casos como o de Vorcaro se repetirão — não por acaso, mas por desenho institucional.
**1. Quem é Paulo Vorcaro e por que ele é alvo de críticas?** Paulo Vorcaro foi presidente da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa (CBT) por 24 anos. Durante sua gestão, houve denúncias de má gestão, nepotismo e irregularidades na aplicação de recursos públicos, conforme apontado pela CGU. Ele renunciou em 2024, mas ainda mantém influência na entidade.
**2. Qual foi o papel de Davi Alcolumbre nessa história?** Segundo a colunista Dora Kramer, o senador Alcolumbre usou sua influência política para proteger Vorcaro, adiando investigações e bloqueando a renovação da diretoria da CBT. Kramer atribui essa atitude a uma relação pessoal de lealdade, que chama de “amor”.
**3. O que Dora Kramer quis dizer com “amor” no artigo?** Ela usou o termo de forma irônica, referindo-se à complacência e à lealdade pessoal acima do interesse público. Não se trata de afeto romântico, mas de uma aliança política que prejudica o esporte.
**4. Como isso afeta os atletas de tênis de mesa?** A falta de transparência e a má gestão resultaram em instalações precárias, falta de planejamento de longo prazo e dependência de patrocínios públicos mal administrados. Atletas como Hugo Calderano são exceções que prosperaram graças a investimentos privados e treinamento no exterior.
**5. O FORTIS NEWS defende o fim do financiamento público ao esporte?** Não exatamente. Defendemos que o financiamento seja voluntário, descentralizado e fiscalizado por órgãos independentes, sem ingerência política. O Estado deve garantir regras claras e punir irregularidades, não controlar as entidades.
**6. Há outros casos semelhantes no esporte brasileiro?** Sim. O problema é sistêmico. Confederações de futebol, vôlei e atletismo também já foram alvo de denúncias de aparelhamento político. O caso da CBT é apenas o mais emblemático do momento.
**7. O que a CGU descobriu sobre a CBT?** A CGU identificou falhas na prestação de contas, ausência de licitações e uso irregular de recursos públicos. O relatório recomendou a devolução de valores e a reestruturação da entidade.
**8. Como o liberalismo propõe resolver esse problema?** Com menos Estado e mais mercado. As confederações deveriam ser associações privadas, financiadas por doações, patrocínios e mensalidades, sem dinheiro obrigatório do contribuinte. A fiscalização seria feita por órgãos como a CGU, mas sem poder de indicar dirigentes.
**9. O que muda com a saída de Vorcaro?** Ainda é cedo para dizer. A renúncia de Vorcaro não garante renovação, pois o sistema que o sustentava continua intacto. Sem reformas estruturais, o novo presidente pode repetir os mesmos erros.
**Conclusão**
O artigo de Dora Kramer expõe uma ferida aberta no esporte brasileiro: a captura de entidades por interesses pessoais e políticos. O “amor” de Alcolumbre por Vorcaro é apenas a ponta do iceberg de um sistema que privilegia relações em detrimento de resultados. Para o FORTIS NEWS, a saída não é mais Estado, mas menos — com regras claras, fiscalização independente e incentivo à iniciativa privada. Enquanto isso não ocorrer, o tênis de mesa e outros esportes continuarão reféns de feudos que nada têm a ver com esporte e tudo a ver com poder.
Por Renan Filho · 2026-09-26